Lectio divina para o Domingo da Epifania

Poucos dias depois do seu nascimento, que introduziu no mundo a luz nova da presença de Deus no meio de nós, contemplamos o quadro sempre tocante e desconcertante da adoração dos magos vindos do Oriente.

“VIEMOS ADORÁ-LO”

Lectio Divina para o Domingo da Epifania do Senhor (Ano C). 02.01.2021

Breve Introdução

Celebramos de forma intensa e condensada os mistérios do início da vida de Jesus. Poucos dias depois do seu nascimento, que introduziu no mundo a luz nova da presença de Deus no meio de nós, contemplamos o quadro sempre tocante e desconcertante da adoração dos magos vindos do Oriente. Eles viram o que muitos, até bem mais próximos de Jesus, não conseguiram ver. A estrela misteriosa guia os passos destes estrangeiros para a gruta de Belém. Assim somos nós próprios chamados pela fé, guiados pela luz interior que a fé nos traz, a adorar o mesmo mistério, agora especialmente presente na Eucaristia.

1. Invocação

Deus todo-poderoso e eterno,
iluminai os nossos corações com a luz da fé,
e aquecei-os com o fogo do vosso amor,
para que adoremos sempre em espírito e verdade,
Aquele a quem reconhecemos presente no sacramento da Eucaristia
como nosso Deus e Senhor.
Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1. Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 2, 1-12)

Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

2.2. Breve Comentário

Os Magos encontram Jesus em “Bêt-lehem”, que significa “casa do pão”. Na humilde gruta de Belém jaz, colocado em cima de um pouco de palha, “o grão de mostarda” que, morrendo, dará “muito fruto” (cf. Jo 12, 24). Para falar de si e da sua missão salvífica, Jesus, ao longo da sua vida pública, recorrerá à imagem do pão. Dirá: “Eu sou o pão da vida”, “Eu sou o pão que desceu do céu”, “o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo” (Jo 6, 35.41.51).

Percorrendo com fé o itinerário do Redentor da pobreza desde o Presépio até ao abandono na Cruz, compreendemos melhor o mistério do seu Amor que redime a humanidade. O Menino, colocado por Maria na Manjedoura, é o Homem-Deus que veremos pregado na Cruz. O mesmo Redentor está presente no sacramento da Eucaristia. Na manjedoura de Belém deixou-se adorar, sob as pobres aparências de um recém-nascido, por Maria, por José e pelos pastores; na Hóstia consagrada adorámo-l’O sacramentalmente presente em corpo, sangue, alma e divindade, e oferece-se a nós como alimento de vida eterna. A santa Missa torna-se então o verdadeiro encontro de amor com Aquele que se entregou completamente por nós. Somos convidados para este encontro de amor.

“Prostrando-se, adoraram-no”. Se, no Menino que Maria estreita entre os seus braços, os Magos reconhecem e adoram o esperado pelas nações anunciado pelos profetas, nós hoje podemos adorá-lo na Eucaristia e reconhecê-lo como o nosso Criador, único Senhor e Salvador.

“Abrindo os cofres, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra”. Os dons que os Magos oferecem ao Messias simbolizam a verdadeira adoração. Mediante o ouro eles realçam a realeza divina; com o incenso confessam-no como sacerdote da nova Aliança; oferecendo-lhe a mirra celebram o profeta que derramará o próprio sangue para reconciliar a humanidade com o Pai. 

Ofereçamos também nós ao Senhor o ouro da nossa existência, ou seja, a liberdade de o seguir por amor, respondendo fielmente à sua chamada; façamos subir para Ele o incenso da nossa oração fervorosa, o louvor da sua glória; ofereçamos-lhe a mirra, isto é, o afecto replecto de gratidão por Ele, verdadeiro Homem, que nos amou até morrer como um malfeitor no Gólgota.

A adoração do verdadeiro Deus constitui um acto autêntico de resistência contra qualquer forma de idolatria. Adorar Cristo! Ele é a Rocha sobre a qual construir o nosso futuro e um mundo mais justo e solidário. Jesus é o Príncipe da paz, a fonte de perdão e de reconciliação, que pode irmanar todos os membros da família humana.

(cf. Papa João Paulo II, Mensagem para a XX Jornada Mundial da Juventude)

3. Meditação Adorante

Adorar quer dizer render-se totalmente nas mãos de Deus, depondo toda a vida e expondo-se sem reservas diante dele para O honrar, louvar e amar.

Deus está diante de nós e nós estamos diante d’Ele. Mais, a adoração torna-se união.

Adorar é, afinal, «dar a Deus o que é de Deus», isto é, tudo em nós, todo o nosso amor.

Para te encontrares na intimidade com Deus que se oferece a ti e para poderes estar com ele frente a frente, como «um amigo está com o seu amigo», não é preciso dizer muitas palavras, mas de estar e acolher a companhia de Jesus.

Como os magos vamos adorar Jesus e oferecer-Lhe o que temos de melhor.

Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos;
Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e nos Vos amam.

I. Eu Te adoro, Senhor

Os magos foram interpelados por uma estrela. Também hoje Deus nos chama e guia através de sinais. Quando nos deixamos guiar por Ele, o nosso coração experimenta uma profunda alegria.

Jesus, és a Rocha sobre a qual podemos construir o nosso futuro!
Jesus, és a Rocha sobre a qual podemos construir um mundo mais justo e solidário!
Jesus, eu Te adoro!

II. A minha oferta para Ti

Ouro, incenso e mirra. Os magos deram a Jesus o melhor que tinham.

Também nós, hoje, Te damos o melhor que temos: a nossa amizade e o nosso desejo de estar contigo.

Quero oferecer-Te o ouro da minha existência.
Quero oferecer-Te o perfume da minha liberdade.
Quero oferecer-Te o incenso da minha amizade.
Quero seguir-Te por amor!

III. Senhor, quero seguir-Te

Depois daquele encontro os magos regressaram. Mas não iam iguais. Tinham encontrado Aquele a quem tanto procuraram. Levavam consigo a profunda alegria de ter encontrado Jesus. E iriam certamente partilhar com muitos outros esse dom precioso.

Jesus, é tão bom estar contigo!
Quero seguir-Te, Deus, feito homem.
Quero seguir-Te, Deus simples, que te revelas aos simples de coração.
Quero seguir-Te nos Teus caminhos.
Quero seguir-Te, Cristo, Caminho, Verdade e Vida.
Quero partilhar com os outros o dom espiritual do encontro contigo.

4. Gesto e oração durante a semana

Reservarei um breve momento na minha semana para uma visita a Jesus Eucaristia no Sacrário de uma igreja, onde me colocarei diante d’Ele, a sós ou em família, para de forma simples o adorar. Posso dizer-Lhe as palavras propostas no ponto 3., ou outras.

Repositório LECTIO DIVINA
https://bit.ly/2W4uDI6

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