Carta ao Papa

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As minhas saudações fraternas

Neste dia em que celebramos a festa da Cadeira de São Pedro, depois de ter celebrado Eucaristia e termos rezado por Sua Santidade, senti vontade interior de lhe escrever uma cartinha. É a primeira vez que o faço.

Gostaria de lhe dizer que muito o admiro, desde que começou o seu pontificado. Pela simplicidade da sua linguagem e, ao mesmo tempo, pelo seu grande sonho de fazer uma Igreja mais humana, mais próxima e mais renovada. Sei que tem feito todos os esforços para que isso seja uma realidade. O que lhe agradeço.

Fiquei maravilhado pela sua primeira Exortação Apostólica “A Alegria do Evangelho”. Um verdadeiro programa missionário e de evangelização para uma pastoral renovada. Disse o essencial que ainda hoje tem toda a actualidade. Sinto muito que rapidamente tenha sido esquecida e pouco se tenha feito para a levar à prática duma nova postura pastoral. Agradeço-lhe imenso esse texto que será sempre para mim uma referência e um programa pastoral para a minha vida missionária.

Aprecio grandemente os seus imensos gestos de pastor universal e a sua grande vontade de lutar por esquemas antigos que precisam de renovação e de novos caminhos. Acredite que o acompanho nesta luta reformista da nossa Igreja. Infelizmente há muitos que resistem às suas reformas e tristemente as maiores resistências vêm de dentro da nossa Igreja.

Gosto imenso da sua coragem profética de dizer as coisas sem rodeios. E a sua coragem de falar para dentro da própria Igreja, sobretudo para nós sacerdotes e bispos, a fim de deixarmos esquemas clericalistas e outros que são nefastos para uma Igreja próxima e servidora. O clericalismo é uma grande praga que está dentro de muitos sacerdotes. E por incrível que pareça, em padres mais jovens.

Permita-me mais duas coisas.

Dizer-lhe que a sua declaração “fiducia supplicans” sobre as bênçãos dos homossexuais foi algo fora do tempo e sem grande sentido, e matéria que não tem qualquer prioridade pastoral. Só veio complicar as coisas. Acho muito sinceramente que o nosso respeito pelos homossexuais não deve passar por bênçãos nem por quaisquer aprovações. A homossexualidade, e os seus comportamentos, uniões e afins devem ser reprovados. Fico muito triste quando no seio da nossa Igreja temos um forte “loby gay” entre bispos e padres. Isto deveria ser denunciado e estes padres e bispos afastados.

Gostava de lhe fazer um pedido muito concreto para combater uma das raízes fortes do clericalismo. Proibir duma forma total a celebração das missas tridentinas. Se já tivemos o Concílio Vaticano II, com a reforma litúrgica, para quê continuar com um rito que está completamente desfasado da realidade e que apenas serve, na maioria dos casos, para dar poder aos padres mais clericalistas que temos.

Uma preocupação pastoral muito concreta e urgente. Equacionar realisticamente o acesso à comunhão eucarística aos casais recasados que levam uma vida fortemente empenhada com a comunidade cristã e na vivência da sua fé.

Sua Santidade, peço a sua bênção carinhosa e receba a minha comunhão eclesial e orante por si e pela sua grande missão.

Um abraço fraterno e sempre em comunhão.

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