Lectio divina para o 13º Domingo do Tempo Comum

«Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?» A questão com que terminava o Evangelho do passado domingo continua a ecoar no texto que hoje meditamos. Marcos não nos dá uma resposta teórica, mas faz-nos acompanhar a ação e as palavras de Jesus para podermos encontrar uma resposta.

Eu te ordeno: Levanta-te

Lectio Divina para o Domingo XIII do Tempo Comum (Ano B), 27/6/2021

Breve introdução

«Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?» A questão com que terminava o Evangelho do passado domingo continua a ecoar no texto que hoje meditamos. Marcos não nos dá uma resposta teórica, mas faz-nos acompanhar a ação e as palavras de Jesus para podermos encontrar uma resposta. Não apenas uma resposta teórica, mas preenchida com a vida que Jesus vem despertar. O convite feito a Jairo, «não temas; basta que tenhas fé», centra-nos no essencial: o encontro com Jesus é um caminho de fé que nos levanta para uma vida nova.

1. Invocação

Senhor Jesus,
tu que percorreste os caminhos da humanidade
para a salvar e levantar da morte,
dando, por nós, a tua vida na cruz,
derrama sobre nós o Espírito Santo
para que não desanimemos diante das dificuldades.
Nós te pedimos: aumenta a nossa fé!
Ajuda-nos a viver confiantes da tua presença,
para que sejamos, também nós, fonte de esperança
para aqueles que caminham a nosso lado.
Ámen.

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1. Vamos escutar uma passagem do Evangelho segundo São Marcos

No Evangelho deste domingo, na sua forma longa, Jairo, um dos chefes da sinagoga, vem procurar Jesus para que imponha as mãos à sua filha de doze anos que está a morrer. Pelo caminho uma mulher que sofre com o fluxo de sangue há doze anos, toca as vestes de Jesus na esperança de ser curada, o que de facto acontece. O caminho interrompido por este encontro, continua até casa de Jairo, onde Jesus ordena àquela menina que se levante. São duas narrações interligadas, com o centro na fé, revelando que Jesus é Aquele que restitui a vida a quem confia plenamente nele. Escutamos e meditamos a forma breve do texto, que nos centra nos acontecimentos em torno de Jairo e da sua filha.

2. 2. Leitura do Evangelho segundo São Marcos (Mc 5, 21-24.35b-43)

Naquele tempo, depois de Jesus ter atravessado de barco para a outra margem do lago, reuniu-se uma grande multidão à sua volta, e Ele deteve-Se à beira-mar. Chegou então um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Ao ver Jesus, caiu a seus pés e suplicou-Lhe com insistência: «A minha filha está a morrer. Vem impor-lhe as mãos, para que se salve e viva». Jesus foi com ele, seguido por grande multidão, que O apertava de todos os lados. Entretanto, vieram dizer da casa do chefe da sinagoga: «A tua filha morreu. Porque estás ainda a importunar o Mestre?». Mas Jesus, ouvindo estas palavras, disse ao chefe da sinagoga: «Não temas; basta que tenhas fé». E não deixou que ninguém O acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago. Quando chegaram a casa do chefe da sinagoga, Jesus encontrou grande alvoroço, com gente que chorava e gritava. Ao entrar, perguntou-lhes: «Porquê todo este alarido e tantas lamentações? A menina não morreu; está a dormir». Riram-se d’Ele. Jesus, depois de os ter mandado sair a todos, levando consigo apenas o pai da menina e os que vinham com Ele, entrou no local onde jazia a menina, pegou-lhe na mão e disse: «Talita Kum», que significa: «Menina, Eu te ordeno: Levanta-te». Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois já tinha doze anos. Ficaram todos muito maravilhados. Jesus recomendou-lhes insistentemente que ninguém soubesse do caso e mandou dar de comer à menina.

Palavra da salvação

(momento de silêncio para interiorizar a Palavra)

2.3. Breve comentário

A fé, e a vida nova que nasce da fé, está no centro de toda a narração deste milagre da ressurreição da filha de Jairo. A fé do pai que busca a vida para a sua filha e que, mesmo não sendo dos discípulos de Jesus, acredita que Ele é a sua única fonte de esperança. A fé que, diante do anúncio da morte da menina, Jesus pede que não se perca: «Não temas; basta que tenhas fé». A fé que permite continuar o caminho até à casa de Jairo. A fé que resiste diante do riso de quem não acredita. A fé que restitui a vida e possibilita que a menina se erga e ponha a andar.

