Festa do Corpo de Deus junta cerca de um milhar de fiéis na Sé

A festa do Corpo de Deus decorreu no passado dia 22 de junho, na cidade de Leiria, e juntou cerca de um milhar de fiéis. As celebrações, que estavam previstas para o “Parque do Avião”, realizaram-se na catedral diocesana, devido à chuva.

Passaram dois anos desde que se aboliu o feriado religioso que marcava a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, na quinta-feira, 60 dia depois da Páscoa. À semelhança do que acontece um pouco por todo o mundo, na nossa Diocese, a festa do Corpo de Deus é também uma das celebrações mais marcantes do calendário litúrgico que junta, num ambiente festivo, a comunidade cristã. Este ano, devido às condições atmosféricas adversas, não se realizou a tradicional procissão pelas ruas de Leiria, acompanhada pelas bandas filarmónicas da Diocese. Mesmo assim, os cerca de 1000 fiéis que participaram nas celebrações tingiram de vivacidade, com as faixas coloridas utilizadas na última peregrinação diocesana a Fátima, a comemoração do Corpo de Deus – como é conhecida popularmente a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo.

Apesar da mudança de última hora, a Missa, presidida por D. António Marto, teve início às 16h00. As bandeiras das paróquias, dos movimentos e associações eclesiais da Diocese, trazidas pelos fiéis para a procissão, ficaram nos claustros da Sé, abrigados da chuva que teimava em não parar. Fiéis oriundos de toda a Diocese encheram a catedral. Junto ao altar, ficaram as crianças do 3.º ano da catequese das paróquias da diocese que tinham participado, durante o dia, na atividade “Festa da Eucaristia. Vamos cear com Jesus!”, organizada pelo Serviço Diocesano da Catequese.

Também os acólitos, que se tinham reunido, momentos antes, num encontro organizado pelo Serviço Diocesano de Liturgia, deram o seu contributo para a solenidade da celebração.

A Missa culminou com o momento de adoração eucarística que congregou, em silêncio contemplativo, os fiéis presentes.

No final, o Bispo saudou os presentes e deu os parabéns às crianças do 3.º ano da catequese pela forma solene como participaram na celebração.

A origem da festa

A Solenidade Litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo começou a ser celebrada há mais de sete séculos, em 1246, na cidade de Liège, na atual Bélgica, tendo sido alargada à Igreja latina pelo Papa Urbano IV através da bula ‘Transiturus’, em 1264, dotando-a de Missa e ofício próprios.

Na origem, a solenidade constituía uma resposta a heresias que colocavam em causa a presença real de Cristo na Eucaristia, tendo-se afirmado também como o coroamento de um movimento de devoção ao Santíssimo Sacramento. A solenidade terá chegado a Portugal nos finais do século XIII e tomou a denominação de Festa de Corpo de Deus.

A “comemoração mais célebre e solene do Sacramento memorial da Missa” (Urbano IV) recebeu várias denominações ao longo dos séculos: festa do Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo; festa da Eucaristia; festa do Corpo de Cristo.

A procissão com o Santíssimo Sacramento é recomendada pelo Código de Direito Canónico, no qual se refere que “onde, a juízo do bispo diocesano, for possível, para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia faça-se uma procissão pelas vias públicas, sobretudo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo”.

Um feriado e uma festa religiosa

A data litúrgica da solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo fixou-se no 60.º dia depois da Páscoa, uma quinta-feira, assinalada, desde tempos remotos, como dia santo e feriado religioso. Em 2012 o feriado foi abolido da agenda, pelo que se passou a celebrar no domingo seguinte.

Para o professor António Matos Ferreira, da Universidade Católica Portuguesa, a queda do feriado do Corpo de Deus só foi possível numa sociedade em “grande mutação espiritual”. Em declarações à agência Ecclesia, o diretor do Centro de Estudos de História Religiosa acredita que esta mudança se vai “acelerar”, uma vez que “os ritmos de vida” são diferentes e o enquadramento da própria Igreja “mudou muito”.

“Por muito que queiramos impor determinadas coisas, nós por exemplo, católicos romanos, vamos ter que lidar com sociedades que o não são, e portanto vamos ter que lidar hoje com uma diversidade enorme”, aponta o investigador.

O especialista em História Religiosa entende que há um aspeto bem mais preocupante do que a queda do feriado – “se há pão para todos e se todos têm direito à justa remuneração na sua vida, no seu trabalho, para poderem usufruir do tempo sagrado nas suas vidas”.

A festa pelo país…

Na paróquia da Torreira, na diocese de Aveiro, a procissão do Corpo de Deus é feita na ria. Barcos enfeitados com flores e bandeiras percorrem as águas da ria que resultada num “momento grande de vivência da fé, pela serenidade e beleza”, realçou o pároco local, à Agência Ecclecia.

A Vila de Caminha, na diocese de Viana do Castelo, é palco de uma das mais emblemáticas procissões do Corpo de Deus, em que as ruas enfeitadas com tapetes de flores saúdam a passagem de Cristo Ressuscitado. O trabalho que começa um mês antes da realização do cortejo, envolve todas as paróquias do Arciprestado de Caminha. A distância percorrida no dia da procissão é “bastante considerável” e “só cortar os verdes para as ruas todas é um trabalho moroso, que junta as várias comissões de festa”, sublinha o pároco. De acordo com o padre José Oliveira de Sá, “os tapetes e sobretudo os desenhos”, que contam com o trabalho de “vários artistas”, são muitas vezes “feitos em função do ano pastoral que a Diocese ou a Igreja está a celebrar”.

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