Lectio divina para o 4º Domingo da Quaresma, Ano C (Podcast)

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Texto: Eduardo Caseiro, P.
Vozes: Gonçalo Dias, Alcina Dias, Carol Dias e Nuno Dias
Pós-Produção: José Simões, Rádio Canção Nova

A diversidade que constrói comunhão

Tema 4 do retiro popular – 4º domingo da quaresma 2022

Introdução

Nas Cartas de S. Paulo às primeiras comunidades cristãs, um dos temas transversais a todas elas é a unidade: unidade de coração, que vem do acolhimento do outro como meu irmão; unidade na diversidade, acolhendo as diversas missões na Igreja como igualmente necessárias para a sua construção; unidade na fé, procurando manter o anúncio de Jesus na sua integridade, sem os desvios que algumas doutrinas estranhas queriam implementar.

No trecho da Carta aos Efésios que vamos escutar esta exortação é muito clara: os cristãos devem suportar-se uns aos outros no amor, mantendo a unidade no reconhecimento daquilo que os une e no acolhimento da diversidade, o que exige esforço e dedicação. Mas nunca podemos desistir de construir esta unidade porque isso seria um sinal de incoerência com aquilo que somos: um Corpo, que se alimenta e cresce na Eucaristia, Corpo de Jesus entregue por nós.

Palavra de Deus

Leitura da Carta do Apóstolo São Paulo aos Efésios

Eu, o prisioneiro no Senhor, exorto-vos a que procedais de um modo digno do chamamento que recebeste; com toda a humildade e mansidão, com paciência: suportando-vos uns aos outros no amor, esforçando-vos por manter a unidade do Espírito, mediante o vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, assim como a vossa vocação vos chamou a uma só esperança; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por todos e permanece em todos.

Mas, a cada um de nós foi dada a graça, segundo a medida do dom de Cristo. E foi Ele que a alguns constituiu como Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Pastores e Mestres, em ordem a preparar os santos para uma atividade de serviço, para a construção do Corpo de Cristo, até que cheguemos todos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao homem adulto, à medida completa da plenitude de Cristo. Assim, deixaremos de ser crianças, batidos pelas ondas e levados por qualquer vento da doutrina, ao sabor do jogo dos homens, da astúcia que maliciosamente leva ao erro; antes, testemunhando a verdade no amor, cresceremos em tudo para aquele que é a cabeça, Cristo. É a partir dele que o Corpo inteiro, bem ajustado e unido, por meio de toda a espécie de articulações que o sustentam, segundo uma força à medida de cada uma das partes, realiza o seu crescimento como Corpo, para se construir a si próprio no amor.

Meditação

A exortação à unidade presente na Carta aos Efésios é estonteante, pela forma densa como é escrita. Na cadência das palavras, podemos pressentir um apelo forte: não estamos perante algo acessório, mas diante de uma questão de vida ou morte: Deus chama-nos à comunhão com ele, e isso exige viver de forma digna desse chamamento, o que implica um esforço humilde e paciente de manter a unidade entre aqueles que, como eu, foram chamados à comunhão com Deus.

Como vivo este chamamento à unidade na minha vida, na minha família, na minha comunidade cristã?

Esforço-me por manter a unidade, no amor pelo próximo, mesmo por aquele que é diferente de mim, que não pensa como eu, ou alimento intrigas e maledicências que destroem a unidade e a paz?

Diz-nos D. António Marto na sua Carta Pastoral «A Eucaristia, encontro e comunhão com Cristo e com os irmãos»: «A comunhão do dom que é Cristo gera a comunhão fraterna, torna-nos um só corpo. Neste sentido, a Igreja é Corpo de Cristo. (…) A celebração [da Eucaristia] é também a manifestação máxima da unidade da Igreja como comunhão na diversidade dos membros, das suas funções e ministérios. Significa e realiza a unidade “fazendo que, de estranhos, dispersos e indiferentes uns aos outros, nos tornemos unidos, iguais e amigos”. Isto deve levar-nos a tomar uma maior consciência do que Jesus nos dá e pede». 

A celebração da Eucaristia e a comunhão do mesmo Corpo de Cristo faz-me reconhecer o chamamento à unidade?

Olho a diversidade de missões e de carismas que há na minha comunidade como uma riqueza, ou a diversidade é muitas vezes para mim causadora de invejas e contendas?

Oração final

Senhor Jesus, Tu que fostes enviado pelo Pai
a anunciar e instaurar na Terra o Reino dos Céus
fazendo de nós Teus irmãos, filhos do mesmo Pai que está nos céus
e membros do Teu Corpo que é a Igreja,
dá-nos a graça de contribuirmos para a unidade deste corpo,
reconhecendo a sublime missão que nos foi dada de colaborar contigo na obra da Salvação
até que todos sejamos um como Tu e o Pai são um.
Ámen.

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