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“Intimidade com o Senhor” e “coerência de vida” são o remédio para a catequese, diz a irmã Ângela Coelho

Categoria: Notícias
Criado em 20-09-2016
©LMFerraz

Como médica, está habituada a “tocar nas feridas”. Como religiosa, procura “fazê-lo com carinho”. Como postuladora da causa de canonização dos Pastorinhos, encontra no seu exemplo de vida o caminho para a santidade. Misturando tudo, apresentou aos catequistas, no Encontro Diocesano do passado dia 18 de setembro, o segredo para uma catequese eficaz, cujo resultado seja “as crianças quererem continuar em Igreja no final do percurso”.

No fundo, a cura para um dos principais problemas nas comunidades reside nesta receita: “Intimidade com o Senhor” e “coerência de vida” por parte do catequista.


 

“Pastorinhos de Fátima: exemplo e desafio de interioridade e compromisso para a catequese” foi o tema escolhido para o Encontro Diocesano de Catequistas, que reuniu cerca de duas centenas de participantes, no Centro Pastoral Diocesano, no passado domingo 18 de setembro. 

Na abertura, um texto das Memórias da Irmã Lúcia deu o mote à oração, presidida pelo Bispo diocesano, que sublinhou a importância da “linguagem do amor” para a catequese dos nossos dias (ver abaixo).

Depois, coube à irmã Ângela Coelho, da Aliança de Santa Maria, desenvolver o tema, a partir da vida dos Pastorinhos de Fátima, que acompanha de forma especial como postuladora da causa de canonização Francisco e Jacinta Marto e vice-postuladora para a causa de beatificação da irmã Lúcia de Jesus.

O diagnóstico e a receita

“A Igreja existe para evangelizar e a catequese é um momento essencial dessa ação”, começou por recordar a oradora. Também é evidente que “por melhores que sejam as metodologias e materiais, não existe catequese sem a pessoa do catequista” e, como refere o Diretório Geral para a Catequese, “o carisma que lhe é dado pelo Espírito, uma sólida espiritualidade e um transparente testemunho de vida constituem a alma de todo método”. Estava, portanto, identificado cerne da questão.

“O mundo está farto de doutores”, disse a irmã Ângela, aproveitando por diversas vezes a sua profissão de médica para ilustrar com humor a mensagem que transmitia. E continuou: “Precisa, sim, de testemunhas”, às quais se exige uma íntima relação com Deus e um claro exemplo de vida.

Em resumo, “os catequizandos só se interessam pela nossa mensagem se lhes dermos o que eles não podem encontrar noutros lados; não adiantam apresentações bonitas, pois encontram melhor noutros lados, como os jogos ou as redes sociais; só Deus é que eles não encontram aí”. Já na catequese, “só se O tivermos é que conseguimos transmiti-l’O”. Ora, “só O temos, se tivermos uma relação íntima com Ele, e O vivermos no concreto da vida”. Receita dada.

Crianças exemplo

2016-09-20 catequistas1Foi neste contexto que entraram os Pastorinhos. E entrou a Maria, uma criança de 8 anos que estava na plateia e que foi chamada ao palco: “A Jacinta era uma criança mais ou menos desta idade, assim deste tamanho, e ela conseguiu; portanto, nós também podemos conseguir”, apontou a irmã Ângela. E contou com entusiasmo alguns episódios da vida da pequena vidente que a revelam como “centrada em si, carente de atenções e carinhos, facilmente amuada se não lhe faziam as vontades”. Já quando descobriu Deus, “ela deixou de interessar e configurou-se plenamente com Cristo, que passou a ser o centro da sua vida”, isto é, “deu-se completamente aos outros e procurando ‘fazer como Jesus’ tudo o que fazia”. Curiosamente, até nos episódios da sua morte, “sozinha e com uma chaga no peito, sepultado depois num sepulcro emprestado, parece ter atingido o pleno dessa configuração com Jesus”.

Também com o Francisco, na sua conversão, se fez configurar com o “Jesus que reza”, procurando todos os pretexto para se recolher em oração e consolar o “Jesus Escondido” que tanto amava.

Sucesso garantido

As histórias de vida dos Pastorinhos, apaixonadamente contadas pela oradora, foram ilustrando esse processo de conversão do catequista a uma vida de fé capaz de cativar outros. Uma conversão a viver em várias dimensões.

