Lectio divina para o 3º Domingo do Tempo Comum, Ano C

Neste domingo, celebra-se o Domingo da Palavra de Deus, um dia “para compreender a riqueza inesgotável que provém daquele diálogo constante de Deus com o seu povo”.

A Palavra de Deus cumpre-se também hoje

Breve Introdução

Em cada semana, as comunidades cristãs reúnem-se para a celebração da Eucaristia. Aí se encontram com Jesus Cristo que se manifesta e lhes fala através das leituras da Sagrada Escritura. Note-se que Jesus inicia o seu ministério numa celebração, e nela Se apresenta como sendo Aquele a quem a leitura se refere. De facto, o Senhor é Aquele a quem toda a Sagrada Escritura se refere e Aquele que, em cada celebração litúrgica, é significado e tornado presente pela própria celebração, pois “é Ele quem fala quando na Igreja se leem as Sagradas escrituras” (Vaticano II, SC 7).

Neste domingo, celebra-se o Domingo da Palavra de Deus, um dia “para compreender a riqueza inesgotável que provém daquele diálogo constante de Deus com o seu povo”. O Papa Francisco instituiu-o movido pelo desejo de que “a Palavra de Deus seja cada vez mais celebrada, conhecida e difundida, para que se possa, através dela, compreender melhor o mistério de amor que dimana daquela fonte de misericórdia” (MM,7).

1. Invocação

Deus todo-poderoso e eterno,
dirigi a nossa vida segundo a vossa vontade,
para que mereçamos produzir abundantes frutos de boas obras,
em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. 

Ámen

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1. Vamos escutar uma passagem do Evangelho segundo S. Lucas (1, 1-4; 4, 14-21)

O evangelista Lucas expõe o método que seguiu para se informar sobre o Evangelho que vai escrever. Faz a dedicatória do mesmo a um tal Teófilo, nome que significa “Amigo de Deus”. Depois, começa a sua narração, referindo o princípio do ministério público de Jesus. A cena passa-se na sinagoga de Nazaré, numa celebração de Sábado.

2.2. Leitura do Evangelho segundo São Lucas 

Já que muitos empreenderam narrar os factos
que se realizaram entre nós,
como no-los transmitiram os que, desde o início,
foram testemunhas oculares e ministros da palavra,
também eu resolvi,
depois de ter investigado cuidadosamente tudo desde as origens,
escrevê-las para ti, ilustre Teófilo,
para que tenhas conhecimento seguro do que te foi ensinado.
Naquele tempo,
Jesus voltou da Galileia, com a força do Espírito,
e a sua fama propagou-se por toda a região.
Ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos.
Foi então a Nazaré, onde Se tinha criado.
Segundo o seu costume,
entrou na sinagoga a um sábado
e levantou-Se para fazer a leitura.
Entregaram-Lhe o livro do profeta Isaías
e, ao abrir o livro,
encontrou a passagem em que estava escrito:
«O Espírito do Senhor está sobre mim,
porque Ele me ungiu
para anunciar a boa nova aos pobres.
Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos
e a vista aos cegos,
a restituir a liberdade aos oprimidos
e a proclamar o ano da graça do Senhor».
Depois enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-Se.
Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga.
Começou então a dizer-lhes:
«Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir».

Palavra da salvação.

2.3. Breve comentário

Esta leitura inclui dois textos diferentes que, completando-se mutuamente, oferecem uma visão geral de todo o evangelho. O primeiro (1,1-4) é o prólogo de Lucas e transmite a intenção do Evangelista; o segundo (4,14-21) sintetiza a sua mais radical interpretação de Jesus Cristo.

Pelo prólogo, ficamos a saber o que é um Evangelho. Como ponto de partida, estão “os factos que se realizaram entre nós”; com isto, alude-se fundamentalmente aos acontecimentos da vida de Jesus, embora se incluam também os sucessos da história da Igreja como foram compilados no livro dos Atos dos Apóstolos. Sobre esta base foram elaboradas as tradições transmitidas pelas “testemunhas oculares e ministros da palavra”; Lucas utilizou, em parte, as mesmas tradições que Marcos e Mateus, transmitindo dessa forma aquilo que na Igreja antiga se dizia de Jesus e da sua obra. Sobre esse fundo de história e tradição, redigiu Lucas o seu evangelho, compondo-o de uma forma cuidadosamente elaborada e literalmente bela; é o que em exegese se chama trabalho redaccional do próprio Evangelista.

