Encontro Vicarial dos Milagres: “A educação tem que partir da criança”

No salão paroquial de Santa Eufémia, palco mobilado com sofás e mesinha à maneira da sala de estar de uma família, ali teve lugar o encontro vicarial presidido pelo bispo diocesano, D. António Marto, na sexta-feira, dia 27 de fevereiro, sobre a missão educativa da família e sua relação com a escola.

Participaram de forma interessada cerca de 200 pessoas, incluindo bastantes pais com os seus filhos, tendo estes uma ocupação própria.

O cântico inicial deu o tom ao serão: “A família é viver uns pelos outros, é dar sem esperar, abraço que se alarga e vai, sobre a terra e além do mar. Na família todos têm lugar”. D. António Marto orientou a meditação sobre a palavra de Deus antes escutada. Agradeceu a todos o “testemunho de amor à família” que a presença de cada um significava. Falando sobre a missão da família hoje, reconheceu que não é fácil e que, só por si, a comunidade doméstica não tem capacidade para a cumprir. Precisa por isso do apoio da sociedade, com “políticas amigas da família”, e da comunidade cristã, com iniciativas pastorais e ofertas espirituais oportunas. E concluiu: “Todos somos responsáveis pela missão da família”.

Família e escola em diálogo

O tema tinha sido previamente debatido nas 8 paróquias e também nas escolas de Amor, Caranguejeira e Milagres. A síntese foi apresentada por Albertino Rainho. Reconhece-se que os pais são os principais educadores dos filhos, mas para desempenharem esta missão precisam da colaboração da escola e de outros agentes. Família e escola são duas esferas distintas mas intersectadas. O diálogo e a colaboração entre ambas é indispensável para o bom fruto do processo educativo. Quando os pais se mantêm alheios à escola, é mais provável o insucesso escolar dos seus filhos. Para os pais colaborarem bem e oportunamente com a escola, esta deverá também ajudá-los sobre o modo e o tempo para o fazerem com efeitos positivos.

A problemática das novas tecnologias foi também refletida nos grupos paroquiais e das escolas. Reconhece-se que são “um mundo novo” tanto para os filhos como para os pais. Têm benefícios mas também acarretam riscos. Família e escola não podem ignorar esta realidade. Uma e outra devem colaborar numa educação informada e crítica do uso das novas tecnologias da comunicação e para prevenir dependência e outros malefícios.

“A escola tem que ensinar a ler a vida”

A Ricardo Vieira, investigador e professor na área da antropologia cultural e social da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, do Instituto Politécnico de Leiria, coube a missão de aprofundar o tema em debate. Lembrou que vivemos entre lugares variados e não apenas num e que em todos eles aprendemos. Defendeu por isso a necessidade de se ligarem mais as diferentes dimensões e lugares da nossa vida, numa continuidade que evite a fragmentação das pessoas e integre as diferentes aprendizagens.

Quanto à educação, na família ou na escola, defendeu que ela “tem que partir da criança”, envolvê-la de forma ativa e ouvi-la com o coração, tendo em conta a situação de cada uma. A criança não é um adulto em miniatura, “é um ser pensante”, mais, “é um sábio à sua maneira”. Quando entra na escola, não é uma tábua rasa, já aprendeu muita coisa. Não é simplesmente aluno, é uma pessoa. Por isso, na relação educativa, o professor tem que perceber a complexidade em que vive a pessoa do aluno. Defendeu a necessidade da cooperação de outros mediadores na ação educativa: o psicólogo, o assistente social, etc.

Centrando-se depois na família, o professor e pai referiu que ela é também uma escola de valores e de muitas aprendizagens essenciais à vida. Dado ser lugar de convivência de pessoas diferentes, é preciso prevenir e resolver os conflitos que aparecem. Nesse sentido, apontou sobretudo o diálogo e o respeito.

No diálogo que se seguiu, com algumas farpas às políticas educativas atuais, foi defendido que a escola não pode trabalhar sozinha, mas precisa da colaboração dos pais. E estes precisam de ser ajudados pela escola para terem participação construtiva e não perturbadora. O professor é mediador de aprendizagens e precisa de competências não somente científicas e pedagógicas mas também humanas e interculturais. Ricardo Vieira concluiu o debate afirmando que “a escola tem que ensinar a ler a vida” no seu todo.

No final, em resposta a uma pergunta, D. António Marto falou do contributo da espiritualidade no processo educativo, indicando que a fé é força interior, guia e motivação, fator de fraternidade e de sentido. É este sentido que está na base de tudo e anima quanto a pessoa vive e faz.

Houve ainda tempo para a confraternização à volta da mesa, neste longo serão. Mas nem por isso as crianças deixavam de estar despertas e de correr de um lado para outro. Muito se aprendeu nesta “escola” com a ajuda de muitos “mediadores de aprendizagens”.

 

Nos conflitos, ajuda a resolvê-los:

  • acalmar-se
  • escutar ativamente
  • linguagem do respeito, distinguir o problema da pessoa
  • respeito e escuta mútua
  • pedir desculpa quando se erra
  • propor soluções
  • procurar acordos.

Enfraquece a relação:

  • insultar
  • ameaçar
  • culpabilizar
  • acusar
  • desprezar/ridicularizar
  • julgar
  • ver apenas a nossa posição
  • etiquetar/desprezar
  • lutar

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