Lectio divina para o 5º Domingo da Páscoa, Ano A

O tempo da Páscoa é, por excelência, o tempo do Espírito Santo, por meio do qual Jesus Ressuscitado se faz presente na vida da Igreja.
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Não se perturbe o teu coração!

Breve introdução

O tempo da Páscoa é, por excelência, o tempo do Espírito Santo, por meio do qual Jesus Ressuscitado se faz presente na vida da Igreja. O Evangelho que vamos escutar este Domingo parece rasgar caminho entre a manhã de Páscoa e o dia de Pentecostes, anunciando que o Senhor Ressuscitado nos quer consigo. Por isso nos prepara, no Pai, uma morada. E enquanto somos peregrinos deste mundo, jamais deixa de estar presente, por meio do seu Espírito, dado em abundância. Por isso, ressoa em nós uma palavra de ordem, palavra de Jesus, capaz de penetrar as horas mais escuras da nossa vida e renovar-nos na alegria pascal: ‘Não se perturbe o vosso coração!’ 

1. Invocação

Deus nosso Pai,
confirma em nós a promessa de vida nova que se abriu na manhã de Páscoa.
Fortalece-nos no teu amor para que, firmes no Espírito,
sigamos os passos do Teu Filho, que é caminho, verdade e vida,
e sejamos capazes de dar frutos que permaneçam para a eternidade.
Ámen.

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1. Vamos ouvir um excerto do Evangelho segundo S. João

O excerto do Evangelho de S. João que escutaremos este domingo é retirado daquele que é chamado de ‘Discurso de despedida de Jesus’. Jesus fá-lo no contexto da última ceia, depois de ter lavado os pés aos discípulos, de ter anunciado a traição de Judas e a sua partida deste mundo, depois de ter deixado o mandamento novo do amor. Neste contexto, este discurso é de um extremo significado: ele procura ser uma fonte de ânimo para a experiência dolorosa que os discípulos vão viver, aquando da Paixão e morte de Jesus. Há, por isso, uma palavra de ordem, que pode ressoar no coração dos discípulos nas horas mais escuras que irão enfrentar: ‘Não se perturbe o vosso coração … onde eu estiver, ireis estar vós também’. 

Lido em contexto pascal, em que celebramos a vitória do Senhor sobre a morte e firmamos a certeza do dom do Espírito, estas palavras ganham um significado novo: os discípulos de todos os tempos, como nós, vivem na certeza de serem chamados a estar com Jesus, que jamais negará a sua presença a quem se quiser fazer seu discípulo. Por isso, acolhamos este Evangelho como fonte de alegria e esperança para as nossas vidas: Jesus está vivo, connosco, para nós.

2.2. Leitura do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. João (Jo 14, 1-12)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar? Quando Eu for preparar-vos um lugar, virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho». Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?». Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai».

2.3. Breve comentário

A vida da fé é muitas vezes marcada por uma tensão desconcertante: acreditamos na presença de Jesus nas nossas vidas, mas tantas vezes experimentamos uma verdadeira ausência. A fé diz-nos que Ele está connosco, que jamais nos abandona. Mas, como posso eu avançar firme nessa confiança se, por vezes, tantas coisas à minha volta me fazem crer que a presença de Jesus na minha vida pode não passar de uma ilusão?

Ainda em pleno tempo da Páscoa, em que celebramos a presença de Jesus ressuscitado nas nossas vidas, por meio do Seu Espírito, somos convidados a enfrentar essa tensão que tantas vezes nos habita, e a fortalecer, uma vez mais, a nossa esperança. Tal como disse outrora, sentado à mesa com os seus primeiros discípulos, Jesus diz-nos hoje a nós, que escutamos esta palavra: Não temas! Não fique perturbado o teu coração. Acredita: eu estou contigo. No meio das experiências mais escuras, quando pareces experimentar a minha ausência, recorda-te destas palavras que disse naquele dia sentado à mesa com os meus discípulos, mas que hoje repito para ti: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida’; para ti reservei um lugar, junto de mim, para toda a eternidade. Mas enquanto peregrinas neste mundo, vive naquela certeza, que é a certeza de cada cristão: «Quem crê em Deus nunca está sozinho, nem na vida, nem na morte» (Papa Bento XVI, 24.05.2005).

3. Silêncio meditativo e diálogo

Não se perturbe o vosso coração.

Sinto estas palavras de Jesus, como se dirigissem particularmente a mim. É a mim que, hoje, ele se dirige e sussurra: «Não se perturbe o teu coração». 

O que é que me perturba? O que é que, neste momento me tira a paz, me faz perder a esperança, me faz sentir que estou só? Peço a Jesus que sussurre ao meu coração estas palavras: «Não se perturbe o teu coração».

Quando Eu for preparar-vos um lugar, virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também.

É este o anúncio da Páscoa: Deus Pai ressuscitou Jesus de entre os mortos e fará o mesmo connosco, no fim da nossa peregrinação sobre a terra, muitas vezes marcada pela dor, pelo cansaço e pela desilusão. Por isso, Jesus pode afirmar: irei preparar-vos um lugar, 

Como foi para mim celebrar a Páscoa? Tenho fé na ressurreição de Jesus? E acredito que também eu sou destinado à vida eterna, com Jesus? 

Quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores. 

É desconcertante como termina Jesus este discurso que escutámos no Evangelho. Depois de dissipar os nossos medos e firmar-nos na confiança que estará sempre connosco, termina com uma palavra de ânimo que parece ultrapassar toda a razão humana: quem acredita em Jesus é capaz de fazer as obras de Jesus. 

Firme nesta palavra, quais são os gestos de Jesus que quero imitar na minha vida? Peço-lhe a fé para os realizar.

4. Oração final e gesto

Ao prepararmo-nos para a celebração da Eucaristia dominical, guardamos a palavra de ordem deste Evangelho: Não se perturbe o teu coração … eu estarei sempre contigo! Na Eucaristia, escutemos uma vez mais o Evangelho, na certeza que é o mesmo Jesus que hoje nos fala. E quando recebermos o Senhor em comunhão, acendamos em nós a firme certeza da sua presença. 

Ao longo desta semana, tomemos esta texto de Santa Teresa de Ávila como alimento para a nossa esperança, lendo-o, por exemplo, ao começar ou ao terminar de cada dia:

“Nada te perturbe, Nada te espante,
Tudo passa, Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem, Nada lhe falta: Só Deus basta.”

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