Lectio divina para o 15º Domingo do Tempo Comum

Neste Domingo XV do tempo comum, somos convidados a meditar a missão e a forma de realizar a que Cristo dá aos Apóstolos. Com isso, meditamos na missão que Cristo nos dá a nós, a cada um em particular, mas para a construção do seu Reino.

Escolhidos para a santidade

Lectio Divina para o Domingo XV do Tempo Comum (Ano B)

Breve introdução

Neste Domingo XV do tempo comum, somos convidados a meditar a missão e a forma de realizar a que Cristo dá aos Apóstolos. Com isso, meditamos na missão que Cristo nos dá a nós, a cada um em particular, mas para a construção do seu Reino.  

O agir de Deus no mundo, acontece e manifesta-se também por meio dos homens e mulheres de cada tempo. Na liturgia da palavra deste domingo isto fica bem patente com o exemplo do profeta Amós (1ª leitura) e dos Apóstolos (Evangelho) e reforçado pelo dizer de Paulo aos efésios: que Deus nos escolheu em Cristo para sermos santos.  

Escutemos a Palavra de Deus, buscando nela ressonância da missão a que cada um é chamado.

1. Invocação

Ó Deus, fonte de toda a santidade, 
torna-nos capazes de sermos portadores
da tua santidade, manifestação da tua bondade
e rosto da tua caridade.
Faz-nos desejar a santidade.
Ámen.

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1.Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos (Mc 6, 7-13)

Naquele tempo, Jesus chamou os doze Apóstolos
e começou a enviá-los dois a dois.
Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros
e ordenou-lhes que nada levassem para o caminho,
a não ser o bastão:
nem pão, nem alforge, nem dinheiro;
que fossem calçados com sandálias,
e não levassem duas túnicas.
Disse-lhes também:
«Quando entrardes em alguma casa,
ficai nela até partirdes dali.
E se não fordes recebidos em alguma localidade,
se os habitantes não vos ouvirem,
ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés
como testemunho contra eles.
Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento,
Expulsaram muitos demónios,
Ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos.

Palavra da salvação.

2.2. Breve comentário

Este excerto do Evangelho segundo São Marcos abre-nos as portas com a iniciativa de Deus. É Cristo que primeiro chama. Este chamamento é voz da vocação. Estamos perante a iniciativa de Deus que nos escolhe em Cristo para sermos santos (2ª leitura). 

O envio dos Apóstolos dois a dois, e que já de si diz da santidade que se constrói comunitariamente, leva-os a partir em humildade; “nem pão, nem alforge, nem dinheiro”. É na humildade que acontece uma maior configuração com Cristo. “Nem pão, nem alforge, nem dinheiro” diz da confiança em Cristo. 

A fé em Cristo tem de levar necessariamente a um despojamento para uma maior configuração com Cristo e, por isso, só o bastão, as sandálias e uma túnica, não duas, mas uma só túnica. Sem divisões como a Túnica única e inteira de Cristo. O cristão afirma-se tanto mais como cristão, quanto mais unificado com Cristo estiver. Os que se fazem ao caminho como apóstolos, na dureza e humildade do mesmo, identificam-se com o Único que é Túnica única e inteira. 

O modo como o anúncio é feito por meio dos Apóstolos manifesta a proximidade e intimidade com que Cristo quer chegar a cada um. Na intimidade da casa que os recebe e na sua permanência aí é o próprio Cristo que entra e permanece. A santidade entra, faz-se companheira e permanece. Na recomendação que Jesus faz aos Apóstolos “quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali”, podemos ver a importância da hospitalidade de quem acolhe os que são enviados por Jesus. Olhamos para a hospitalidade como parte importante na construção da identidade cristã.

Onde a santidade não for recebida de portas abertas, “sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles”. Sacudir o pó dos pés é um gesto que manifesta não tanto o desprezo a ter perante a recusa, mas um grito que clama o encontro com Cristo, que apela à conversão. A poeira é símbolo de desencontro. Di-lo de forma poética Sophia de Mello Breyner Andresen: “Aqui despi meu vestido de exílio. E sacudi de meus passos a poeira do desencontro”. Cada um é convidado a percorrer o Caminho verdadeiro, Aquele que é sem poeira e a trazer outros para esse Caminho. A santidade é uma vida sem poeira que deixa ver Cristo e deixa Cristo encontrar-se e fazer-se próximo.   

O Evangelho termina com o envio e a partida dos Apóstolos que é atualizado hoje ainda, em cada final da Eucaristia no envio que Cristo faz a cada um de nós, por meio da boca do padre. Nesse momento a missa torna-se missão e envio. Cristo depois de nos ter chamado e convidado para o banquete, fortalecidos com o alimento do Seu corpo, somos também nós convidados a ir na companhia e na paz do Senhor. Somos escolhidos para a santidade que acontece no meio do mundo.

3. Silêncio meditativo e diálogo

Jesus chamou os doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois. 

Jesus chama-nos a todos à santidade. Reconheço que Jesus também me chama a mim e que me quer enviar? Onde me envia hoje Jesus? 

E ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro…

O que ainda transporto comigo e que Jesus me convida a deixar? Os bens materiais ainda dominam a minha vida e determinam as minhas escolhas?

Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali.

Rezo as visitas que tenho feito por amor verdadeiro ao próximo ou as que devo fazer e não tenho feito. Sou generoso no tempo que dispenso para com os outros? 

4. Gesto e oração final

– Como propósito durante a semana tirar 30 minutos para estar em silêncio num lugar calmo diante de um crucifixo, diante de um caminho e rezo os caminhos que o Senhor tem para eu percorrer.

– Termino com a oração seguinte:

“Senhor Jesus,
Dá-nos sempre a força necessária dos recomeços e das partidas
para que sejamos capazes de dizer sim ao teu convite.
Permite-nos tirar sempre a poeira dos desencontros
para que te vejam sempre a Ti e ao teu amor
que a todos quer cuidar e curar”

– Pai Nosso.

Repositório LECTIO DIVINA
https://bit.ly/2W4uDI6

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