Lectio divina para o 4º Domingo do Tempo Comum, Ano C

O Evangelho desta semana fala-nos desta tensão entre o Deus que se oferece em Jesus e o homem que decide ou não aceitar a oferta, acolhendo-a na fé. Ousemos entrar em diálogo com a Palavra e perguntemo-nos com sinceridade: tenho fé que Jesus é o filho de Deus que vem ao meu encontro para que também eu me torne seu filho e viva como filho?
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A ousadia de dar o salto da fé

Lectio Divina para o Domingo IV do Tempo Comum (Ano C) 30.01.2022

Breve introdução

A fé move montanhas! Habituamo-nos a ouvir este ditado, sem pararmos e fazermos a derradeira pergunta: o que é que esta afirmação significa? Pode a fé alcançar tudo? Se pode, que fé é esta? Fé em quê ou em quem que seja capaz de transformar a nossa vida e alcançar tudo quanto deseja o nosso coração?

Na verdade, é na fé que se joga o centro da nossa vida cristã: Deus criou-nos (desejou-nos) para que o conhecêssemos como Pai, Filho e Espírito Santo e ousássemos entrar nesta relação como filhos do Pai que está no Céu. Mas para que isto aconteça, para que possamos conhecer Deus e entrar em relação com Ele (por outras palavras, para que possamos ser filhos e ter a vida de Deus em nós) é preciso aceitar a vinda deste Deus à nossa vida e dar o passo do acolhimento. A fé torna-se a nossa resposta amorosa Àquele que nos amou primeiro: Deus.

O Evangelho desta semana fala-nos desta tensão entre o Deus que se oferece em Jesus e o homem que decide ou não aceitar a oferta, acolhendo-a na fé. Ousemos entrar em diálogo com a Palavra e perguntemo-nos com sinceridade: tenho fé que Jesus é o filho de Deus que vem ao meu encontro para que também eu me torne seu filho e viva como filho?

1. Invocação

Ó Deus, que nos enviaste o teu Filho Jesus para nos revelar que estás no meio de nós
e que desejas vir à nossa vida,
dá-nos o dom da fé, que é a única resposta que podemos dar
ao dom do teu amor por nós.
Ámen!

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1. Vamos ouvir um excerto do Evangelho segundo S. Lucas

O trecho do Evangelho de S. Lucas que vamos escutar passa-se em Nazaré, terra onde Jesus viveu os primeiros anos da sua vida com Maria e José. Na sinagoga, lugar onde os judeus se encontravam para escutar a Palavra de Deus e o comentário que fazia aquele que presidia ao culto, Jesus, depois de ler a escritura, toma a palavra e apresenta-se como Aquele em quem a Palavra de Deus se cumpre, porque é o Messias de Deus que vem ao mundo, aquele em quem se atualiza a Escritura, porque é aquele que é enviado para dar cumprimento às promessas de Deus. Mas as suas palavras não parecem surtir um grande efeito, porque os seus conterrâneos são incapazes de crer que quem viram crescer de menino a adulto possa ser o Messias esperado. 

2.2. Leitura do Evangelho de Jesus Cristo segundo S. Lucas (Lc 4, 21-30)

Naquele tempo, Jesus começou a falar na sinagoga de Nazaré, dizendo:
«Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir».
Todos davam testemunho em seu favor
e se admiravam das palavras cheias de graça que saíam da sua boca.
E perguntavam: «Não é este o filho de José?».
Jesus disse-lhes: «Por certo Me citareis o ditado: ‘Médico, cura-te a ti mesmo’.
Faz também aqui na tua terra o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum».
E acrescentou: «Em verdade vos digo:
Nenhum profeta é bem recebido na sua terra.
Em verdade vos digo que havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias,
quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e
houve uma grande fome em toda a terra;
contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas,
mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidónia.
Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu;
contudo, nenhum deles foi curado, mas apenas o sírio Naamã».
Ao ouvirem estas palavras, todos ficaram furiosos na sinagoga.
Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade
e levaram-n’O até ao cimo da colina sobre a qual a cidade estava edificada,
a fim de O precipitarem dali abaixo.
Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.

2.3. Breve comentário

Os Evangelhos têm como função apresentar-nos a pessoa de Jesus, para suscitar em nós o acolhimento daquele que foi enviado por Deus para nos dar a verdadeira vida. Por outras palavras, podemos dizer que os Evangelhos têm como função suscitar a fé. Porque fé e acolhimento andam de mãos dadas. 

Este texto, com o qual o Evangelista Lucas inicia a narração da vida pública de Jesus, não deixa dúvidas quanto à identidade daquele que cresceu em Nazaré, na família de Maria e de José e que hoje toma a palavra na Sinagoga, diante dos seus conterrâneos: o filho de José é mais que o filho de José. É o messias, isto é, o enviado de Deus que nos mostra o rosto paterno do Pai e que dá um novo rosto à nossa relação com Deus: somos filhos de Deus, porque Deus nos enviou o Seu Filho.

Diante de um tal anúncio podemos responder de duas maneiras: ou somos incapazes de reconhecer que Jesus é mais que um simples homem bom e ignoramos a novidade que a sua vida e a sua mensagem trazem, ou respondemos ao seu anúncio com a resposta da fé, acolhendo a sua palavra e aceitando o dom de nos tornarmos nele Filhos de Deus. 

Rejeição incrédula ou acolhimento crente são as duas formas como podemos responder ao dom da vinda de Deus à nossa vida! Como o queremos fazer?

3. Silêncio meditativo e diálogo

«Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir».

Jesus apresenta-se como aquele em quem se cumpre a Palavra de Deus, mostrando-nos como aquilo que está na Bíblia não é letra morta, mas palavra vida que pode tomar carne concreta na vida de cada um de nós.

Como me relaciono com a Palavra de Deus? Qual é o lugar que ela ocupa na minha vida? Alguma vez pensei que aquilo que leio na Bíblia pode iluminar a minha vida tomando forma em mim?

Reconheço que, na Palavra de Deus proclamada na Eucaristia, é Deus que me fala, iluminando a vida do mundo e a minha vida?

Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam das palavras cheias de graça que saíam da sua boca. E perguntavam: «Não é este o filho de José?»

Aqueles que escutavam Jesus na sinagoga admiravam-se com as suas palavras. E até davam testemunho em favor dele. Mas para eles Jesus era apenas um homem de exemplo e de palavras fortes. Um homem extraordinário sim, mas não alguém enviado por Deus, porque bem sabiam que ele era apenas o filho de José!

Como me coloco diante da figura de Jesus? Para mim, ele foi somente um homem extraordinário que me deixou uma série de ensinamentos que posso aplicar na minha vida? Ou Ele é Deus feito homem que veio ao mundo tornar a vida de Deus acessível a todos e que hoje mesmo vive em mim?

Reconheço na Eucaristia a presença de Jesus, o Filho de Deus que me oferece o seu Corpo no Pão consagrado, dom de Deus para a vida do mundo?

4. Oração final e gesto

– Em silêncio, perguntando: «Senhor, que queres dizer-me com esta palavra?», procuramos o que Deus nos inspira, as mudanças a que nos convida, o que nos sugere.

– Pergunto-me: como está a minha fé? Como é que a situação concreta que vivo molda a minha atitude diante de Deus? Tenho acolhido o dom do amor de Deus na minha vida?

– Terminam, rezando o Credo.

Repositório LECTIO DIVINA
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