D. António falou aos jovens na 1.ª pessoa

O Bispo da Diocese foi o convidado da III edição do “C’a Fé da Avó”, que decorreu no dia 7 de março, no Seminário Diocesano, numa iniciativa do Serviço Diocesano de Pastoral Juvenil (SDPJ) da diocese de Leiria-Fátima.

O encontro tinha hora marcada para as 21h00. Faltavam ainda dez minutos e o sorriso disponível e descontraído do Bispo já marcava presença. Um a um, D. António Marto fez questão de cumprimentar, pessoalmente, os jovens que já ocupavam os sofás espalhados pela sala. Em cima dos naperons, que ornamentavam as mesas, eram distribuídos bolinhos caseiros e café de cevada. Sugeriam um ambiente sereno e acolhedor e preparavam o tom familiar da conversa que estava prestes a começar. D. António ocupou o lugar de convidado que lhe estava reservado. Enquanto isso, aguardavam-se os últimos retoques técnicos que iriam levar a conversa, via internet, ao público que assistia a partir de casa. Caso pretendessem, poderiam também lançar questões através das redes sociais. Ali, as perguntas iam ser feitas por um elemento do SDPJ.

“A minha alegria vem dos genes da família e do ADN da fé”

D. António começa por agradecer o convite para o que apelida de “serão de conversa em família”. O ambiente descontraído contagia o discurso do Bispo que se assume como “uma pessoa feliz, que gosta daquilo que faz, que faz aquilo que gosta e que põe amor naquilo que transmite”. A alegria que tem, conclui, vem “dos genes da família e do ADN da fé”.

A ligação umbilical que tem às raízes torna-se evidente quando se declara “um transmontano cosmopolita, que preza as suas origens” e a importância que estas tiveram na pessoa em que se tornou. O modo afetuoso e caloroso com que vai respondendo às questões lançadas, refere, “vem das origens humildes” e do que diz terem sido, citando Miguel Torga, as “balizas humanas”. “Aqui as pessoas são mais reservadas”, declara, ao lembrar o momento em que chegou à Diocese de Leiria-Fátima. Mesmo assim foi, “com toda a delicadeza, bater à porta do coração das pessoas”. Regressa às suas raízes sempre que pode, mas as três horas de viagem que separam Leiria do Tronco – localidade do distrito de Chaves onde nasceu –, não lhe permitem muito mais que duas visitas anuais: uma no Natal e outra na Páscoa. Vai visitar a família que ainda lá mora e onde encontra o “calor do afeto” nos sobrinhos, no cunhado e na irmã mais velha que, ele diz carinhosamente, cuida de si “como uma mãe”.

A infância e a figura central do pai

“Estou aqui à vossa disposição”, anui o Bispo perante o convite que lhe é feito para que recorde a sua infância. Sente-se uma agitação na sala. Ouvir o pastor da Diocese a contar relatos da sua vida num registo pessoal é uma oportunidade que desperta na plateia uma atenção redobrada. Entre peripécias e recordações do tempo em que, depois das aulas, jogava futebol e ao peão, D. António vai abrindo as páginas da sua infância e juventude, ao compasso da intimidade gerada pelo espaço intimista.

A conversa prossegue a recordar a ida para o Seminário Menor em Vila Real, com 10 anos, depois para o Seminário Maior no Porto, com 20 anos, até aos estudos em Roma, aos 23 anos, e à ordenação como sacerdote naquela cidade. A decisão de ser padre não foi ao encontro das expectativas do pai, que imaginava uma carreira militar para o filho. Ao falar do pai, diminui a cadência das palavras. Nota-se que recorda com carinho os conselhos do pai. Lembra-se com exatidão das palavras que ele lhe disse quando foi ordenado padre e evoca-as comovido: “Meu filho, agora és padre, para mim és padre, só te peço uma coisa: que o poder não te suba à cabeça e que trates sempre bem os pobres e os humildes”. Conta uma lição de fé que dele recebeu, no momento em que pediu ao filho que o confessasse. Relembra que foi ao ouvir a confissão do pai que se apercebeu da simplicidade e genuinidade da fé. A centralidade da figura paterna na vida de D. António torna-se evidente quando o descreve como aquele que o “ensinou, com a vida a saborear o dom da fé”.  Assume que a “maneira de ser simples, o espírito de fraternidade e a generosidade para com os outros” foram características que lhe foram transmitidas pelas raízes familiares e que marcaram, de uma forma sólida, a sua personalidade.

Uma hora e meia depois o diálogo está a chegar ao fim. Há tempo ainda para se fazerem as perguntas de quem acompanhou, a partir da internet, aquele diálogo. O Bispo responde com a mesma disponibilidade. No final da conversa, entre uma chávena de café e um bolinho, é altura de um convívio entre o ilustre convidado e aqueles que ali estiveram para o conhecer melhor. D. António termina como começou, percorrendo a sala e desejando, pessoalmente, uma boa noite a cada um.

 

C’a Fé da Avó

Em cada sessão do “C’a Fé da Avó”, um convidado vem partilhar, num diálogo informal, as vivências de fé que teve em família. O encontro tem lugar no Seminário Diocesano. O próximo “C’a Fé da Avó”, que será o último a realizar-se neste ano pastoral, está agendado para 16 de maio, às 21h00. O convidado será revelado oportunamente na página de internet www.sdpjleiria.com.

Na edição desta semana (13.04.2014) do semanário diocesano Presente Leiria-Fátima poderá encontrar uma reportagem mais alargada, com testemunhos de participantes e algumas das curiosidades reveladas pelo Bispo diocesano. O encontro foi transmitido em direto, via internet, estando o respetivo vídeo disponível online.

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