Ciências e cientismos; fé cristã e religiosismos, na pandemia

O cientista pode ter fé e opinião acerca dos assuntos de fé; e o crente saber e ter opinião nos temas de ciência.

O confinamento dá para refletir, ler, escrever, comunicar e rezar. Sobre a pandemia temos textos científicos, históricos, religiosos, etc. A ciência dura convida a confiar no poder, mas não faltam incertezas e contradições que aumentam o medo e geram conflitos e conspirações. Agrada ler e refletir sobre textos de Edgar Morin, José Gil, Hubert Reeves, Rentes de Carvalho, Carlos Fiolhais (DN28.03.20) e outros. O texto excecional de Fiolhais valoriza a ciência dura face ao codiv-19. Sem ela ficaríamos desarmados. Todavia, não faltam incertezas, contradições e conspirações. Talvez haja líderes religiosos a fazer cedências e a deixar entre parênteses o valor do recurso à fé cristã, celebrações e oração durante esta tribulação. Será que se deixam instrumentalizar perante as pretensões anticristãs de que a fé cristã não conta? Serão apenas conspirações, quando há processos em tribunais contra alegadas infrações às constituições dos países? A ciência dura não é de confundir com outras ciências nem com cientismos ideológicos. E importa distinguir também a fé cristã doutros religiosismos. As confusões não ajudam e menos ainda em tempo de pandemia e de alegadas conspirações de controlo persecutório contra a liberdade religiosa da Igreja. Como diz o papa Francisco aos da Comunicação Social (cf. Mensagem… 24.01.2020) só a verdade responde a fake news e alegadas conspirações que podem até ser factos ocultados. A clareza estende-se à distinção do campo da ciência e da fé cristã. As ciências de evidência aplicam-se ao espaço-tempo, ao passo que a fé cristã revelada abrange o todo da vida humana, no espaço-tempo e na relação com o Deus Criador no antes e depois do espaço-tempo, e na ressurreição e vida eterna. Os cientistas lidam com evidências e deparam com muitas incertezas nesta pandemia que convidam a atitudes de humildade. Conhecer (scire,) é da ordem do científico; a humildade, o amor, a bondade entram no sentido da vida e da fé religiosa. Os compartimentos  estanques – aqui o conhecer e fazer; ali o ser bom e justo; aqui a competência, ali o amor – não concorrem para o bem comum. A sociedade organizada, científica pode ser competente, e falhar na responsabilidade e honestidade, na inteireza moral e interesse sincero pelo bem comum. A prática de fé cristã, por princípio, integra o respeito pela verdade e pelo bem comum. Note-se que os acusadores de Deus, nesta pandemia, apontam a contradição entre o seu poder e a sua bondade. Ele tem poder mas não é bondoso porque deixa morrer os infetados e podia curá-los. Não cura, só pode ser mau ou não existir. Este pensar é lógico num horizonte espaço-tempo fechado. Deus devia curar agora, neste tempo e neste lugar. Não cura, não ama, não existe. Deus seria só isto, um ser do aqui e agora. O codiv-19 veio lembrar a morte e a Além tão anestesiados pela cultura do só aqui e já. A morte entra no campo do saber científico, mas não na vida além-morte. Que um teólogo católico diga em relação à doença, sofrimento e morte que Deus, o Bondoso, manifestado em Jesus Cristo, ainda não disse a última palavra, soa a língua desconhecida. O que é isso, última palavra, se eu estou a morrer, agora, e se morro, acabou-se? E muitos cientistas nem sempre explicam os limites da sua disciplina: de peso e medida, causas e efeitos evidentes, no espaço-tempo, em que se pode confiar (caso a caso). Para além do espaço-tempo a ciência não tem saber; o assunto é de fé, de acreditar. E a fé-confiança de uns pode ou não coincidir com a fé doutros. Pode-se acreditar como um criança de dois ou três anos acredita no Pai e na Mãe quando lhe dizem que um deles vai estar ausente um mês; e que continua a amá-la e virá novamente para estar com ela. E a criança vai viver esta mensagem com fé humana; e vai ser ajudada nessa fé-confiança por outros familiares. A fé cristã é mais abrangente que as ciências; abrange o antes e o tempo desde a chegada do primeiro homem a esta “casa comum” (a terra); e o depois da morte. Jesus Cristo ensinou o “Pai Nosso”, resumo da fé cristã (Mt 6,913) e pediu que fôssemos como crianças (não iguais) para entrar no reino de Deus, com fé-confiança nEle, (cf. Mc 10, 15). É uma adesão de confiança razoável no Pai do Céu. O cientista pode ter fé e opinião acerca dos assuntos de fé; e o crente saber e ter opinião nos temas de ciência. Nem se exclui que no espaço-tempo, um e outro, tenham surpresas não científicas, as surpresas de Deus, como já tiveram muitos que “nasceram de novo”, os convertidos à fé cristã. O Espírito sopra donde quer (cf.Mt Jo 3 7-15). E o sinal dado por Cristo (Mt 16,4) é a sua ressurreição e a nossa; tema de fé que as ciências apenas podem balbuciar e os cristãos acreditar porque Jesus Cristo o disse. A assim com fé cristã vivida a experiência de pandemia pode ser muito diferente.

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