Entrar e sair do tempo e espaço, como Jesus Cristo

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Seguem-se linhas de reflexão orante na Semana Maior, Semana Santa, por nela a Igreja celebrar toda a realidade, temporal e eterna, divina e humana, de Jesus Cristo, e não apenas a que se vê, a empírica.

Jesus ao incarnar, como Deus-homem, entrou (desceu) do Alto (sem tempo nem espaço) para a sua vida incarnada, no tempo e no espaço, junto da nossa, em que viveu a fazer o bem até morrer e passar de novo à eternidade pela ressurreição, deixando o espaço e o tempo. Na oração do Domingos de Ramos pedimos três dons:

«Deus eterno e omnipotente, que, para dar aos homens o exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador 1) se fizesse homem e, 2) padecesse o suplício da cruz, fazei que sigamos os ensinamentos da sua paixão, 3) para merecermos tomar parte na glória da sua ressurreição». Esta oração resume a vida de Cristo e exprime a nossa como seguimento da dele, no padecer e passar à glória. No Catecismo de Pio X repetíamos: Deus criou-nos para o conhecermos, amarmos e servirmos nesta vida. Nesta Semana celebramos os três modos de viver:

1) Conhecermos, amarmos e servir a Deus e ao próximo. 2) Viver a amar, servir e sofrer: sofrimentos que podemos e devemos evitar; sofrimentos que podemos, mas não devemos evitar porque fazem parte do amar e servir; sofrimentos que não podemos nem devemos evitar: os sofrimentos incuráveis e do morrer. 3) Estes sofrimentos fazem parte da passagem do tempo-espaço para a eternidade gloriosa. Poderíamos dizer que a nossa existência vem do amor eterno de Deus, fora do tempo e espaço. Deus: “nos escolheu (em Cristo); antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele” (cf.Ef.1,4). Já antes da geração, éramos realidade, mas não no espaço e tempo. O espaço e o tempo terão começado com o que explodiu no Big-Bang, mas a ciência diz que não sabe se existia alguma coisa antes desse início e alguns dizem: nada (de experiência). Pelo corpo que recebemos, com a colaboração dos nossos pais, entramos no tempo e no espaço, para com o nosso sermos, alma e corpo, situados e temporizados, servirmos a Deus e aos irmãos, sofrermos, adoecermos e passarmos, morrendo e ressuscitando, à ressurreição da glória eterna onde, já fora das limitações do espaço e do tempo, amamos. Afinal, descemos à vida para amarmos, morrermos e ressuscitarmos.

A realidade, o existente, assume aspetos sensíveis, que se veem e experimentam, medem e pesam, no tempo e no espaço e são objetos de ciência; e aspetos transcendentes, fora do espaço e do tempo; estes atingíveis pela fé em Deus presente nessas realidades. A Semana Santa convida-nos a viver as realidades, umas conhecidas pela observação e ciências, e outras pela fé. Tanto a nossa origem, (donde vimos), como o nosso crescer, o nosso fazer o bem e o nosso sofrer e morrer, podem ser conhecidos ou pela ciência ou pela fé. E a liturgia da palavra guia-nos pela vida, paixão, morte e ressurreição de Cristo. Quando consideramos de onde vimos e para onde vamos (criação e ressurreição), só pela fé podemos conhecer essas realidades pela presença de Deus, fora do tempo e do espaço na visão feliz de Deus.

Alguns dizem que Deus não poderá realizar milagres alterando as leis de que dotou a sua criação no tempo e espaço. Mas isso não significa que não os possa fazer sem mexer essas leis, válidas cientificamente, para o tempo e o espaço. Deus poderá, na minha convicção, realizar as suas maravilhas e milagres nos miraculados (pondo-os pelo êxtase instantâneo) fora do tempo e do espaço, como parece ter feito com a ressurreição de Lázaro, em que essa passagem de ressurreição não foi definitiva para fora do tempo e do espaço, com a de Cristo e como será a nossa. Seria insensatez negar a Deus a possibilidade de Ele interagir, como Criador, com as realidades no tempo e no espaço, e fora deles.

Se perguntarem a um astrofísico: «que existia antes do Big-Bang?» Responderá: «nada». Mas logo acrescentará: se eu descobrir alguma coisa, direi. E terá razão porque a ciência ainda não viu nada. Como a ciência dirá: «nada», também, antes de um nós existirmos, por geração e nascimento: antes não somos ainda nada para a ciência. Mas pela fé, S. Paulo, com vimos acima, diz que Deus «nos escolheu antes da criação do mundo». Quantos biliões de anos? Há uns 13,8 biliões de anos!

E ficam as questões para meditarmos neste Tríduo Pascal: que éramos e donde vimos? Que somos e para onde vamos depois de morrer e ressuscitarmos? A ciência dirá: «nada, de parte nenhuma; nada, para lado nenhum». Mas a fé e o amor dirão: «pessoas, vimos de Deus pela criação; ressuscitados, vamos envoltos no amor de Deus, para a eternidade», fora do tempo e do espaço. Afinal, Jesus disse: «Ninguém subiu ao Céu, senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem» (Jo. 3, 7b-15). E subiu depois da ressurreição. Nós acreditamos que vimos do Céu por escolha do amor de Deus e subiremos ao Céu por promessa de Jesus. Boas Festas da Páscoa!

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Captura de ecrã 2024-04-17, às 12.19.04

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