Lectio divina para o 14º Domingo do Tempo, Ano C

O Evangelho deste Domingo fala-nos da grandeza de um Deus que nos chama a ser discípulos. Ousemos entrar em diálogo com a Palavra.

A alegria de ser discípulo

Breve introdução

Se de improviso alguém surgisse diante de mim e me perguntasse o que é um cristão, o que responderia? A pergunta parece simples, mas a resposta pode tardar em ser dada, porque muitas vezes as perguntas mais simples são aquelas relativamente às quais nunca ousámos dar resposta. Mas o que é um Cristão senão um discípulo de Jesus, alguém que encontrou Jesus e sentiu o apelo a segui-lo? O Evangelho deste Domingo fala-nos da grandeza de um Deus que nos chama a ser discípulos. Ousemos entrar em diálogo com a Palavra, sintamos nela o apelo do Senhor que nos chama e nos convida a colocarmo-nos com disponibilidade ao serviço do Evangelho para que a Boa Nova do Reino nunca deixe de ser anunciada. 

1. Invocação

Senhor, que nos chamas a ser teus discípulos,
alegres anunciadores do Evangelho,
faz de nós tuas fiéis testemunhas, de modo que a nossa vida
Manifeste a todos a Boa Nova do teu amor.
Ámen.

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1. Vamos ouvir um excerto do Evangelho segundo S. Lucas

O chamamento e envio dos primeiros discípulos por parte de Jesus para a missão de anunciar a Boa Nova do Reino é um tema recorrente nos Evangelhos. Podemos mesmo dizer que constitui um dos seus eixos. Porque o Evangelho não nos quer simplesmente transmitir conteúdos doutrinais e morais, mas dar-nos também a alegre notícia de que somos chamados a continuar neste mundo a obra de Jesus, sob a certeza confiante da sua presença por meio do Espírito Santo.

O excerto do Evangelho de Lucas que vamos escutar fala-nos desse chamamento e desse envio, dando-nos uma série de indicações que nos ajudam a compreender a missão da Igreja neste mundo e a corresponsabilidade de todos os batizados em relação a essa missão. Abramos por isso o nosso coração a esta Palavra que hoje nos é dirigida. 

2.2. Leitura do Evangelho segundo S. Lucas (Lc 10, 1-12.17-20)

Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’. Mas quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: ‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’. Eu vos digo: Haverá mais tolerância, naquele dia, para Sodoma do que para essa cidade». Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome». Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus».

2.3. Breve comentário

O texto que escutámos narra o chamamento e o envio dos primeiros discípulos pelo olhar de Lucas. Nele encontramos uma particularidade relativamente aos restantes Evangelhos: Jesus não chama os doze, aquele grupo identificado diretamente com os Apóstolos, lido comummente como a origem do ministério ordenado na Igreja. Lucas fala dos setenta e dois discípulos, um número bem mais largo, para nos indicar que a missão não é reservada apenas a um pequeno grupo de escolhidos, mas a todos aqueles que aceitarem o convite a segui-lo, apresentando-se por isso como um excerto capaz de nos provocar pessoalmente para nos descobrirmos diretamente implicados na vida e na missão da Igreja. 

É interessante que este texto deixa bem claro que os discípulos são enviados às aldeias e localidades onde Jesus “devia de ir”, porque a tarefa dos discípulos não é pregar a sua própria mensagem, mas preparar os corações para acolher a presença de Jesus que quer vir à vida de cada um. A missão é descrita sem rodeios, e as dificuldades que dela vêm não são escondidas. Já o modo como os discípulos são convidados a partir para a missão é desconcertante: pobres e simples, sem bolsa, nem alforge, nem sandálias, para que se saibam portadores de um único tesouro, o anúncio da vida que Jesus a todos quer dar, e se recordem que a força do Evangelho não reside nos meios materiais, mas na força libertadora da Palavra. A urgência da missão é clara, e não deve ficar pelas saudações iniciais, mas deve ir ao coração do Evangelho. No fim, vem a recompensa: o dom da alegria, que não vem do orgulho de nos sentirmos escolhidos, mas da certeza de nos sabermos acolhidos no Reino dos Céus, na vida plena e verdadeira, meta de todos os homens. 

3. Silêncio meditativo e diálogo

Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir.

Jesus envia os seus discípulos, todos os seus discípulos, fazendo deles participantes da sua missão. Mas não os envia sozinhos, mas dois a dois. O anúncio do Evangelho é uma tarefa comunitária, que não é feita por iniciativa pessoal e própria, mas em comunhão com os irmãos.

Como vivo o chamamento de Jesus a ser seu discípulo? Como algo que sou chamado a responder individualmente, ou como um chamamento que é feito na comunidade e para ser vivido em comunidade? No final da Eucaristia, quando escuto o ‘Ide em Paz e o Senhor vos acompanhe’ tomo consciência que fomos enviados em comunidade para a missão de anunciar o Evangelho no meio do mundo?

Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’.

O conteúdo da missão do discípulo é muito claro: cuidar dos frágeis e desprotegidos e anunciar a todos o Deus que se fez próximo. Estamos diante de uma dupla missão: o serviço e o anúncio. 

Como vivo esta dupla dimensão da missão? A minha vida anuncia a Boa Nova do Evangelho? E fá-lo apenas com Palavras ou incarnando esse anúncio no serviço aos mais frágeis? Vivo a Eucaristia como um momento no qual sou nutrido da Palavra de Deus e do Corpo do Senhor para que o possa anunciar com palavras e com obras?

Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus.

A recompensa que recebemos enquanto colaboradores de Deus, fiéis discípulos do Seu Filho não consistem em bens materiais ou em elogios mundanos, mas na certeza de nos sabermos destinatários do seu Reino, que um dia se cumprirá no Céu, na plena comunhão com Deus e com os irmãos. 

Quando me coloco ao serviço do Evangelho, seja na minha vida pessoal, seja na vida da comunidade, espero algo em troca? A minha entrega depende da visibilidade que terá a minha obra, ou da certeza de que o serviço é o único modo de ser verdadeiramente discípulo do Senhor?

4. Oração final e gesto

– Em silêncio, perguntando: «Senhor, que queres dizer-me com esta palavra?», procuramos o que Deus nos inspira, as mudanças a que nos convida, o que nos sugere.

– Pergunto-me: vivo como discípulo do Senhor, sabendo-me corresponsável no anúncio do Evangelho e na vida da Igreja? Numa Igreja onde todos participam da missão de anunciar o Evangelho, qual é o meu lugar?  

– Terminam, rezando o Credo 

PODCAST

Introdução

O chamamento e envio dos primeiros discípulos por parte de Jesus para a missão de anunciar a Boa Nova do Reino é um tema recorrente nos Evangelhos. Podemos mesmo dizer que constitui um dos seus eixos. Porque o Evangelho não nos quer simplesmente transmitir conteúdos doutrinais e morais, mas dar-nos também a alegre notícia de que somos chamados a continuar neste mundo a obra de Jesus, sob a certeza confiante da sua presença por meio do Espírito Santo.

O excerto do Evangelho de Lucas que vamos escutar fala-nos desse chamamento e desse envio, dando-nos uma série de indicações que nos ajudam a compreender a missão da Igreja neste mundo e a corresponsabilidade de todos os batizados em relação a essa missão. Abramos por isso o nosso coração a esta Palavra que hoje nos é dirigida. 

Palavra de Deus

Vais agora escutar uma passagem do Evangelho segundo S. Lucas

Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’. Mas quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: ‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’. Eu vos digo: Haverá mais tolerância, naquele dia, para Sodoma do que para essa cidade». Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome». Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus».

Meditação

Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir.

Jesus envia os seus discípulos, todos os seus discípulos, fazendo deles participantes da sua missão. Não os envia sozinhos, mas dois a dois. O anúncio do Evangelho é uma tarefa comunitária, que não é feita por iniciativa pessoal e própria, mas em comunhão com os irmãos.

Como vivo o chamamento de Jesus a ser seu discípulo? Como algo que sou chamado a responder individualmente, ou como um chamamento que é feito na comunidade e para ser vivido em comunidade? No final da Eucaristia, quando escuto o ‘Ide em Paz e o Senhor vos acompanhe’ tomo consciência que fomos enviados em comunidade para a missão de anunciar o Evangelho no meio do mundo?

Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’.

O conteúdo da missão do discípulo é muito claro: cuidar dos frágeis e desprotegidos e anunciar a todos o Deus que se fez próximo. Estamos diante de uma dupla missão: o serviço e o anúncio. 

Como vivo esta dupla dimensão da missão? A minha vida anuncia a Boa Nova do Evangelho? E fá-lo apenas com Palavras ou incarnando esse anúncio no serviço aos mais frágeis? Vivo a Eucaristia como um momento no qual sou nutrido da Palavra de Deus e do Corpo do Senhor para que o possa anunciar com palavras e com obras?

Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus.

A recompensa que recebemos enquanto colaboradores de Deus, fiéis discípulos do Seu Filho não consistem em bens materiais ou em elogios mundanos, mas na certeza de nos sabermos destinatários do seu Reino, que um dia se cumprirá no Céu, na plena comunhão com Deus e com os irmãos. 

Quando me coloco ao serviço do Evangelho, seja na minha vida pessoal, seja na vida da comunidade, espero algo em troca? A minha entrega depende da visibilidade que terá a minha obra, ou da certeza de que o serviço é o único modo de ser verdadeiramente discípulo do Senhor?

Oração

Senhor, que nos chamas a ser teus discípulos,
alegres anunciadores do Evangelho,
faz de nós tuas fiéis testemunhas, de modo que a nossa vida
Manifeste a todos a Boa Nova do teu amor.
Ámen.

Repositório LECTIO DIVINA
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