Faleceu o padre Manuel Peixoto

O padre Manuel Peixoto, Missionário Monfortino, faleceu ao cair da noite de sábado, dia 17 de Fevereiro, na Casa do Clero da diocese de Leiria-Fátima.
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O padre Manuel Peixoto, Missionário Monfortino, faleceu ao cair da noite de sábado, dia 17 de Fevereiro, na Casa do Clero da diocese de Leiria-Fátima. O padre Peixoto exerceu o seu ministério sacerdotal, com intenso ardor apostólico e paixão pastoral. Iniciou o seu ministério como missionário em Porto Amélia (Pemba), Moçambique. Foi pároco da Póvoa de Santo Adrião, no Patriarcado de Lisboa. Esteve algum tempo nas paróquias do concelho de Castro Verde, na diocese de Beja. Foi pároco de Alvados, Mira de Aire e São Bento, Serra de Santo António, na diocese de Leiria-Fátima. Foi colaborador e confessor no Santuário de Fátima, seguindo-se o serviço pastoral nalgumas paróquias do concelho de Vila do Conde, arquidiocese de Braga. No últimos anos residia na Casa do Clero, em Fátima. Também foi durante vários anos Superior dos Missionários Monfortinos em Portugal.

O funeral realizou-se na segunda-feira, dia 19, às 15h00, na igreja paroquial de Fátima.

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Elementos biográficos do padre Manuel Gonçalves Peixoto, missionário monfortino

(apresentados na missa das exéquias no dia 19/02/2024)

Filho de Avelino Peixoto e de Rosa Gonçalves; nasceu a 19 de novembro de 1943 no lugar da Casa Nova – Figueiredo – Concelho de Guimarães, distrito de Braga.

Segundo filho de uma família numerosa de 11 filhos. Foi batizado a 21 de novembro de 1943 em S. Paio de Figueiredo. Crismado a 20 de maio de 1955 em Fátima. Fez os seus Estudos Secundários no Seminário Monfortino de Vila Nova de Ourém (quinta da Olaia) e de Fátima.

Iniciou o noviciado na Companhia de Maria – Missionários Monfortinos – a 8 de setembro de 1960. Fez a primeira profissão a 08 de setembro de 1961.

Vai para Roma a 9 de setembro de 1961 para os seus estudos de filosofia e teologia tendo obtido o grau académico de licenciatura em teologia na Pontifícia Universidade de S. João de Latrão.

Fará a Profissão Perpétua a 8 de setembro de 1966 em Roma (Itália), e será ordenado sacerdote a 2 de julho de 1967, em Fátima, por D. João Pereira Venâncio, bispo de Leiria.

Recebeu a sua primeira obediência para Moçambique – então Província Ultramarina Portuguesa – tendo chegado a Porto Amélia (atual Pemba) no dia 12 de janeiro de 1968. Aí trabalhou incansavelmente durante 3 anos; após o gozo de férias foi impedido de regressar a Moçambique, em maio de 1971, devido ao seu trabalho missionário marcado pela inculturação, mostrando-se particularmente defensor dos pobres, visitando as casas de todas as famílias, promotor de uma liturgia mais sintonizada com o espírito dos povos autóctones e partidário da autonomia de Moçambique em relação à Metrópole, o que provocou desconfianças e receios, tanto da parte das Instituições do Estado Novo e não menos nas autoridades eclesiásticas, tendo ambas contribuído para o impedir de regressar ao seu campo de missão em Moçambique. Alegava, então, o P. Manuel Peixoto que não era preciso ser português para se ser cristão como defendiam aas autoridades daquela época… quantas vezes mo confidenciou. Esta decisão das autoridades foi um verdadeiro espinho na vida do P. Manuel Peixoto; viu-se impedido de continuar no vigor da sua juventude, um trabalho missionário que tanto amava e

onde mostrava ousadia evangélica e frontalidade no anúncio; também nisto foi profético.

Não esmoreceu no seu ardor missionário tendo-se confinado a Portugal. A partir de 1971 tornou-se Pároco da Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto, ofício que exerceu até dia 1 de outubro de 1992. Não lhe faltaram dissabores políticos que a Providência soube colmatar. Cabe destacar o seu papel determinante na formação de leigos, no crescimento e desenvolvimento do escutismo, e na formação catequética – a menina dos seus olhos enquanto pároco – sem perder de vista uma liturgia participativa e os esforços para acudir aos mais pobres da paróquia, fazendo desta paróquia uma paróquia missionária. Dedicou também alguns anos à formação dos candidatos à vida monfortina.

A 16 de julho de 1986 é eleito superior do Vicariato Geral de Portugal, função que exerceu até 10 de julho de 1996. A partir dessa data é enviado em missão para a comunidade monfortina de Castro Verde, diocese de Beja, tendo aí permanecido até 07 de setembro de 1997, quando é nomeado pároco de Mira de Aire e Alvados, mais tarde também o será da Serra de S. António e S. Bento, na diocese de Leiria-Fátima. Mais uma vez o seu papel de pastor se destaca na formação catequética e no serviço aos mais pobres e aos doentes.

É nomeado Superior da Delegação em 2006, cargo que exerceu até 2013.

A 1 de outubro de 2011 deixa de ser pároco de Mira de Aire, Alvados, Serra de S. António e S. Bento e vai dedicar-se ao sacramento da reconciliação como confessor no santuário de Fátima, missão que tanto gostou e o Povo de Deus tanto beneficiou com o seu modo de ser e acolher – para ele foi uma revelação este ministério! Várias vezes o referiu: pelo tanto bem que fazia às pessoas através do sacramento e da escuta. Também nisto foi profético.

No dia 1 de maio de 2013 irá concluir a etapa da sua vida de pastoral ativa como pároco in solidum das paróquias de Junqueira, Parada e Touguinhó, na comunidade monfortina de Junqueira, na arquidiocese de Braga. Com a saúde sempre mais debilitada foi acolhido na Casa Diocesana do Clero de Leiria-Fátima a 17 de maio de 2021, onde veio a falecer no passado dia 17 de fevereiro. Foi difícil para ele conviver com a incapacidade para o trabalho missionário ativo, mas nunca deixou de rezar mesmo nas horas mais duras do sofrimento e do sentimento de nada ter para dar. Talvez nessa hora tenha dado muito mais, porque a missão é mais do que fazer, é sobretudo aquilo que se significa para os outros, um nada que constantemente se entrega a Deus. Também nisto foi profético.

Seja nas funções de liderança na Congregação como no trabalho missionário não lhe faltaram tribulações, mas também revelaram a sua paixão missionária, o desassombro no anúncio e o amor à Companhia de Maria, e uma lealdade a toda a prova.

Homem de muita oração em todos os momentos e situações, profundamente pobre e desprendido, qualidades que o tornavam tão livre e espontâneo. Foi grande no amor a Deus, a Nossa Senhora e ao Povo de Deus.

Foi o primeiro sacerdote monfortino português a falecer. Rezemos em sufrágio de sua alma com o coração grato a Deus pelo dom que foi a vida do P. Manuel Gonçalves Peixoto.

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