A primeira é a dimensão trinitária e eucarística. “Colocar Deus no centro da vida e perguntar sempre ‘o que queres Tu de mim’ é o primeiro passo”, frisou a irmã, pedindo licença para “tocar numa ferida, mas com carinho”: “Temos falta de paixão por Nosso Senhor!”. Só por isso nos “custa tanto” ir à Missa, dar catequese, fazer oração. “Os Pastorinhos iam buscar à Missa a paz para as suas dificuldade, nela ofereciam as suas dores e pediam a Deus por toda a humanidade, a Missa era o centro da sua vida”, exemplificou. Assim, “só com uma vida eucarística, centrada na celebração da Missa e na Adoração individual se poderá encontrar Deus, e só com uma vida eucarística que se torna oferta aos outros se poderá transmitir-lhes esse Deus que se encontrou”.

Outra é a dimensão mariana, pois “a Igreja Católica não se entende sem Maria”. “A devoção a Nossa Senhora não é opção, é Deus que quer”, sublinhou a irmã Ângela, apontado à resposta de Nossa Senhora quando Lúcia lhe pergunta o que quer: “Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”. Maria é, assim, “refúgio e caminho para Deus”, como disse aos pequenos videntes.

Também fundamentais são a dimensão eclesial, de vida comunitária em amor à Igreja e ao Papa – “a qualquer que seja o Papa” –, e a dimensão apostólica, de anúncio, de serviço e de oração pela paz no mundo e pela conversão dos pecadores.

“Se um catequista imitar este exemplo de intimidade com Deus e de coerência de vida que tiveram os Pastorinhos, os seus catequizandos irão perceber e irão deixar-se apaixonar por Cristo; e, no final da catequese, não irão abandonar, mas sim perguntar como podem continuar a participar nesta vida com Deus que experimentaram na Igreja”, conclui a oradora. No fundo, seria a cura para uma das doenças que mais aflige as nossas comunidades cristãs.

 

Nossa Senhora é “refúgio e caminho”

D. António Marto pede “linguagem do coração”

2016-09-20 catequistas2

Nossa Senhora veio a Fátima trazer uma “mensagem de conforto e presença nas atrocidades do mundo”, lembrou D. António Marto, na breve reflexão que partilhou com os catequistas no início do encontro. Prestes a iniciar-se o segundo ano do biénio mariano, dedicado a Nossa Senhora de Fátima, o Bispo diocesano apontou para a “linguagem do coração” da Mãe, “a linguagem mais espontânea, simples e comovente, que toda a gente entende, a linguagem bela de que o mundo também hoje precisa, que lhe transmita ternura, proximidade, afecto, carinho, carícia”.

“Esta é a linguagem de que a Igreja e a catequese precisam”, continuou o Pastor, pedindo aos catequistas que ofereçam “o olhar do coração, que mostre a todos a ternura de Deus próximo e íntimo, o Deus da misericórdia”. Foi essa a imagem que Nossa Senhora mostrou ao Pastorinhos, na “luz imensa” que colocou no seu peito e que levou o Francisco a dizer “gostei muito de ver o anjo, gostei mais de ver Nossa Senhora, mas o que gostei mais foi ver Deus”.

A imagem do Coração de Maria cravado de espinhos, que surge nos relatos das Aparições, é “o símbolo da dor e do amor, que centra em si as dores dos seus filhos”, divididos em guerras e violências, como foi o caso da Grande Guerra e dos campos de concentração que existiam em 1917. Alertando para a brevidade da memória da humanidade, D. António Marto alertou para que “hoje vemos de novo o mundo em ebulição, com focos de guerra espalhados por todo o mundo”. Assim, “o coração da Mãe continua a gritar e ser ícone da misericórdia de Deus”. É um coração que “é refúgio e caminho, onde nos abrigamos nas dificuldades e que nos conduz até Deus”.

No final, todos fizeram o ato de entrega a Nossa Senhora e o Bispo diocesano desejou a estes seus “colaboradores” um frutuoso ano de trabalho, apontando o serviço de catequese como “uma missão bela, nobre, mas árdua, e necessária como nunca”.

 

Em entrevista...

Durante a tarde, conversámos com alguns catequistas sobre a sua experiência e sobre este encontro. Focaram vários aspetos positivos da catequese nas suas paróquias e, quanto às necessidades, a formação dos catequistas e a participação dos pais surgem em destaque. Quanto ao encontro, a avaliação positiva é unânime. Foram três as questões feitas a todos:

1. Que aspeto mais positivo identifica na catequese da sua paróquia?

2. E qual a maior necessidade?

3. Que acha destes encontros diocesanos e do tema deste ano em concreto?

 

2016-09-20 catequistas4José Duarte

Souto da Carpalhosa - Catequista há 23 anos

1. Um dos aspetos mais positivos é a organização que temos nos cinco centros de catequese e a boa programação que se faz, sempre em colaboração com o Serviço Diocesano.

