Lectio divina para o 33º Domingo do Tempo, Ano C

Neste XXXIII Domingo do tempo comum, acompanhamos Jesus numa visita ao Templo de Jerusalém.

Constantes no caminho

Lectio Divina para o Domingo XXXIII do Tempo Comum (Ano C), 13/11/2022

Breve introdução

Neste XXXIII Domingo do tempo comum, acompanhamos Jesus numa visita ao Templo de Jerusalém. Esta visita e os comentários laudatórios à beleza do templo são o ponto de partida para mais um ensinamento sobre a precariedade e volatilidade deste mundo. Tudo é passageiro, mesmo a robusta construção do Templo. E os Judeus já o deveriam saber. O primeiro Templo havia sido destruído pelos Babilónios e este, há pouco restaurado por Herodes, cairia pela acção das legiões romanas no ano 70 da Era Cristã. É este o cenário em que decorre o diálogo entre Jesus e os seus discípulos.

1. Invocação

Ao iniciar este momento de oração, confiamo-nos completamente ao Senhor e ao Seu Espírito que trabalha em nós.

Oração de abandono

Ó Senhor Deus, dá-me
tudo o que pode conduzir-me a Ti.
Ó Senhor Deus, afasta de mim
tudo o que pode afastar-me de Ti.
Ó Senhor Deus, faz com que eu já não seja para mim,
mas que eu seja totalmente para Ti.

Edith Stein (S. Teresa Benedita da Cruz)

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1.Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas (Lc 21, 5-19)

Naquele tempo,
comentavam alguns que o templo estava ornado
com belas pedras e piedosas ofertas.
Jesus disse-lhes:
«Dias virão em que, de tudo o que estais a ver,
não ficará pedra sobre pedra:
tudo será destruído».
Eles perguntaram-Lhe:
«Mestre, quando sucederá isto?
Que sinal haverá de que está para acontecer?».
Jesus respondeu:
«Tende cuidado; não vos deixeis enganar,
pois muitos virão em meu nome
e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’.
Não os sigais.
Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas,
não vos alarmeis:
é preciso que estas coisas aconteçam primeiro,
mas não será logo o fim».
Disse-lhes ainda:
«Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino.
Haverá grandes terramotos
e, em diversos lugares, fomes e epidemias.
Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu.
Mas antes de tudo isto,
deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos,
entregando-vos às sinagogas e às prisões,
conduzindo-vos à presença de reis e governadores,
por causa do meu nome.
Assim tereis ocasião de dar testemunho.
Tende presente em vossos corações
que não deveis preparar a vossa defesa.
Eu vos darei língua e sabedoria
a que nenhum dos vossos adversários
poderá resistir ou contradizer.
Sereis entregues até pelos vossos pais,
irmãos, parentes e amigos.
Causarão a morte a alguns de vós
e todos vos odiarão por causa do meu nome;
mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá.
Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».
Palavra da salvação.

2.2. Breve comentário

“Lucas escreve o seu Evangelho por volta do ano 85 DC. Nos 50 anos que se passaram desde a morte e ressurreição de Jesus, passaram-se factos tremendos. Houve guerras, revoluções políticas, catástrofes, o Templo de Jerusalém foi destruído, os cristãos são vítimas de injustiças e perseguições.

Por que motivo introduz Lucas este episódio? Fá-lo por uma preocupação: quer adivertir as suas comunidades para que tenham cuidado com quem confunde os sonhos com a realidade. Alguns exaltados atribuíram a Jesus previsões que eram apenas fruto de especulações extravagantes. O evangelista convida os cristãos a deixarem de seguir patranhas e a reflectir sobre a única coisa que deve interessar: o que fazer, concretamente, para colaborar no advento do mundo novo, do reino de Deus. Os ‘falsos profetas’ foram sempre um perigo sério para as comunidades cristãs, e Lucas recorda que também Jesus tomou o cuidado de avisar os seus discípulos acerca daquelas pessoas que garantem que o fim do mundo está próximo. Recomendou vivamente: «Não os sigais!» O fim não chegará cedo; a gestação do mundo será difícil e longa. O que acontecerá no tempo que decorre entre a vinda do Senhor e o fim do mundo?

Jesus responde a esta pergunta recorrendo a linguagem apocalíptica.”

Fernando Armellini. O Banquete da Palavra, Paulinas

3. Silêncio meditativo e diálogo

«…comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas.» 

Diante do templo, dos templos que são as nossas igrejas, muitos admiram a sua beleza exterior e prendem-se a esta beleza, sem perceber que apontam para algo mais alto, o próprio Deus.

– Que beleza contemplo na casa de Deus?

– Que admiro e contemplo quando visito uma igreja?

«Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra…» 

Jesus alerta-nos para a efemeridade deste mundo e das coisas que há nele. Tudo é passageiro. Nada do que é material permanecerá para sempre.

– Como olho o mundo à minha volta?

– Estou certo de que tudo o que é criado um dia desaparecerá?

“…deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos…”

Desde o início que os cristãos estão conscientes e alertados para a perseguição. Se trataram assim o lenho verde, o que farão do seco? Perguntou Jesus.

– Sinto a perseguição na minha vida pelo facto de ser cristão?

– Como reajo quando a minha fé é questionada?

«Assim tereis ocasião de dar testemunho.»

Muitas são as formas de dar testemunho no mundo. A nossa atitude diante dos que nos perseguem pode ser um verdadeiro testemunho.

– Como dou testemunho da minha fé?

– Em que circunstâncias ela é posta à prova?

«Eu vos darei língua e sabedoria» 

A sabedoria que nos vem de Jesus não é a do mundo, mas a que nos é dada pelo Espírito Santo, a sabedoria da Cruz, de que falava S. Paulo.

– Procuro a sabedoria de Deus na Leitura da Sua Palavra e na Oração?

– Como olho a Cruz de Jesus que é escândalo para os Judeus e loucura para os gregos, mas força de Deus para os Cristãos? 

«Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas» 

A perseverança, a fidelidade e o permanecer em união com o Mestre são várias vezes apresentados como meio para viver em comunhão com Deus.

– Que devo cuidar na minha vida para viver a perseverança?

– Onde vou buscar a força para permanecer no Senhor?

4. Gesto e oração final

– Como propósito durante a semana tirar 30 minutos voltar a ler o texto e notas que possa ter tirado durante esta lectio divina.

– Termino com a oração seguinte: ACOLHER-TE

Tu, o Cristo,
Salvador de toda a vida,
vens continuamente a nós.
Acolher-te na paz das noites, no silêncio dos dias,
na beleza da tua criação,
como nas horas de grandes combates interiores,
acolher-te, é saber
que estarás connosco em todas as situações,
sempre.

Roger Schutz de Taizé (1915-2005)

Repositório LECTIO DIVINA
https://bit.ly/2W4uDI6

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