Este prólogo alude, por conseguinte, aos diversos elementos que compõem o Evangelho e devem ter-se em conta quando se trata de o entender. Como ponto de partida, há os factos da história de Jesus, na qual Deus nos ofereceu o seu rosto e a sua palavra. Como interpretação dos factos, aceitamos a vida da Igreja primitiva que os modelou e transmitiu. O resultado final é o trabalho literário de Lucas. Por isso, sempre que lemos o seu evangelho, pomo-nos em contato com o mistério de Jesus, tal como foi vivido e aceite pela Igreja antiga. 

É nesta perspetiva que se situa o relato da obra de Jesus de Nazaré na Galileia. No fundo, existe a realidade histórica da pregação de Jesus na Galileia e a rejeição por parte do seu povo; também é histórica a certeza de que Jesus atua com a força do Espírito Santo. Nessa base, transmitida e elaborada pela tradição, alicerçou Lucas um dos mais profundos conceitos de Cristo. 

Para entender este texto, é preciso situá-lo no campo da Esperança aberta pelo Antigo Testamento: virá a força, virá o Espírito de Deus e fará que se transforme a existência do Homem! Então, perante aqueles que aguardam a vinda do Espírito de Deus sobre a terra, Jesus proclama que o mistério começou a realizar-se: “cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da escritura”. Isto significa que, para a Igreja primitiva, a vinda de Jesus significa a mudança decisiva da história, a satisfação de todas as esperanças.

  • Silêncio meditativo e diálogo

«os factos que se realizaram entre nós, como no-los transmitiram os que, desde o início, foram testemunhas oculares e ministros da palavra»

A fé assenta sobre uma base histórica. O que escutamos nas Sagradas Escrituras não são uma história criada, mas a história vivida: a da relação entre Deus e a humanidade.  

Leio e escuto a Palavra de Deus. Como me situo diante dela: entendo-a como tendo acontecido exatamente como está escrita, ou tomo consciência de que ela é transmissão e interpretação dos factos e da vida vivida pela comunidade cristã? Leio os tempos atuais à luz da Palavra de Deus, ou sinto que a palavra da Escritura está “desatualizada”?  

«Jesus voltou da Galileia, com a força do Espírito.  (…) O Espírito do Senhor está sobre mim»

O Espírito Santo é o “motor” de toda a ação de Jesus, como o é da Igreja.

No meu caminhar em Igreja, faço-o se me apetece, se me agrada, ou avanço em Igreja, seguindo os caminhos propostos em comunidade? No meu agir pessoal, tenho momentos de oração, de diálogo e escuta do Espírito, para discernir qual a vontade de Deus e atuo segundo a inspiração divina, ou acho que a vontade de Deus está naquilo em que me sinto melhor e mais me consola?

 «Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor» 

Porque somos batizados, somos filhos de Deus e somos enviados. Por isso mesmo, para o batizado, evangelizar não é uma opção, mas uma missão, uma “obrigação”. Evangelizar é levar o Evangelho, que é boa nova de vida e para a vida.

Tenho consciência de participar da missão evangelizadora de Jesus Cristo? Vivo empenhado, ou, ao menos, preocupo-me ativamente com aqueles mais próximos de mim, que estão em situação de fragilidade? Busco e/ou contribuo para a solução dos problemas dos outros? Sou portador de esperança, anunciador da presença misericordiosa de Deus na vida das pessoas?

«Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir»

A palavra de Deus é atual, viva e eficaz. E eu sou elemento constitutivo de uma comunidade, participo da sua missão e, como Cristo, hoje, sou chamado ao encontro com o Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. 

Estou consciente de participar da comunidade cristã e da sua missão? Sinto-me enviado a viver o Evangelho e a ser testemunha da salvação, também hoje?

  • Propósito e oração final

Ao longo da semana, vou procurar momentos de encontro pessoais com Deus, que, por Ele,  me levem à proximidade com os outros, particularmente os “mais pequenos”.

Cada participante pode, querendo, apresentar uma breve intenção de oração.

Pai Nosso

Repositório LECTIO DIVINA
https://bit.ly/2W4uDI6

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