Nos finais do século XIX, era prática corrente abandonar os doentes mentais à sua sorte, sobretudo as mulheres, bem como as crianças com deformações ou doenças infecciosas. Bento Menni vai ao seu encontro nos ambientes de marginalidade e exclusão social e põe mãos à obra para que tenham os cuidados médicos que precisam. Entre outras obras, funda em 1881, em Ciempozuelos (Madrid), as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus (IHSCJ).
Unir “caridade e ciência” como o Bom Samaritano

Foram co-fundadoras das IHSCJ María Josefa Recio e María Angutias Giménez, ambas de Granada, que se juntaram a S. Bento Menni para formar a primeira comunidade.
Carisma e Missão
Com o lema “Orar, servir e amar”, numa simbiose de contemplação e ação, o carisma da Congregação aponta a sua raiz bíblica para o “Bom Samaritano” do Evangelho, imagem da caridade perfeita do Coração de Jesus, que o próprio fundador procurou imitar na sua vida de dedicação aos doentes abandonados pelos caminhos.
Assim, através da prática da caridade hospitaleira, procuram “glorificar a Deus Pai, reproduzindo os sentimentos do Coração do Filho, pela ação do Espírito Santo, e continuando na Igreja e para o mundo a missão salvífica de Jesus Cristo em favor dos doentes mentais e deficientes físicos e psíquicos, de preferência pobres”. É nestas “situações de fronteira da pessoa que sofre” e com “fidelidade criativa” que querem “mostrar ao mundo que o Cristo misericordioso e compassivo do Evangelho permanece vivo entre os homens”, refere a irmã Maria Isabel Santos, responsável da casa de Fátima. É essa a forma concreta de evangelizar da congregação: “unir a caridade e a ciência” no exercício eficiente da missão hospitaleira.
Nessa linha, uma das preocupações é oferecer aos utentes “a melhor qualidade possível na assistência e cuidados médicos”, como já o fundador fizera, “procurando os melhores e mais qualificados médicos e recursos humanos e apostando na criatividade, na prevenção e na investigação e inovação técnica e científica”. São frequentes as jornadas científicas que promovem nos seus centros assistenciais, a formação permanente de equipas multidisciplinares e a colaboração com outras instituições, sobretudo quando está em causa “a defesa das pessoas mais pobres, marginalizadas e desfavorecidas”. O acento é sempre colocado “na humanização e qualidade de vida dos utentes, envolvendo as famílias e a sociedade na sua re-socialização”.
Na diocese

O grupo residente é pequeno, mas, além deste acolhimento às irmãs, fazem serviço de voluntariado no Santuário e também na comunidade local, com visitas ao domicílio, acolhimento e ajuda a pessoas em sofrimento por solidão, doença, desesperança, “conscientes de que a saúde mental se integra na saúde global da pessoa ”. Prestam ainda assistência num lar de idosos, nomeadamente, na animação das celebrações e no atendimento aos doentes.
Testemunho vocacional
“Estás maluca, ou quê?”

Nasci e cresci numa família de princípios e valores cristãos, onde os meus pais foram os primeiros e melhores catequistas, pela palavra e mais ainda pelo exemplo. Amávamos a verdade e a honestidade, rezávamos em família e em ajuntamentos de trabalhadores, íamos sempre à Missa e, depois da 1.ª Comunhão, fazia a visita diária ao Santíssimo Sacramento e a Nossa Senhora do Rosário. Frequentei a catequese, a Cruzada Eucarística, a Pré-JAC e ajudava a minha mãe a acolher pedintes, órfãos e todos os que solicitavam a sua ajuda.
Mas foi no dia da minha Crisma, que vivi com muita intensidade aos 14 anos, que o Espírito Santo me inspirou pela primeira vez o desejo: “eu quero ser irmã”. Essa frase não me saía da cabeça e, à noite, disse-a à minha mãe. Em vez do beijo de boa noite, deu-me uma “estaladinha”, a primeira na vida: “Estás maluca, ou quê?”. De facto, tinha enlouquecido por esta causa tão nobre de me sentir chamada pelo Senhor e aceitar deixar tudo para O seguir.
A reação da minha mãe devia-se ao facto de ter pensado já num namoro para mim, para concretizar um projeto de união na família. Mas esse não era o meu desejo e consegui que o pároco me levasse, com algumas amigas, para o Colégio Apostólico da Congregação. A batalha mais dura viria dois anos depois, quando vim de férias e não queriam deixar-me regressar, estando por perto o rapaz que queriam para meu noivo. Sofri muito nessa provação, mas Jesus Cristo, por Quem eu estava apaixonada, o amor à missão hospitaleira no serviço dos mais pobres e marginalizados e a oração intensa deram-me a força e o poder de os convencer… E tudo consegui vencer.
Desde então, a minha vida tem sido apaixonada pelo amor de Deus Pai, que, na pessoa do Espírito Santo, me convocou e convoca em cada dia a configurar-me com seu Filho Jesus Cristo, e segui-l’O de forma radical, cumprindo os seus conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência, e nesta minha amada Congregação, a favor das pessoas mais pobres e desfavorecidas que habitam as periferias da humanidade.
Embora com espinhos, toda a minha vida tem sido uma rica experiência, sobretudo no cuidado de crianças e jovens deficientes, mas também em serviços administrativos e diretivos, na catequese e animação litúrgica, na pastoral juvenil e vocacional. Alguns milhares de jovens passaram pela minha vida e enriqueceram-me com o encanto da juventude, generosa e sem preconceitos.
Aproveito para “desafiar” os e as jovens que leiam este testemunho: escancarem as vossas portas a Cristo, escutem o Espírito Santo, sede generosos e encontrareis o pleno sentido para as vossas vidas! Estamos à vossa disposição para uma ajuda…
Família Hospitaleira
A Família Hospitaleira é constituída por diversas congregações, mas também por estruturas de voluntariado, hospitalar e missionário, e movimento de leigos, como a Juventude Hospitaleira e as Famílias Hospitaleiras. Estão integrados e dinamizam centros de formação, grupos de reflexão e diversos projetos sociais, que poderá conhecer a partir do sítio www.ihscj.pt.
Números…
…no Mundo
1084 membros, em 95 comunidades e 24 grupos comunitários, e 127 jovens em formação
Em 27 países com mais de 230 centros assistenciais e outros serviços
…em Portugal
São 177 irmãs em 15 comunidades e 3 grupos comunitários
Estão em 14 centros assistenciais e outros serviços
…na Diocese
2 irmãs em permanência, na Casa de Santa Maria, uma com 71 e outra com 76 anos de idade
Sítio: www.irmashospitaleiras.pt