«A mensagem é clara, e pode resumir-se numa pergunta: acreditamos que Jesus nos pode curar e despertar da morte? Todo o Evangelho está escrito à luz desta fé: Jesus ressuscitou, venceu a morte, e por esta sua vitória também nós ressuscitaremos. Esta fé, que era certa para os primeiros cristãos, pode ofuscar-se e tornar-se incerta, a ponto que alguns confundem ressurreição com reencarnação. A Palavra de Deus deste domingo convida-nos a viver na certeza da ressurreição: Jesus é o Senhor, Jesus tem o poder sobre o mal e sobre a morte, e deseja levar-nos à casa do Pai, onde reina a vida. E ali todos nos encontraremos» (Papa Francisco, Angelus 28 de junho de 2015).

O relato termina com uma indicação muito concreta de Jesus, que «mandou dar de comer à menina». Uma conclusão que aponta para a necessidade constante de alimentar a fé. Não basta o momento do encontro com a vida; é preciso cuidar e alimentar a fé.

3. Silêncio meditativo e diálogo

«A minha filha está a morrer. Vem impor-lhe as mãos, para que se salve e viva».

Nesta oração sentimos a preocupação de cada pai pela vida e pelo bem dos seus filhos. Mas também a grande fé que Jairo tem em Jesus. Sentir-se necessitado de cura e confiar em Jesus são as duas condições essenciais para ser curado. Quem o faz, pode saber-se acompanhado, como acontece com aquele pai que logo encontrou Jesus a caminhar a seu lado.

  • Sinto necessidade de ser curado? De algo, de algum pecado, de algum problema? E, se sinto isto, tenho fé em Jesus e busco a sua ajuda?

«Não temas; basta que tenhas fé».

No momento do anúncio da morte da sua filha, Jairo escuta estas palavras de Jesus que infundem coragem. E di-las também a nós, muitas vezes: «Não temas; basta que tenhas fé». Perante as situações de escuridão, de morte, de desânimo, a verdadeira fé em Jesus faz-nos redescobrir a esperança.

  • Acredito que Jesus me pode despertar da morte? Creio na ressurreição e na vida eterna? 

«A menina não morreu; está a dormir». Riram-se d’Ele. 

«Jesus é o Senhor, e diante dele a morte física é como um sono: não há motivo para desesperar. A morte que devemos recear é outra: a do coração endurecido pelo mal! Dessa sim, devemos ter medo!» (Papa Francisco). Perante as incompreensões, e mesmo de quem troça e se ri da fé cristã na ressurreição, esta é fonte da nossa esperança, e o grande anúncio que temos para partilhar com a humanidade: a nossa vida neste mundo é uma peregrinação que nos conduz, com Jesus, à casa do Pai, na eternidade.

  • Procuro aprofundar a minha fé na ressurreição? Procuro viver cada Eucaristia como um verdadeiro encontro com Cristo ressuscitado?

«Talita Kum»: Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar. 

«Mesmo que toquemos o fundo, somos alcançados pela voz terna e forte de Jesus: “Eu te ordeno: Levanta-te!”. É bom ouvir esta palavra de Jesus dirigida a cada um de nós: “Eu te ordeno: Levanta-te! Vai. Levanta-te, coragem, levanta-te!”» (Papa Francisco). A palavra de Jesus continua a dar-nos coragem para não ficarmos imóveis diante das situações de morte: é preciso começar, sempre de novo, a andar.

  • Procuro escutar, aprofundar e rezar a Palavra de Deus para nela encontrar Jesus que me fala e me encoraja?

Jesus mandou dar de comer à menina.

O cuidado de Jesus para que aquela menina, que começou a andar, não caia de novo, passam por esta indicação tão prática: a vida nova precisa de ser alimentada. A família e a comunidade, ali representada pelo pai da menina e pelos discípulos que acompanhavam Jesus, são convidadas a não descuidar desta missão essencial: alimentar a vida recebida. Alimento que se encontra e partilha na Palavra e na oração, na reflexão e na catequese, na caridade e no serviço, nos Sacramentos e, sobretudo, na Eucaristia.

  • Como procuro alimentar a minha fé e a vida nova recebida no Batismo? Encontro, na Eucaristia, um alimento de vida eterna?

4. Propósito e Oração final

– Ao longo desta semana, vou olhar com atenção para a minha vida, examinar a minha consciência, e procurar avaliar como está verdadeiramente a minha fé em Cristo ressuscitado; com confiança, peço que me cure do meu pecado; ao final de cada dia, individualmente ou em família, procurarei alimentar a minha fé, meditando as leituras da Eucaristia.

– Pai Nosso

Repositório LECTIO DIVINA
https://bit.ly/2W4uDI6

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