Lectio divina para o 15º Domingo do Tempo Comum, Ano A

Precisamos de boas palavras. Daquelas que nos fazem viver, que revelam o amor de quem as diz, curam, dão ânimo, força, sabedoria, confiança e alegria.
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A Palavra que nos faz viver

Breve introdução

Precisamos de boas palavras. Daquelas que nos fazem viver, que revelam o amor de quem as diz, curam, dão ânimo, força, sabedoria, confiança e alegria. Se são importantes as que dizemos uns aos outros, quanto mais o não serão as que vêm de Deus! Elas iluminam e geram a fé em quem as acolhe e formam verdadeiros discípulos de Jesus. Dão sempre fruto.

Como outrora, Jesus continua a semear com abundância e generosidade as suas palavras. Lança-as em todo o tipo de terreno, com a esperança de que a maior parte caia em boa terra e produza frutos. Na celebração da Eucaristia dominical ou na leitura pessoal, somos campo que acolhe essas palavras. Que frutos produzem em mim e nos outros? Geram em nós convicções, espiritualidade e laços de comunhão e fraternidade?

Neste domingo, Jesus, o semeador, lança sobre nós a semente da sua Palavra. Abramos o coração e deixemo-la entrar, para que nos revele o amor de Deus e nos ilumine para vivermos como discípulos missionários e sermos no mundo fermento da vida nova que nos vem do Evangelho.

1. Invocação

Jesus, Palavra do Pai,
eu te agradeço pelo dom das tuas palavras!
Elas nos revelam o amor de Deus
e ensinam a viver em comunhão com Ele.
Pela força do Espírito Santo,
as tuas palavras entram nos nossos corações
e neles geram a vida cristã.
Faz-nos escutá-las com docilidade,
dá-nos inspiração para as compreendermos
e ousadia para as vivermos com diligência,
para que produzam abundantes frutos em nós,
nas famílias e comunidades e no mundo.
Ámen.

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1. Vamos escutar uma passagem do Evangelho segundo São Mateus

Jesus usa a parábola do semeador para revelar a força do reino de Deus e pôr os seus ouvintes a pensar como escutam, acolhem e deixam frutificar neles a Palavra que lhes oferece. O texto da liturgia inclui a parábola do semeador e a sua explicação, mas aqui focamo-nos apenas na parábola, permitindo que nos toque o coração e nos provoque com a sua força comunicativa. Hoje, somos nós os terrenos onde é lançada a Palavra de Deus.

2. 2. Leitura do evangelho segundo S. Mateus (Mt 13,1-9)

Naquele dia,
Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar.
Reuniu-se à sua volta tão grande multidão
que teve de subir para um barco e sentar-Se,
enquanto a multidão ficava na margem.
Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos:
“Saiu o semeador a semear.
Quando semeava,
caíram algumas sementes ao longo do caminho:
vieram as aves e comeram-nas.
Outras caíram em sítios pedregosos,
onde não havia muita terra,
e logo nasceram porque a terra era pouco profunda;
mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram,
por não terem raiz.
Outras caíram entre espinhos
e os espinhos cresceram e afogaram-nas.
Outras caíram em boa terra e deram fruto:
umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um.
Quem tem ouvidos, oiça”.

Palavra da salvação

 (momento de silêncio para interiorizar a Palavra)

2.3. Breve comentário

A parábola é uma narração com imagens e comparações para interpelar e comunicar uma mensagem ou ensinamento. Tem grande poder comunicativo e de envolvimento dos ouvintes, evocando e provocando sentimentos, pensamentos e reações imediatas. Não deixa indiferente quem a ouve.

“Jesus, quando falava, usava uma linguagem simples e servia-se também de imagens, que eram exemplos tirados da vida diária, a fim de poder ser compreendido facilmente por todos. Por isso, gostavam de o ouvir e apreciavam a sua mensagem, que ia diretamente ao coração; e não era aquela linguagem difícil de compreender que usavam os doutores da Lei da época, que não se entendia bem, era rígida e afastava o povo. Com esta linguagem, Jesus fazia compreender o mistério do Reino de Deus; não era uma teologia complicada. E o Evangelho de hoje dá-nos um exemplo: a parábola do semeador (cf. Mt 13, 1-23). 

O semeador é Jesus. Observamos que, com esta imagem, Ele se apresenta como alguém que não se impõe, mas se propõe; não nos atrai conquistando-nos, mas doando-se: lança a semente. Ele espalha com paciência e generosidade a sua Palavra, que não é uma gaiola nem uma armadilha, mas uma semente que pode dar fruto. E como pode dar fruto? Se a acolhermos. (Papa Francisco, Angelus, 16.6.2017)

Hoje, somos nós que estamos diante desta Palavra de Jesus. Ele “faz, por assim dizer, uma «radiografia espiritual» do nosso coração, que é o terreno sobre o qual a semente da Palavra cai. O nosso coração, como um terreno, pode ser bom e então a Palavra dá fruto — e muito — mas pode também ser duro, impermeável. Isto acontece quando ouvimos a Palavra, mas ela escorrega, precisamente como numa estrada: não entra.” (Papa Francisco, Angelus, 16.6.2017)

Através do silêncio e da meditação, deixemos que esta Palavra entre em nós e produza o fruto de uma fé viva e operativa.

