Lectio divina para o 15º Domingo do Tempo, Ano C

A parábola do bom samaritano serve a Jesus para explicar ao doutor da lei quem é o próximo e como o amor a Deus e ao próximo são, no fundo, o mesmo e único amor: “o amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo”.

Compadecer-se e cuidar das vítimas

Breve Introdução

A parábola do bom samaritano serve a Jesus para explicar ao doutor da lei quem é o próximo e como o amor a Deus e ao próximo são, no fundo, o mesmo e único amor: “o amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo”. Segundo a explicação dos antigos Padres da Igreja, o homem caído nas mãos dos salteadores é toda a humanidade, e o bom samaritano é a imagem de Jesus, Ele que nos encontrou feridos pelo pecado à beira do caminho aonde desceu, usou de compaixão para connosco, e nos introduziu na estalagem da sua Igreja e assim nos salvou. A participação na Eucaristia dominical une-nos mais a Jesus e torna-nos mais capazes de nos compadecermos e aproximarmos de quem encontramos ferido no dia a dia da nossa vida.

1. Invocação do Espírito santo

Vinde, Espírito Santo,
enche-nos do desejo de encontro com o Pai Misericordioso,
e leva-nos a compreender a missão
de amar sem condições, sem perguntar e sem julgar,
para que sejamos 
verdadeiras imagens e testemunhas do teu Amor.
Ámen.

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1. Vamos ouvir um excerto do Evangelho segundo S. Lucas (10,25-37)

Naquele tempo, levantou-se um doutor da lei e perguntou a Jesus para O experimentar: «Mestre, que hei de fazer para receber como herança a vida eterna?». Jesus disse-lhe: «Que está escrito na Lei? Como lês tu?». Ele respondeu: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo». Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem. Faz isso e viverás». Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: «E quem é o meu próximo?». Jesus, tomando a palavra, disse: «Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores. Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio-morto. Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou também adiante. Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse: ‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’. Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?». O doutor da lei respondeu: «O que teve compaixão dele». Disse-lhe Jesus: Então vai e faz o mesmo».

Palavra da salvação.

2.2. Breve comentário

Um perito da lei pergunta como pode herdar a vida eterna. Jesus remete-o para as sentenças da lei que dizem: «Amarás o Senhor teu Deus… e ao próximo como a ti mesmo». Iluminado por toda
a experiência da história do seu povo, o doutor sabe amar a Deus. Desconhece, porém, o conteúdo do amor ao próximo e, por isso, faz novamente a sua pergunta. A resposta de Jesus, formulada à
maneira de parábola, supera tudo quanto o homem podia conhecer sobre a vida. 

Os pormenores da parábola são perfeitamente conhecidos. A maneira de amar o próximo consiste em ajudar o marginalizado e o que sofre qualquer tipo de doença. É certo que o texto alude a um
homem que os bandidos assaltaram no caminho. Não importam as razões desse assalto, o homem é simplesmente um símbolo de todas as pessoas que padecem, justa ou injustamente, com razão ou sem ela. 

Jesus está a dizer que o bom próximo não quer saber de razões nem faz perguntas. Dá conta, simplesmente, de que existe uma miséria e oferece a sua assistência. O carácter, funções ou responsabilidade daquele que se encontra ferido, são problemas totalmente marginais. A
lei que tudo rege é a descoberta da necessidade alheia e a prontidão em oferecer ajuda. 

Analisemos alguns aspetos: 

1) O sacerdote e o levita, representantes oficiais do «amor de Deus» na estrutura religiosa israelita, passam ao largo do ferido. Sobem para Jerusalém, para o Templo, onde trabalhavam. A sua atitude mostra, por si só, que o amor de Deus que representam é mentira e que toda a sua vida religiosa é um engano. 

2) A realidade do nosso amor ao próximo joga-se no campo das relações simplesmente inter-humanas. É aí que tem de penetrar o mandamento de Deus para transformar a nossa existência, É aí que é preciso manifestar o amor de Deus.

3) Dentro do contexto do Evangelho, a parábola tem um matiz profundamente cristológico. O samaritano é Jesus (não podemos esquecer isto). No seu amor, manifesta-se (e realiza-se) o grande amor que Deus tem aos homens. Dessa maneira, o amor ao próximo que aqui se manda, é interpretado como uma continuação do amor que Deus nos ofereceu. Mas o homem assaltado e ferido na beira do caminho é também Cristo, sofredor na pessoa dos que sofrem.

4) Tudo isto nos situa, finalmente, dentro da exigência da missão. A mensagem da Igreja oferece aos homens o mistério do amor de Deus e convida-os a comportarem-se de maneira coerente. Sempre que os homens amam como o bom samaritano, supera-se Satanás e introduz-se Cristo no nosso mundo. 

3. Silêncio meditativo e diálogo

«Mestre, que hei de fazer para receber como herança a vida eterna?»

Esta é uma “falsa questão” para o batizado. Importa tomar consciência de que a vida eterna está já em ato na nossa vida. Mais que pensar na vida eterna (futura), é preciso pensar que ela é a sequência da nossa relação de intimidade com Deus.

Vivo o meu ser cristão para “ir para o céu”, ou vivo-o em atitude de resposta de amor ao amor com que sou amado(a) por Deus? Tenho consciência de que o batismo me torna participante da vida em Deus, da eternidade?

«Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo.»

Amar a Deus não é uma junção de momentos de amor ao próximo ou de oração, mas um modo de ser, de estar e de viver a vida.

Tomo consciência de que me exige totalmente, coração, alma, forças, entendimento? Estou dividido(a) entre o meu amor a Deus e ao próximo ou amo Deus e, por Ele, amo o próximo? Qual o Amor da minha vida?

«Faz isso e viverás.»

A vida (eterna) acontece como fruto do fazer, não do dizer.

A minha oração leva-me à ação, ou julgo que, ao rezar, tudo está realizado? Vivo na certeza de que só pela oração (comunhão com Deus) poderei aturar (amar o próximo) em verdade?

«Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?». O doutor da lei respondeu: «O que teve compaixão dele». Disse-lhe Jesus: Então vai e faz o mesmo

Uma reviravolta: Jesus não pergunta quem é o teu (meu) próximo, mas quem é o próximo do homem sofredor. A resposta é: aquele que se aproximou. Chamados a ser o próximo de Jesus, presente naquele que sofre.

Pergunto-me quem é o meu próximo, ou antes de quem me devo fazer próximo? No primeiro caso, centro-me em mim; no segundo, viro-me para o outro? A união com Cristo na Eucaristia dominical enche o meu coração de amor e ilumina o meu olhar para os outros?

  • Propósito e oração final

– Ao longo da semana, vou procurar tomar consciência de que aquele que digo que é o meu próximo (o que precisa), pode não “ser capaz de se aproximar”, e de que eu me torno o próximo de quem precisa, aproximando-me dele.

Cada participante pode, querendo, apresentar uma breve intenção de oração.

Pai Nosso

Oração

Senhor nosso Deus,
que mostrais aos errantes a luz da vossa verdade
para poderem voltar ao bom caminho,
concedei a quantos se declaram cristãos
que, rejeitando tudo o que é indigno deste nome,
sigam fielmente as exigências da sua fé.
Por Cristo Senhor Nosso.

Repositório LECTIO DIVINA
https://bit.ly/2W4uDI6

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