Lectio divina para o II do Tempo Comum

Entrámos no tempo comum, assim designado pela Igreja. Certamente o tempo de Natal foi vivido na alegria do encontro com Cristo que se faz um de nós e na alegria de nos encontramos uns com os outros, apesar das limitações físicas e espaciais.

Disponível para o encontro conTigo

Breve introdução

Entrámos no tempo comum, assim designado pela Igreja. Certamente o tempo de Natal foi vivido na alegria do encontro com Cristo que se faz um de nós e na alegria de nos encontramos uns com os outros, apesar das limitações físicas e espaciais.

O tempo comum que agora iniciámos e que ocupa, no calendário litúrgico, a grande maioria do nosso ano, não é nem pode ser um tempo menor, um tempo onde como cristão faço uma pausa, um abrandar na minha caridade e atenção ao outro, eventualmente até dar menos tempo a Deus. Não por acaso, este domingo apresenta-nos o chamamento de Samuel e o seu encontro com Deus. O tempo comum, vivido domingo a domingo, é sempre e terá sempre de ser tempo de encontro com Deus e com os outros.

Escutemos a Palavra de Deus, buscando nela uma alavanca para o encontro.

1. Invocação

Ó Deus, fonte de verdadeiro encontro,
Dá-nos o dom do silêncio, e da escuta para te encontrarmos todos os dias neste mundo
e desejarmos o encontro definitivo no mundo que há de vir.
Ámen.

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1. Vamos ouvir um texto do 1º Livro de Samuel

Trata-se de um típico relato de vocação, como tantos outros que a Bíblia nos apresenta. Por meio da sua leitura colocamo-nos também nós na disposição de escutar o Senhor que nos chama e nos fala. Abrindo o nosso coração, escutemos.

2.2. Leitura do Primeiro Livro de Samuel (1 Sam 3, 3b-10.19)

Naqueles dias,
Samuel dormia no templo do Senhor,
onde se encontrava a arca de Deus.
O Senhor chamou Samuel
e ele respondeu: «Aqui estou».
E, correndo para junto de Heli, disse:
«Aqui estou, porque me chamaste».
Mas Heli respondeu:
«Eu não te chamei; torna a deitar-te».
E ele foi deitar-se.
O Senhor voltou a chamar Samuel.
Samuel levantou-se, foi ter com Heli e disse:
«Aqui estou, porque me chamaste».
Heli respondeu:
«Não te chamei, meu filho; torna a deitar-te».
Samuel ainda não conhecia o Senhor,
porque, até então,
nunca se lhe tinha manifestado a palavra do Senhor.
O Senhor chamou Samuel pela terceira vez.
Ele levantou-se, foi ter com Heli e disse:
«Aqui estou, porque me chamaste».
Então Heli compreendeu que era o Senhor
que chamava pelo jovem.
Disse Heli a Samuel:
«Vai deitar-te; e se te chamarem outra vez, responde:
‘Falai, Senhor, que o vosso servo escuta’».
Samuel voltou para o seu lugar e deitou-se.
O Senhor veio, aproximou-Se e chamou como das outras vezes:
«Samuel! Samuel!»
E Samuel respondeu:
«Falai, Senhor, que o vosso servo escuta».
Samuel foi crescendo;
o Senhor estava com ele
e nenhuma das suas palavras deixou de cumprir-se.

(Em silêncio, cada um pode voltar a ler o texto ou pensar no que acabou de ouvir)

2.3. Breve comentário

O 1º livro de Samuel, coloca-nos na história do caminho que Deus faz com o povo, para o constituir como tal, povo reunido em seu nome. O relato de hoje é manifestação desse querer continuo de Deus de vir ao nosso encontro.

Somos colocados nesta cena, no templo, talvez à noite, onde o silêncio é maior, coração em ritmo lento a dizer já de si que estão criadas as condições básicas: espaço e tempo, para que Deus possa vir ao encontro de Samuel. Espaço e tempo para que Deus se possa dizer na vida de Samuel. A noite pode ter uma conotação negativa na vida, pelo escuro que lhe trás, mas mesmo na noite mais escura da nossa vida, no que de difícil possa ter, a vontade primeira de Deus em vir ao nosso encontro acontece sempre. É o Seu amor por nós num continuo. Deus é fiel à aliança de amor por nós e toma sempre a iniciativa, dá o primeiro passo para o encontro.

Samuel, não percebendo logo o que está a acontecer, não desiste de procurar saber. Já se desenha também no seu coração uma vontade do encontro, de querer saber de onde vem a voz que escuta. Talvez só por teimosia se levante sempre e mais uma vez para saber quem o chama. Pois então, que seja por teimosia, a graça de Deus em si há de transformar essa teimosia em disponibilidade para acolher o dom. Um coração disponível para Deus, tal como o de Samuel acolheu, canta de alegria e bendiz a Deus.

É também explícito neste relato de vocação a ajuda dada pelo sacerdote Heli. Deus coloca na vida de Samuel alguém que o ajuda no encontro com Deus. Sem dúvida uma vida que já vive a partir do amor de Deus, como Heli, leva os outros ao encontro com esse amor, tem a missão de levar e ajudar a levar os outros ao encontro com Deus.

O encontro de Samuel com Deus acontece no templo, a recordar-nos as nossas igrejas, os nossos templos, que nos proporcionam o encontro com Deus, em particular e em especial na Eucaristia. Nesta, Deus fala-nos e “fala-nos não no passado, mas no presente e para nós, comunicando-nos a Palavra da Salvação, Palavra de vida eterna.” (Cf. Carta Pastoral A Eucaristia, encontro e comunhão com Cristo e os irmãos, nº 6)

Que bom que é quando Deus se encontra connosco e põe o nosso coração e os nossos lábios a cantar um cântico novo, um hino de louvor ao nosso Deus, como nos sugere o salmo deste domingo.

3. Silêncio meditativo e diálogo

O Senhor chamou Samuel, e ele respondeu: “Aqui estou”

– Na minha vida dou tempo para que Deus me fale? Crio as condições para O escutar?

O Senhor veio, aproximou-Se e chamou como das outras vezes: “Samuel, Samuel!”. E Samuel respondeu: “Falai, Senhor, que o vosso servo escuta.”.

– Quando reconheço que Deus me fala e me chama a algo mais sou capaz de fazer como Samuel e oferecer mais tempo da minha vida a essa causa?

Heli compreendeu que era o Senhor que chamava pelo jovem. Disse Heli a Samuel: «Vai deitar-te; e se te chamarem outra vez, responde: ‘Falai, Senhor, que o vosso servo escuta’».

– Samuel precisou da ajuda de Heli para reconhecer quem o chamava. Estou atento e disponível para ajudar outros na sua busca de encontro com Deus?

Ao proclamarmos e ouvirmos as leituras na Eucaristia é o próprio Deus que nos fala.

– Quando escuto a palavra de Deus na Eucaristia reconheço que Deus fala para mim e comigo?

4. Oração final e gesto

– Se feito em família, cada um pode colocar em comum e partilhar uma prece, um pedido, um agradecimento.

– Terminam, rezando juntos o Pai Nosso e, porventura, cantando um cântico.

– Como propósito durante a semana, cada um pode tirar pelos menos 15 minutos para estar em silêncio num lugar calmo diante de um crucifixo. Começando com a bela oração: “Aqui estou, Senhor”, como dom gratuito da Sua presença e no silêncio certamente Deus falará ao coração.

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