Lectio divina para o 4º Domingo de Páscoa, Ano C

No IV Domingo da Páscoa celebramos o Domingo do Bom Pastor, que encerra a semana de oração pelas vocações.

Um Pastor que cuida das suas ovelhas

Breve introdução

No IV Domingo da Páscoa celebramos o Domingo do Bom Pastor, que encerra a semana de oração pelas vocações. Lemos os versículos 27 a 30 do capítulo 10 do evangelho de S. João. Neste capítulo Jesus desenvolve uma catequese sobre o Bom Pastor. No pequeno texto do Evangelho deste domingo que será lido na Eucaristia, Jesus apresenta-se como o Bom Pastor que conhece e cuida das suas ovelhas. Jesus manifesta o amor por cada um dos seus discípulos. A unidade que Ele vive com o Pai, quer vivê-la com cada um dos que o Pai lhe dá. Tudo é do Pai e tudo o Pai coloca em suas mãos.

1. Invocação

Deus Pai de Misericórdia,
conduzi-nos à posse das alegrias celestes,
para que o pequenino rebanho dos vossos fiéis
chegue um dia à glória do Reino
onde já Se encontra o seu poderoso Pastor,
Jesus Cristo, vosso Filho,
que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Ámen.

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1. Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (Jo 10, 27-30)

Naquele tempo, disse Jesus:
«As minhas ovelhas escutam a minha voz.
Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me.
Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer,
e ninguém as arrebatará da minha mão.
Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos,
e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai.
Eu e o Pai somos um só».

Palavra da salvação.

2.2. Breve comentário

Neste capítulo 10 Jesus utiliza uma imagem que vem do Antigo Testamento. (Salmo 23). Deus é o Pastor que conduz as suas ovelhas, alimenta-as e protege-as. 

Esta é uma imagem que para muitos dos nossos contemporâneos pode parecer descabida e anacrónica. Hoje, mesmo nas nossas aldeias, já raramente se vêm rebanhos conduzidos por pastores. Os que há estão em cercados de onde não podem sair. Já não são conduzidas pelos terrenos em pousio ou por terrenos cujas culturas foram recentemente colhidas. 

Estamos perante um Pastor que providencia pastores segundo o seu coração. “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos conduzirão com inteligência e sabedoria” (Jr 3, 15). Um Pastor que olha para o Seu Povo, abandonado e explorado pelos que estavam à sua frente, pelos que o deviam conduzir: “Assim fala o Senhor Deus: ‘Ai dos pastores de Israel, que se apascentam a si mesmos! Não devem os pastores apascentar o rebanho?” (Ez 34, 2). Por isso, o Senhor toma uma atitude de repúdio em relação a estes pastores e Ele próprio cuida das suas ovelhas: “…assim fala o Senhor Deus: «Eis que Eu mesmo cuidarei das minhas ovelhas e me interessarei por elas»” (Ez 34,11). Este Pastor cria uma relação especial com as suas ovelhas. Ele conhece cada uma delas e elas escutam a sua voz. Escutam a sua voz, precisamente porque são conhecidas e se sentem conhecidas. 

Jesus atribui a Si o ser Pastor como seu Pai, porque Ele e o Pai são um. Jesus Cristo é o Messias, o filho de Deus que nos conduz a uma vida de plenitude, de eternidade. Ele suscita entre nós pastores que são chamados, nos vários ministérios e serviços, a agir segundo o Seu coração. 

3. Meditação

«As minhas ovelhas escutam a minha voz.». 

Ser discípulo de Jesus é escutar a Sua voz, a Sua palavra e a Sua vida. Assim como as ovelhas conhecem e confiam na voz do pastor, o discípulo de Jesus deve escutar e confiar na voz do Mestre.

– A quem dou ouvidos? 

– Escuto a voz de Jesus? 

«Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me.»

Na linguagem bíblica, conhecer significa amar. Jesus, ao dizer que nos conhece, diz-nos que nos ama. S. Francisco de Assis afirmava que evangelizar é dizer a cada homem: Tu és amado por Deus. Esta é a palavra que precisamos de ouvir e dizer uns aos outros: “Tu és amado por Deus”.

– Estou consciente de que sou conhecido/amado pelo Senhor? 

– Sei dizer a cada pessoa “Tu és amado por Deus”?

«Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer…»

Jesus, Aquele que há-de morrer na cruz, promete aos seus discípulos que não hão-de perecer. Parece algo contraditório. A vida eterna que nos é dada em Jesus Cristo não se confunde com a vida biológica, que é limitada no tempo.

– Como vejo a vida eterna de que fala Jesus?

– Como acolho a promessa de que nunca hei-de perecer?

«Eu e o Pai somos um só»

Em alguns momentos do Evangelho, Jesus revela a sua condição divina. Esta pretensão tornou-se mesmo fonte de conflito entre as autoridades religiosas e Jesus. O evangelista João é claro nesta identificação divina de Jesus desde o início do seu Evangelho.

– Quem é Jesus para mim? Vejo-O como Deus ou um simples homem, ainda que muito importante?

4. Gesto e oração final

– Como propósito durante a semana, reservar 30 minutos, voltar a ler o texto e notas que possa ter tirado durante esta lectio divina.

– Termino com a oração seguinte:

Pai bondoso,
em Cristo teu Filho, tu nos revelas o teu amor,
abraças-nos como filhos teus
e nos ofereces a possibilidade de descobrir, na tua vontade,
os traços da nossa verdadeira fisionomia.
Pai santo, tu nos chamas a ser santos como tu és santo.
Nós te pedimos que nunca deixes faltar à tua Igreja
ministros e apóstolos santos que, com a palavra e os sacramentos,
abram o caminho para o encontro contigo.
Pai misericordioso, concede à humanidade transviada homens e mulheres
que, com o testemunho de uma vida transfigurada à imagem do teu Filho,
caminhem alegremente com todos os outros irmãos e irmãs,
rumo à pátria celeste.
Pai-nosso, com a voz do teu Santo Espírito,
e confiando na materna intercessão de Maria,
nós te invocamos ardentemente:
manda à tua Igreja sacerdotes
que sejam testemunhas corajosas da tua infinita bondade.
Amém!

(S. João Paulo II, Mensagem para o XXXVI Dia Mundial de oração pelas vocações)

Repositório LECTIO DIVINA
https://bit.ly/2W4uDI6

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