2. Precisamos de catequistas mais formados. Reconheço que cada um dá o seu melhor, mas é pena não serem muitos os que vêm à formação, por exemplo, na Escola Diocesana Razões da Esperança ou nas ações que acontecem até na paróquia.

3. Costumo vir todos os anos e acho que tem vindo a melhorar. O tema deste ano é muito importante, com uma atualização da mensagem dos Pastorinhos de Fátima. A forma como foi exposto o tema encheu-nos o coração.

2016-09-20 catequistas5Maria da Graça Tavares

Marinha Grande - Catequista há 2 anos

1. Temos pessoas com espírito jovem e que procuram ir ao encontro das famílias e dos gostos das crianças. Já este ano fizemos um encontro em que procurámos saber o que mais motiva os catequizandos, concluindo que temos de apostar mais na pedagogia e no lado lúdico da transmissão da mensagem.

2. Precisamos de aprofundar mais a relação e o envolvimento das famílias. É preciso motivar os pais a uma coerência de vida e que não se limitem a ir levar e buscar os filhos à catequese, sem eles próprios terem uma vida de fé.

3. Gostei imenso da forma como a irmã Ângela falou, com muita vida e interesse. O tema é muito importante, pois com os olhos nos Pastorinhos temos a resposta à forma como devemos viver e transmitir a fé.

2016-09-20 catequistas6Maria José Silva

São Simão de Litém - Catequista há 30 anos

1. A experiência da catequese familiar com as crianças do 1.º ano foi muito positiva. Os pais acompanham os filhos, trabalham em casa com eles, participam ativamente nas festas da catequese e acabam por crescer com eles na fé. É também muito bom fazermos um encontro mensal de catequistas para formação e convívio.

2. Gostaríamos de ter mais catequistas e com mais formação. Há oferta pela Diocese, mas nem todos se disponibilizam para a fazer. E também seria bom conseguirmos integrar mais a celebração da Missa com a catequese, o que nem sempre é possível pela dificuldade de harmonizar horários. Isso também ajudaria os pais a maior participação nas celebrações, em vez apenas levarem os filhos à catequese.

3. Há muitos anos que venho ao encontro e acho sempre muito bom. O tema deste ano é oportuno e a oradora foi excecional, emotiva e vê-se que vive a mensagem que transmite. Fica-nos um querer mais... Irei partilhar esta experiência com os catequistas da paróquia na próxima reunião.

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Alexandre Simões

Colmeias - Catequista há 7 anos

1. Comparando com o que ouço sobre outras paróquias, acho que temos uma boa experiência de presença e participação das crianças na Eucaristia, embora mais durante o período em que funciona a catequese.

2. Deveríamos ter catequistas mais formados. A formação existe e as pessoas deviam procurar aproveitar mais.

3. Já venho há uns três anos para cá e o que gostei mais neste foi termos ouvido episódios da vida concreta dos Pastorinhos. É um bom exemplo para nós, para a vida do trabalho e do dia a dia. E deu-me uma noção mais clara de que não devemos fechar-nos na nossa paróquia, mas estarmos abertos às realidades e problema de todo o mundo.

2016-09-20 catequistas8Vera Rito

Batalha - Catequista há 2 anos

1. A amizade e o clima de entreajuda dos catequistas e a relação que procuram ter uns com os outros.

2. Precisamos de aplicar a catequese familiar, que motive a uma maior participação dos pais. Só assim se poderão sentir envolvidos e comprometidos com os filhos no processo de formação e crescimento na fé.

3. É a primeira vez que venho e achei o tema muito interessante. Fez-me consciencializar para aspetos da fé que estão tão próximos de nós e, por vezes, desconhecemos. A oradora soube tocar nas feridas que existem na catequese e alertar-nos para a necessidade de nos irmos convertendo a cada dia, numa caminhada coerente com o que ensinamos às nossas crianças.

 

Jubileu dos Catequistas

O encontro que terminou em celebração, com a entrada pela Porta Santa, na Sé, a assinalar o Jubileu da Misericórdia e a antecipar a Missa de encerramento.

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Luís Miguel Ferraz | Presente Leiria-Fátima

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