Encíclica “Laudato Si” apela à fraternidade e responsabilidade com toda a Terra

Foi publicada, no dia 18 de junho, a encíclica “Laudato Si” (Louvado sejas) – Sobre o Cuidado da Casa Comum”, do Papa Francisco, que tem como temática central a ecologia.

O Sumo Pontífice tece críticas ao desenvolvimento irresponsável e deixa um apelo para um esforço comum no combate à degradação ambiental e ao aquecimento global. O documento vem a tempo da Conferência do Clima das Nações Unidas, que vai juntar, no final deste ano, em Paris, líderes mundiais para discutir formas de combater o aquecimento global.

Nesta edição do PRESENTE (25-06-2015), poderá ver um trabalho alargado sobre os principais temas abordados pelo Papa no documento, assim como uma breve análise do léxico vocabular utilizado, que ajuda a sintetizar o núcleo do seu conteúdo.

Publicamos aqui parte desse trabalho.

 

Do aquecimento global e das alterações climáticas

É considerado “um consenso científico muito consistente” a respeito do “preocupante aquecimento do sistema climático”, acompanhado por um aumento do nível do mar, “sendo difícil não o relacionar ainda com o aumento de acontecimentos meteorológicos extremos”. Por isso, o Papa propõe uma mudança de fundo na relação da humanidade com o meio ambiente, alertando para as consequências já visíveis do aquecimento global e das alterações climáticas.

No documento, é contestado o modelo de desenvolvimento baseado no “uso intensivo de combustíveis fósseis”, que está no centro do sistema energético mundial e que o Papa diz ser possível superar através da substituição destes por fontes de energia renovável.

É ainda defendida a necessidade de uma redução de gases com efeito de estufa, o que “requer honestidade, coragem e responsabilidade, sobretudo dos países mais poderosos e mais poluentes”.

Face ao atual debate na comunidade científica e política, o Papa propõe que se siga o “princípio de precaução”, que permite a proteção dos mais fracos, com “poucos meios para se defender e fornecer provas irrefutáveis”.

 

De uma justiça social a nível global

A nova encíclica defende que as preocupações ecológicas têm de estar ligadas à promoção de uma maior justiça social a nível global, com o Papa a dar voz aos pobres de hoje, “que poucos anos têm para viver nesta terra e não podem continuar a esperar”. Pede-se uma maior “ética” nas relações internacionais, particularmente entre o Norte e o Sul, com respostas de “solidariedade” numa “opção preferencial pelos mais pobres”.

O Sumo Pontífice lembra também que os países em vias de desenvolvimento, “onde se encontram as reservas mais importantes da biosfera”, continuam a alimentar o progresso dos países mais ricos, ao mesmo tempo que alerta para a “deterioração do mundo e da qualidade de vida de grande parte da humanidade”, que afeta de modo especial “os mais frágeis do planeta”.

O Papa recorda que milhões de seres humanos se “arrastam numa miséria degradante”, enquanto outros “não sabem sequer que fazer ao que têm”, concluindo, por isso, que “o crescimento nos últimos dois séculos não significou, em todos os seus aspetos, um verdadeiro progresso integral”.

 

Do interesse financeiro versus interesse humano

No capítulo que tem como título “Política e economia em diálogo para a plenitude humana”, o Papa refere que os direitos e necessidades das populações estão acima dos interesses financeiros e do mercado. Ao mesmo tempo, critica o “paradigma tecnocrático” das sociedades atuais e adverte para as suas consequências sobre a economia e a política, pelas decisões “em função do lucro” que gera.

O Papa denuncia “a mentira” da disponibilidade “infinita” dos bens do planeta, acusando os poderes económicos de continuarem a justificar o atual sistema mundial, onde predomina a “especulação” sem respeito pela dignidade humana ou o meio ambiente.

Fala também da “salvação dos bancos a todo o custo”, em que a o preço é pago pela população, sem a contrapartida de uma reforma do sistema, apenas “reafirma um domínio absoluto da finança que não tem futuro e só poderá gerar novas crises”.

 

Dos maus tratos aos animais

O Papa condena os maus-tratos a animais e classifica de errada a visão dos outros seres vivos como “objetos”, que podem ser “submetidos ao domínio arbitrário do ser humano” e da natureza “como objeto de lucro e interesse”. Nesse sentido, a superioridade do ser humano não deve ser vista como “domínio irresponsável”, mas como “uma capacidade diferente que, por sua vez, lhe impõe uma grave responsabilidade derivada da sua fé”.

O Sumo Pontífice sustenta também que a “indiferença ou a crueldade” com as outras criaturas acabam por “repercutir-se no tratamento aos seres humanos”.

 

Da necessidade de valorizar uma “ecologia integral”

Para superar a crise ambiental, o Papa apela à valorização do ser humano, da natureza, da fé e da cultura para superar a atual crise ambiental. Francisco pede “um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida e uma espiritualidade” que consigam resistir ao “avanço do paradigma tecnocrático”. O Sumo Pontífice apela a uma “ecologia integral” que considera “inseparáveis” a preocupação com a natureza, a justiça para com os pobres, o compromisso social e a “paz interior”.

Propõe aos católicos uma espiritualidade ecológica e paixão pelo “cuidado do mundo”, assumindo a “vocação de guardiões da obra de Deus”.

A encíclica fala, por isso, em ecologia ambiental, económica, social e cultural.

 

Da preservação e do reconhecimento da vida humana

O Papa afirma que a preocupação pelo meio ambiente tem de estar “unida ao amor sincero pelos seres humanos” e a um compromisso social. Segundo Francisco, “uma vez que tudo está relacionado”, também não é compatível a defesa da natureza com a apologia do aborto ou de “experiências com embriões humanos vivos”.

O Sumo Pontífice condena a “compra de órgãos dos pobres com a finalidade de os vender ou utilizar para experimentação” bem como “o descarte de crianças porque não correspondem aos desejos dos seus pais”, ao mesmo tempo que considera preocupante constatar que alguns movimentos ecologistas defendem a integridade do meio ambiente, mas não aplicam estes mesmos princípios à vida humana.

A encíclica coloca a Igreja do lado contrário de quem acredita que o planeta está sobrepovoado ou defende um controlo populacional, criticando “pressões internacionais sobre os países em vias de desenvolvimento, que condicionam as ajudas económicas a determinadas políticas de “saúde reprodutiva”.

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