Lectio divina para o 22º Domingo do Tempo, Ano C

As refeições são momentos importantes de convívio, aprendizagem e fortalecimento das relações familiares e sociais. Jesus também as valorizou.

É bom estar à mesa com Jesus

Breve introdução

As refeições são momentos importantes de convívio, aprendizagem e fortalecimento das relações familiares e sociais. Jesus também as valorizou. Muitas vezes, foram ocasião para transmitir os seus ensinamentos sobre a vida e o reino de Deus. No evangelho deste XXII domingo do tempo comum, numa refeição, Jesus adverte para a tentação da busca dos primeiros lugares e dos próprios interesses. Para ele, uma pessoa cresce e é honrada pelo caminho da humildade e da generosidade. Foi também como encontro e refeição que nos deixou a Eucaristia. Se nela participamos com verdadeiras disposições cristãs, cresce a comunhão e a fraternidade entre todos. 

1. Invocação

Bendito sejas, Jesus,
que aceitas participar nas nossas refeições,
se, pela oração, te convidamos a ficar entre nós.
Bendito sejas também,
porque, em cada domingo, nos convidas
para a mesa da tua palavra na assembleia cristã.
Bendito sejas, ainda,
porque nos sentas à mesa eucarística
e nos dás a comungar o teu corpo e sangue,
como alimento de comunhão com Deus
e dom gerador de fraternidade com muitos outros.
Dá-nos a graça de escutarmos, compreendermos
e vivermos o teu Evangelho.
Ámen.

2. Escuta da Palavra de Deus

No contexto de uma refeição, Lucas recolhe alguns ensinamentos de Jesus relacionados com a escolha dos primeiros lugares e a seleção dos convidados. As palavras de Jesus sugerem, por outro lado, os critérios de Deus nos convites para o banquete do seu Reino eterno.

2.1. Leitura do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas (Lc 14, 1.7-14)

Naquele tempo,
Jesus entrou, num sábado,
em casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição.
Todos O observavam.
Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares,
Jesus disse-lhes esta parábola:
«Quando fores convidado para um banquete nupcial,
não tomes o primeiro lugar.
Pode acontecer que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu;
então, aquele que vos convidou a ambos terá de te dizer: “Dá o lugar a este”;
e ficarás depois envergonhado, se tiveres de ocupar o último lugar.
Por isso, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar;
e quando vier aquele que te convidou, dirá:
“Amigo, sobe mais para cima”;
ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados.
Quem se exalta, será humilhado, e quem se humilha, será exaltado».
Jesus disse ainda a quem O tinha convidado:
«Quando ofereceres um almoço ou um jantar,
não convides os teus amigos, nem os teus irmãos,
nem os teus parentes, nem os teus vizinhos ricos,
não seja que eles por sua vez te convidem e assim serás retribuído.
Mas, quando ofereceres um banquete,
convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos;
e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te:
ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos».

Palavra da salvação.

2.2. Breve comentário

Jesus valoriza as refeições e aceita convites para se sentar à mesa com variado tipo de pessoas. Aqui é com fariseus, pessoas religiosas que prezavam muito o estudo e cumprimento dos mandamentos de Deus. Como mestre e bom observador, aproveita a ocasião para ensinar a viver e comportar-se segundo o estilo e a palavra de Deus, para oferecer a entrada no seu Reino. Estas duas parábolas mantêm uma relação muito estreita com a nossa experiência quotidiana: do ser convidado e convidar para uma refeição. Nelas se manifesta, por um lado, a mente de quem convida e, por outro, os princípios éticos requeridos a quem aceita o convite (cf Lectio divina para cada dia del año, vol. 15, p. 211)

Há convidados que se julgam com direito a escolher o seu lugar, segundo a consideração que julgam merecer, talvez pelas obrigações de quem os convidou para com eles. Jesus adverte para o risco do autoengano e recomenda o caminho da humildade e da generosidade. Foi o que Deus abriu do Céu à Terra quando desceu até nós. Por ele viveu Jesus entre nós e caminharam os santos e os mártires. Não há outro para se chegar à verdadeira grandeza e honra, segundo Deus. Na verdade, “a vida verdadeira não se ganha por se alcançar uma honra; nem um homem é grande quando busca simplesmente a sua grandeza. A vida ganha-se no serviço aos outros; a grandeza verdadeira é sempre efeito (ou expressão) do dom que se oferece aos outros e se recebe deles” (Comentarios a la Biblia litúrgica, II, 1360). Por este caminho de amor, de doação de si próprio, de acolhimento e valorização dos outros, como viveu Jesus, é que se entra no reino de Deus. 

