Lectio divina para a Solenidade da Epifania

Celebramos a Solenidade da Epifania, em memória dos magos vindos do Oriente para visitar o Messias, recém-nascido, em Belém. São buscadores. Deixam-se desinstalar para seguir uma estrela. Procuraram Aquele que se manifesta como a Luz que ilumina toda a humanidade, sem limites de espaço ou de tempo.

Deixar-se transformar no encontro com Jesus

Breve introdução

Celebramos a Solenidade da Epifania, em memória dos magos vindos do Oriente para visitar o Messias, recém-nascido, em Belém. São buscadores. Deixam-se desinstalar para seguir uma estrela. Procuraram Aquele que se manifesta como a Luz que ilumina toda a humanidade, sem limites de espaço ou de tempo.

Os magos são portadores dos presentes que, simbolicamente, revelam a identidade daquele Menino nos braços da sua Mãe. Mas são eles que acolhem o grande presente de Deus para a humanidade: Deus faz-se presente e, para quem o encontra de verdade, e o acolhe na vida, é capaz de se deixar transformar por Ele. O encontro com Jesus muda-os: voltando para a sua terra, voltam por outro caminho.

1. Invocação

Senhor Jesus, Luz do mundo,
que te deste a conhecer a toda a humanidade
na fragilidade de um Menino nos braços da sua Mãe,
faz-nos procurar e reconhecer o dom da tua presença.
Como os Magos do Oriente, também nós,
acolhendo o dom da tua presença e do teu amor,
Te ofereçamos o presente de uma vida
Marcada e transformada pela tua luz.
Ámen.

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1. Vamos ouvir um texto do Evangelho segundo São Mateus

No contexto do “Evangelho da Infância”, Mateus oferece-nos o episódio dos magos vindos do Oriente. Os símbolos e imagens usados expressam sobretudo uma mensagem: Jesus é o Messias anunciado e desejado, enviado pelo Pai para oferecer a luz, a vida e a salvação a toda a humanidade. Nem todos O procuram, alguns até O rejeitam, para muitos é-lhes indiferente… Mas, para quem O encontra de verdade, para quem O reconhece verdadeiramente como o Filho de Deus incarnado na fragilidade humana, para quem lhe oferece os seus presentes mais valiosos, a sua vida ganha uma nova luz, um novo horizonte.

2.2. Leitura do Evangelho segundo São Mateus (2, 1-12)

Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

2.3. Breve comentário

A intenção deste episódio é sobretudo catequética. Mateus quer transmitir-nos uma mensagem através dos detalhes narrados na visita dos magos do Oriente.

Por um lado, dá-se a entender a identidade de Jesus. Nasceu em Belém, terra natal do rei David, o que liga Jesus ao Messias anunciado e esperado pelo Povo da Aliança. Mas é procurado e reconhecido por estrageiros, o que dá a entender, desde o início, que a sua missão não tem fronteiras de raças, lugares ou tempos. Jesus é a “estrela de Jacob” (cf. Num 24, 17), mas a sua luz ilumina toda a humanidade. A prostração e adoração é o reconhecimento da sua divindade, que é reforçada pelos presentes oferecidos: ouro, incenso e mirra. Ligados tradicionalmente à Arábia, estes bens significavam as dádivas de todos os povos ao Messias esperado (cf. Sl 72, 10-11.15; Is 60, 6), mas os cristãos também viram, nessas ofertas, os símbolos da realeza (ouro), da divindade (incenso) e da humanidade sofredora (mirra) de Jesus.

Por outro lado, o texto apresenta a diversidade de reações diante de Jesus. Os magos buscam, Herodes tem medo e rejeita, toda a cidade fica perturbada, os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo ficam indiferentes mesmo conhecendo todas as profecias… A mensagem é a que encontramos também no prólogo do Evangelho de João: “A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam… Veio para o que era seu, e os seus não O receberam. Mas, a quantos O receberam, aos que n’Ele creem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1, 5.11-12).

O relato termina com o regresso dos magos à sua terra “por outro caminho”. Um voltar renovado pelo encontro com a Luz de Jesus. 

3. Silêncio meditativo e diálogo

– “A vida cristã é um caminho contínuo, feito de esperança e de busca; um caminho que, como o dos magos, prossegue até quando a estrela desaparece momentaneamente da vista.” (Papa Francisco)

Procuro alimentar a minha caminhada de fé, procurando os meios para me encontrar com Jesus? Dou tempo para a oração, a escuta e meditação da Palavra de Deus, a celebração da Eucaristia? 

– Os magos voltaram à sua terra por outro caminho. “Há uma dinâmica sábia entre continuidade e novidade: voltamos «ao nosso país», mas «por outro caminho». Isto indica que somos nós que temos de mudar, de transformar o nosso modo de viver, ainda que seja no ambiente de sempre, de modificar os critérios de julgamento sobre a realidade que nos rodeia” (Papa Francisco). A conversão é, em primeiro lugar, do coração e da mente… Pensar e sentir a partir do encontro com Jesus, da escuta da sua Palavra, do acolhimento do dom da sua vida na Eucaristia.

Procuro olhar a minha vida e a realidade à minha volta a partir do olhar de Jesus? Os valores do Reino de Deus são os critérios prelos quais oriento as minhas opções? Jesus é, de verdade, a Luz que ilumina a minha vida?

– A celebração da Eucaristia é um verdadeiro encontro com Jesus, e termina com a bênção e a despedida finais: “é um rito de envio para as nossas ocupações normais e para levar a bênção e a paz de Deus para a vida no mundo” (D. António Marto). 

Procuro que o encontro com Jesus e os irmãos, na celebração da Eucaristia, seja um estímulo para voltar à vida por “outro caminho”, levar a alegria de testemunhar a fé, o amor ao próximo, o acolhimento, as relações de comunhão, a fraternidade, a solidariedade, a partilha, o diálogo, a reconciliação, a paz, o cuidado da criação, o serviço e apoio aos mais pobres, frágeis e marginalizados?

– “Aprendamos dos magos a não dedicar a Jesus apenas retalhos de tempo e um pensamento de vez em quando; caso contrário, não receberemos a sua luz. A exemplo dos magos, coloquemo-nos a caminho, revistamo-nos de luz, seguindo a estrela de Jesus e adorando o Senhor com todo o nosso ser.” (Papa Francisco)

4. Oração final e gesto familiar

– Em silêncio, cada um pergunta no seu coração: Senhor, que queres dizer-me com esta palavra? 

– Se a oração for feita em grupo ou família, cada um, com palavras ou algum gesto (por exemplo, colocar um dos magos no presépio da família), pode partilhar com os outros o que sentiu e o compromisso que assume. 

– Podem ainda partilhar em que medida este texto os ajuda na forma de compreender o encontro com Deus na Eucaristia, e como valorizar mais a bênção e rito de envio no fim da Missa.

– Para terminar, podem rezar juntos o Pai Nosso e/ou entoar um cântico.

Repositório LECTIO DIVINA
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