D. José Ornelas é nomeado bispo da diocese de Leiria-Fátima e toma posse no dia 13 de março

O cardeal D. António Marto publicou uma mensagem em jeito de saudação ao Bispo que vai substituí-lo no cargo que assumiu há quase 16 anos, no dia 25 de junho de 2006, data em que entrou na Diocese.

Depois do pedido que o cardeal D. António Marto fez ao Papa Francisco para tomar diligências no sentido de assegurar a sua sucessão na diocese de Leiria-Fátima, a Santa Sé oficializou hoje a nomeação de D. José Ornelas Carvalho. A indicação do pastor da Diocese já era aguardada, faltando apenas conhecer o nome do bispo designado para conduzir os destinos desta parcela da Igreja portuguesa.

Para comunicar aos diocesanos esta notícia, o cardeal D. António Marto publicou uma mensagem em jeito de saudação ao Bispo que vai substituí-lo no cargo que assumiu há quase 16 anos, no dia 25 de junho de 2006, data em que entrou na Diocese. É o próprio cardeal que anuncia a data da entrada de D. José Ornelas, que terá lugar na catedral de Leiria, no próximo dia 13 de março. Até lá, D. António Marto, de acordo com as indicações da nunciatura, assumirá o cargo de administrador apostólico.

Saudação de D. António Marto ao novo Bispo da Diocese de Leiria-Fátima
https://youtu.be/MHGF4pVdgsE

Como explica o até então bispo de Leiria-Fátima, foram duas as razões que o levaram a pedir ao Papa Francisco a renúncia do cargo. Em maio próximo, o cardeal completa 75 anos, que é a “idade que o direito canónico estabelece como limite destas funções”. A outra razão tem a ver com o “maior limite das forças físicas e anímicas para exercer adequadamente o cargo, face às exigências pastorais da Diocese e do Santuário de Fátima”.

A comunicação da vinda de D. José Ornelas foi para D. António Marto uma excelente notícia, sobretudo pela grande amizade e simpatia que os dois prelados nutrem um pelo outro. Também são exaltadas as qualidades humanas, intelectuais e pastorais do religioso, que iniciou o seu ministério sacerdotal na Congregação dos Padres Dehonianos. “O Senhor D. José Ornelas traz consigo uma riqueza enorme e única para imprimir um novo impulso à renovação pastoral da Diocese e do Santuário de Fátima”, afirma. Os elogios não se ficam por aqui e acrescenta que “é um bispo com ‘o cheiro das ovelhas’, de uma relação próxima e afável com o povo fiel de Deus, leigos, padres e membros da vida consagrada, aberto ao diálogo ecuménico e inter-religioso como também aos não crentes”.

Na mensagem, D. António Marto manifesta a sua intenção de continuar perto dos seus diocesanos, a quem agradece todo o carinho que lhe deram ao longo dos anos. Além disso, a sua crescente e cada vez mais forte ligação a Fátima fazem com que aquele santuário seja um dos seus destinos de eleição para a fase da vida que se segue.

D. José Ornelas © Agência Ecclesia

O que é um administrador apostólico?

A partir do momento em que o Papa atribui uma diocese a um bispo, é natural que aquele a quem sucede, deixe de ter o que o Código de Direito Canónico (CDC) chama de “poder ordinário, próprio e imediato”. No entanto, de acordo com o cânone 382 “o Bispo promovido não pode ingerir-se no exercício do ofício que lhe foi confiado, antes de ter tomado posse canónica da diocese”. Por outras palavras, D. José Ornelas só deverá entrar no exercício das suas funções a 13 de março, dia em que se apresentará na Diocese e dela tomará posse canónica.

Há quem estranhe o tempo relativamente exíguo entre o momento da nomeação e o da tomada de posse. Nesse pormenor, mais uma vez o CDC é claro e afirma que “o promovido ao ofício de Bispo diocesano deve tomar posse canónica da sua diocese (…) dentro de dois meses a contar da recepção das [letras apostólicas]” (N.R. Letras, do latim ‘litteris’, significa ‘cartas’).

Daqui resulta outra dúvida habitual: dado o intervalo de tempo entre a nomeação e a tomada de posse, a quem competirá o governo da Diocese? No caso concreto da diocese de Leiria-Fátima, a resposta a esta questão é dada por decreto da Congregação para os Bispos e comunicada pela nunciatura apostólica no momento em que anuncia a nomeação. “Ao mesmo tempo informo que Vossa Eminência está nomeado Administrador Apostólico para assegurar o governo ordinário da Diocese de Leiria-Fátima até à tomada de posse do seu sucessor”, pode ler-se na missiva enviada pelo núncio. Portanto, o cardeal D. António Marto deixa de ser o bispo diocesano — não deixando, naturalmente, o ministério do episcopado — para ser o administrador apostólico da Diocese com todos os direitos e deveres atribuídos aos bispos diocesanos, conforme se pode ler no decreto de nomeação.

Declarações de D. José Ornelas à Agência Ecclesia
https://youtu.be/gQCrw0Bps-c

Quem é D. José Ornelas?

D. José Ornelas Carvalho, filho de António Tomás Carvalho e Benvinda de Ornelas, nasceu a 5 de janeiro de 1954, no Porto da Cruz – Madeira – Portugal.

Concluída a escola elementar, foi aluno do Seminário Menor Diocesano do Funchal entre 1964 e 1967. Desejando ser missionário, pediu para ingressar no Colégio Missionário da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos), no Funchal (1967-1969), prosseguindo depois os estudos no Instituto Missionário, em Coimbra (1969-1971).

Depois de um ano de noviciado, emitiu a primeira profissão religiosa em Aveiro, a 29 de setembro de 1972. Após dois anos de estudos filosóficos, passou dois anos nas missões da Congregação em Moçambique (1974-1976), regressando, em seguida, a Lisboa, onde concluiu a Licenciatura em Teologia, na Universidade Católica Portuguesa (1979). Especializou-se em Ciências Bíblicas, em Roma e Jerusalém, concluindo com a Licenciatura Canónica no Pontifício Instituto Bíblico de Roma. Foi ordenado Presbítero na sua terra natal, Porto da Cruz, a 9 de agosto de 1981.

Regressado a Portugal, em 1983, foi docente assistente e secretário da Faculdade de Teologia de Lisboa. Dedicou-se depois a preparar o doutoramento em Roma e na Alemanha (1992-1996), obtendo o grau de doutor em Teologia Bíblica na Universidade Católica Portuguesa a 17 de julho de 1997. Na mesma Universidade, retomou as atividades docentes até 2003.

Na sua Congregação, foi Vice-Reitor do Seminário de Nossa Senhora de Fátima, em Alfragide, em paralelo com a atividade docente, e assumiu outros cargos no âmbito da Província Portuguesa dos Dehonianos, da qual se tornou Superior Provincial a 1 de julho de 2000. No Capítulo Geral da Congregação, foi eleito Superior Geral da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus a 27 de maio de 2003, cargo que ocupou até 6 de junho de 2015.

Foi nomeado Bispo de Setúbal a 24 de agosto de 2015. A sua ordenação episcopal teve lugar a 25 de outubro do mesmo ano, na Catedral da diocese sadina, onde tomou posse.

Em junho de 2020 foi eleito Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa. No dia 28 de janeiro de 2022 é nomeado Bispo de Leiria-Fátima.

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