O texto evangélico termina com uma alusão à plenitude da ressurreição. Como Cristo se deu totalmente e recuperou na ressurreição o que perdeu na morte, de forma semelhante, os crentes recuperam em plenitude aquilo que souberam dar aos outros e a Deus.

“Felizes os convidados para a ceia do Senhor”. É assim que Jesus, através da Igreja, nos convida para a Eucaristia, onde ele se dá em alimento aos seus discípulos. Do mesmo modo, nos ensina a sermos humildes e generosos em relação ao nosso próximo. Ele nos retribuirá pelo bem e doação com que honrarmos os mais pobres e necessitados.

3. Silêncio meditativo e diálogo

«Jesus entrou, num sábado, em casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição.»

Estar à mesa era para Jesus ocasião para o encontro com as pessoas e ensinar-lhes a viver segundo a palavra de Deus. Hoje, ele também quer estar nas nossas refeições, se o convidarmos através da oração em que invocamos a sua bênção sobre nós e os alimentos.

– Convido Jesus para as nossas refeições, rezando e bendizendo pelo encontro em família e pelo dom do “pão de cada dia” que Deus nos oferece, como fruto da terra e do trabalho humano?

Jesus disse-lhes esta parábola:

«Quando fores convidado para um banquete nupcial, não tomes o primeiro lugar.» 

Vivemos num tempo em que se proclama a igualdade entre as pessoas, mas surge facilmente o desejo de beneficiar de uma atenção especial ou o julgar-se mais que os outros. Jesus, porém, convida a começar por baixo, a apresentar-se com humildade, sem se pretender superior aos demais.

– Como me apresento diante dos outros e como os considero a eles? Aceito as palavras de Jesus como indicação importante para mim?

«Quem se exalta, será humilhado, e quem se humilha, será exaltado».

Segundo Jesus, quem busca somente as suas vantagens e protagonismo perde-se como homem, não alcança a verdadeira grandeza aos olhos de Deus e não vive segundo o seu exemplo e medida de valor.

– Reconheço o valor dos outros e sei partilhar os meus bens e talentos com humildade e gratuidade? 

«Quando ofereceres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem os teus vizinhos ricos, não seja que eles por sua vez te convidem e assim serás retribuído.»

Jesus não pretende desvalorizar as refeições em família ou com amigos. Quer sobretudo dilatar o nosso coração à medida do seu e suscitar em nós o amor e a generosidade para com os mais pobres e desfavorecidos, aqueles precisamente que são os preferidos de Deus para o seu Reino.

– Quem convido para a minha mesa e com quem partilho bens e capacidades? Compadeço-me de quem sofre necessidades e injustiças, de quem está só ou é rejeitado, e faço alguma coisa por eles?

«Serás feliz por eles não terem com que retribuir-te: 

ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos». 

Surpreende esta bem-aventurança final. Jesus propõe aqui, de uma maneira implícita, o próprio exemplo de Deus que distribui os seus bens por todos, generosamente. Assim deve fazer o discípulo de Jesus, esperando somente de Deus a recompensa.

– Reconheço que, na Eucaristia, Deus a todos convida para o seu banquete e oferece-lhes o “pão da vida”? A participação na Missa e na comunhão torna-me mais generoso e bondoso para com os mais pobres e abandonados?

4. Gesto e oração final

– Como propósito, durante a semana tirar 30 minutos para voltar a ler o texto e as notas que possa ter tirado durante esta lectio divina.

– Termino com uma prece espontânea inspirada pela palavra escutada e meditada ou com a oração que inspira a viver na confiança filial e na fraternidade: Pai nosso… 

Repositório LECTIO DIVINA
https://bit.ly/2W4uDI6

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