Lectio divina para o 29º Domingo do Tempo, Ano C

A oração coleta do 29º Domingo do Tempo Comum leva-nos a pedir a Deus que nos dê a graça de consagrarmos sempre ao Seu serviço a dedicação da nossa vontade e a sinceridade do nosso coração.

«… o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?»

Lectio Divina – DOMINGO XXIX TEMPO COMUM (Ano C), 16/10/2022

Breve introdução

A oração coleta do 29º Domingo do Tempo Comum leva-nos a pedir a Deus que nos dê a graça de consagrarmos sempre ao Seu serviço a dedicação da nossa vontade e a sinceridade do nosso coração. 

Assim, a liturgia da Palavra propõe-nos uma reflexão sobre a oração e a confiança em Deus. De facto, a nossa oração deve ser sincera e, porque confiamos em Deus, deve partir de uma vontade dedicada e principalmente de acordo com a vontade d’Ele. Como Moisés, Aarão e Hur, somos chamados a interceder pelo povo. Como Josué e o exército israelita, somos chamados a combater, confiantes em Deus. Ainda que pareça atrasar-se a ação de Deus, antes do pôr do sol chegaremos, como os israelitas naquele dia, à vitória. 

O convite à oração, que será confirmado no Evangelho, é intercalado pelo apelo de Paulo a permanecermos firmes em Deus e a proclamarmos com audácia a Sua Palavra. Jesus é, de facto, audaz na proclamação da Palavra. No Evangelho, Ele diz uma parábola aos discípulos sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar. 

A pergunta retórica de Jesus tem a função de gerar uma resposta positiva, uma proclamação de fé, fundada na Palavra: «E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo?». 

Invocação

Senhor Jesus,
nós cremos em Ti e queremos continuar a crer e a crescer na fé.
Nós confiamos na Tua Palavra.
Sabemos, Senhor, que Tu estás presente e
estás presente no meio de nós!
Tu és a Palavra viva que anunciamos,
és o dia sem ocaso, és a nossa vitória.
Ajuda-nos, Senhor, a encontrarmos sempre em Ti força e coragem
para enfrentarmos as nossas lutas.
Que o nosso coração, Senhor, se dirija sempre a Ti, em oração,
com toda a confiança.
Ámen.

Escuta da Palavra de Deus

2.1. Vamos escutar uma passagem do Evangelho de Lucas (Lc 18,1-8)

A intenção de Jesus ao pronunciar esta parábola é explícita: “Sobre a necessidade de orar sempre, sem desanimar”. No entanto, dois aspetos são importantes nesta passagem de Lucas: a oração e a fé. De facto, a fé motiva a oração e a oração é sempre confiante, cheia de esperança, quando é sustentada pela fé. As duas perguntas de Jesus são fundamentais para a compreensão da mensagem do Evangelho: Deus é justo. A fé torna-nos justos e aptos para acolher o Senhor na sua vinda à terra. 

  • Leitura do Evangelho de Lucas (Lc 18,1-8)

Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar: «Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’». E o Senhor acrescentou: «Escutai o que diz o juiz iníquo!… E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?». 

(momento para ler de novo em silêncio e interiorizar a Palavra de Deus)

2.3. Breve comentário 

Dado que a viúva pobre é apresentada como alguém que clama por justiça contra o seu adversário, o Evangelho leva-nos a perguntar: «Quem é o meu adversário?». No nosso caso, não é necessário que o adversário seja uma pessoa, até porque nem mesmo na parábola ele é especificado. Não é, de facto, necessário que o nosso adversário esteja fora de nós, ou seja o demónio, ou seja, que seja alguém específico. Num sentido geral, o nosso adversário pode ser aquilo ou quem nos põe em perigo, que nos coloca em constrangimento ou em sofrimento; ou ainda, aquilo que nos tira a paz ou o que nos afasta de Deus. Por outro lado, a atitude da pobre viúva mostra a perseverança e a confiança que devemos ter na oração. 

Jesus, no entanto, com duas perguntas, termina a parábola com dois aspetos importantes: 

– Do lado de Deus, através de uma pergunta retórica, que claramente exige uma resposta positiva, fica-nos a certeza que Ele fará justiça aos seus eleitos: «Sim, Deus fará justiça».

– Do nosso lado, através da última pergunta de Jesus, cuja resposta não é claramente um «sim», devemos pensar que quando o Filho do homem voltar, para encontrar ou não fé na terra, algo depende de nós. A fé, de facto, motiva a oração. Por isso a oração não pode ser gerada por um motivo egoísta, desenquadrado da vontade de Deus nas nossas vidas, mas deve ser fundamentada na fé em Deus. 

  • Silêncio meditativo e diálogo

«… necessidade de orar sempre sem desanimar». 

Senhor, ensinaste-nos a orar. A tua relação com o Pai é modelo para a nossa relação com Ele. Somos filhos e, como filhos, somos convidados à intimidade com Deus, nosso Pai.

– Como é a minha vida de oração? Rezo só quando preciso? Rezo por hábito, ou rezo porque amo a Deus? Reconheço e louvo a Deus em todos os momentos da minha vida? 

«Em certa cidade vivia um juíz que não temia a Deus nem respeitava os homens». 

Senhor, ensina-me o verdadeiro Temor de Deus. Que eu saiba respeitar-Te, que eu saiba colocar-Te na minha vida no lugar que Te é devido.  

– Dou a Deus o lugar e o tempo que lhe são devidos? Respeito a Deus? Respeito o meu próximo? A partir desta parábola, sinto-me mais parecido com a viúva (necessitado[a], mas confiante…) ou sou mais parecido com o juiz iníquo? 

«‘Faz-me justiça contra o meu adversário’». 

Obrigado, Senhor, porque fazes sempre justiça. És justo e compassivo. Obrigado, Senhor. 

– Quem é o meu adversário? Quais são os meus problemas que me fazem clamar pela justiça divina? 

 «E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo?». 

Obrigado, Senhor, pela Tua misericórdia. Que eu sabia reconhecer a Tua justiça, o Teu amor e os Teus cuidados para comigo. Obrigado, Senhor, porque cuidas de mim. 

– Reconheço que sou eleito(a) de Deus, o seu (a sua) escolhido(a)? Tenho clamado a Deus dia e noite por alguma razão? Sinto que sou acolhido(a) nos meus pedidos? Reconheço que Deus tem o seu tempo de agir e age sempre em conformidade com o bem que Ele quer para mim?

«Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?». 

Obrigado, Senhor, pelo dom da fé. Que eu saiba fazê-la crescer. Que eu alimente a fé em mim. Sim, Senhor, quando voltares, encontrarás fé na terra. Esta é a minha resposta: «Eu creio em Ti e quero acreditar sempre».

– Tenho procurado crescer na fé? Faço do meu dia-a-dia uma constante oportunidade de crescimento na fé, seja através da oração como através de leituras espirituais e instrutivas? A Eucaristia dominical é para mim sempre momento de encontro com Deus e crescimento na fé? 

4. Propósito e oração final 

A partir desta palavra proponho-me:

– a buscar crescer na fé, através da oração e através da busca de conhecimento das razões da fé da Igreja; 

– a orar, com o coração agradecido a Deus, porque Ele é bom e justo sempre. 

Obrigado Senhor. Obrigado, meu Deus. 

Pai Nosso, que estais no Céu…

Repositório LECTIO DIVINA
https://bit.ly/2W4uDI6

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