3. Silêncio meditativo e diálogo

«Reuniu-se à sua volta tão grande multidão… Disse muitas coisas em parábolas»

As pessoas gostavam de ouvir Jesus e ele correspondia, ensinando-lhes “muitas coisas”. Jesus deixou à Igreja a sua mensagem, fazendo dela e de cada cristão portador das suas palavras.  A primeira parte da celebração da Eucaristia oferece-as a quantos frequentam as igrejas. Através delas, tornamo-nos ao mesmo tempo ouvintes e mensageiros da Palavra com que Deus revela o seu amor, comunica a sua vida e ensina a viver sob a sua inspiração.

Escuto com atenção e gosto as Palavras de Deus na missa? Leio com frequência, entendo e encontro proveito na Palavra de Deus? Partilho com outros os dons que recebo e as experiências vividas?

«Saiu o semeador a semear»

A semente é a Palavra de Deus e Ele “espalha-a por toda a parte com generosidade, sem se preocupar com o desperdício. Assim é o coração de Deus! Cada um de nós é um solo onde cai a semente da Palavra, sem excluir ninguém. A Palavra é dada a cada um de nós.” (Papa Francisco, 12/7/2020). E nós somos enviados para a partilhar com os nossos semelhantes, para que também recebam o amor, a vida e a força de Deus.

Olhemos para o íntimo do coração e examinemos se está aberto, limpo e disponível para receber e fazer frutificar a Palavra de Deus. Na convivência e relação com os outros, partilhamos a sabedoria que nos vem dessa Palavra e as experiências que ela nos proporciona, quando a pomos em prática?

«Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas.» 

A Palavra de Deus, simbolizada nas sementes, cai em quatro tipos diferentes de solo: o caminho, onde a Palavra não entra; o solo pedregoso, onde a semente brota depressa, mas logo seca, porque não ganha raízes profundas; a terra de arbustos espinhosos, onde a semente desbrocha, mas cresce pouco, é sufocada e morre, sem dar fruto; há, por fim, o bom terreno, onde a semente ganha raízes, cresce e dá fruto. Conforme as atitudes com que a Palavra é acolhida, assim dá ou não fruto. “Se quisermos, com a graça de Deus, podemos tornar-nos terreno fértil, lavrado e cultivado com cuidado, para que a semente da Palavra amadureça. Já está presente nos nossos corações, mas fazê-la frutificar depende de nós, depende do acolhimento que reservarmos a esta semente.” (Papa Francisco, 12/7/2020)

A que tipo de terreno se assemelha o meu coração? Cuido dele e da atenção na escuta da Palavra de Deus, para saber distinguir entre tantas vozes e palavras aquela que realmente me faz viver e me torna livre?

«Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um.»

Somente se for acolhida no bom terreno do coração, a Palavra de Deus ganha raízes e dá frutos. Isso acontece em quem a escuta, a acolhe no coração e a põe em prática na vida quotidiana. Esta Palavra gera em nós a fé em Deus, fortalece a nossa confiança, ilumina os nossos caminhos, diz-nos como viver e perseverar como cristãos, tornando-nos santos, e encoraja-nos na prática do bem, entre outros frutos possíveis. Viveremos assim na alegria que brota do Evangelho, conforme testemunha a vida de muitos santos.

A Palavra de Deus que leio e escuto está a produzir frutos em mim? Reconheço nos cristãos que me rodeiam, nomeadamente nos que se podem considerar “santos de ao pé da porta”, exemplos de bons terrenos onde brotam com abundância os frutos da Palavra de Deus? Que me inspira o Senhor para me tornar “boa terra”?

4. Gesto e oração finais

–  Pessoalmente ou em família, se possível diariamente, dedicar alguns momentos para ler, meditar e rezar a Palavra de Deus, a fim de encontrar nela inspiração e sabedoria para a vida.

–  Para terminar, fazer a oração do salmo 64 (65), com e respetivo refrão, repetindo-o após cada estrofe.

Refrão: A semente caiu em boa terra e deu muito fruto.

Visitastes a terra e a regastes,
enchendo-a de fertilidade.
As fontes do céu transbordam em água
e fazeis brotar o trigo.

Assim preparais a terra;
regais os seus sulcos e aplanais as leivas,
Vós a inundais de chuva
e abençoais as sementes.

Coroastes o ano com os vossos benefícios,
por onde passastes brotou a abundância.
Vicejam as pastagens do deserto
e os outeiros vestem-se de festa.

Os prados cobrem-se de rebanhos
e os vales enchem-se de trigo.
Tudo canta e grita de alegria.

UMA PALAVRA FINAL

Ao longo de quase três anos, partilhámos esta proposta de leitura orante da Palavra de Deus, como meio de preparação para a Eucaristia de cada domingo. Terminamos agora este serviço, mas a semente fica, pois pode ser de novo escutada a partir do site da Diocese de Leiria-Fátima, onde permanece disponível. 

Um obrigado a quantos colaboraram e aproveitaram deste projeto espiritual e pastoral. 

P. Jorge Guarda

Repositório LECTIO DIVINA
https://bit.ly/2W4uDI6
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