Automação inteligente

A automação inteligente é, sem dúvida, o futuro do trabalho, e as empresas que renunciarem à sua adoção terão dificuldade em permanecer competitivas nos seus mercados.
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A IA tem afetado quase todos os setores da economia e, em geral, pode ser usada de duas maneiras. Uma é a automação, ou seja, usar a IA para substituir pessoas em determinadas tarefas. A outra forma é aumentar, ou seja, usá-la para expandir a inteligência do ser humano e a capacidade de fazer certas tarefas.

POR AGOSTINHO ABRUNHOSA

No mundo acelerado de hoje, a automação é essencial para a competitividade empresarial. Segundo a Zapier 1) “94% dos trabalhadores diz realizar tarefas repetitivas e demoradas nas suas funções” e “66% das PMEs diz que a automação é essencial para o negócio”.

Um estudo do mercado laboral português mostrou que 50% do tempo despendido em tarefas laborais é suscetível de ser automatizado 2). Recentemente a inteligência Artificial (IA) veio dar um novo impulso à automação. Segundo a McKinsey, a AI pode automatizar 50% das tarefas e diminuir em 70% a jornada de trabalho.

A IA tem afetado quase todos os setores da economia e, em geral, pode ser usada de duas maneiras. Uma é a automação, ou seja, usar a IA para substituir pessoas em determinadas tarefas. A outra forma é aumentar, ou seja, usá-la para expandir a inteligência do ser humano e a capacidade de fazer certas tarefas.

Quando se fala em aumentar, não é substituir, é complementar. As pessoas e a IA podem colaborar e fazer melhor. É comum pensar que são duas coisas separadas: usar IA para automação ou para aumentar. Mas não estão necessariamente separadas. Na verdade, estão interligadas entre si e são interdependentes.

Automação

A automação tem evoluído ao longo das décadas e é um conceito multifacetado e com várias ferramentas. Envolve a automação de processos combinando tecnologias, como a robotic process automation (RPA), formulários digitais, reconhecimento ótico de caracteres (OCR), reconhecimento inteligente de caracteres (ICR), gestão de workflows, mecanismos de natural language processing (NLP) e machine learning (ML), para alcançar objetivos organizacionais.

A análise de pedidos de créditos, a produção de carros e o controlo de qualidade podem ser acelerados, feitos em contínuo e com maior precisão. Os armazéns robotizados da Amazon são um exemplo conhecido. É uma resposta complementar e uma nova capacidade estratégica de gestão.

Automação vs AI

A IA e a automação estão a revolucionar o trabalho, mas não são sinónimos. Cada uma oferece várias funcionalidades e benefícios:

A automação depende de regras estabelecidas por pessoas. A IA foi concebida para operar de forma mais autónoma à medida que aprende e se adapta.

A automação concentra-se em tarefas repetitivas para libertar pessoas de atividades demoradas. A IA desenvolve inteligência para reconhecer dados e insights relevantes para tomar decisões.

A automação é usada há anos nos negócios, desde os primórdios da produção automóvel. A IA é mais recente e pode ser combinada com a automação para potenciar os seus benefícios.

Automação pela IA no local de trabalho

À medida que a IA se expande no local de trabalho, o seu impacto e presença variam muito, desde orientações para propostas comerciais ao desenvolvimento de novas plataformas tecnológicas. Embora os gestores estejam a procurar métodos de integrar a IA no trabalho, estudos mostram que apenas 8% das empresas estão preparadas para a adoção em toda a organização. Não é simples nem é plug-n-play.
As organizações que pensam implementar e beneficiar da IA e da automação devem aprofundar o seu pensamento em duas áreas:

A liderança deve estar disposta a encontrar um equilíbrio entre as decisões de cima para baixo e a tomada de decisão baseada em algoritmos, em vez de apenas recorrer à ideia de “um ou outro”.

As organizações devem tornar-se mais ágeis e abertas à aprendizagem e à experimentação. O sucesso da automação da IA vem através de uma série de pequenas iterações que só podem ser possíveis quando a organização está disposta a falhar ao longo do caminho.

Como a IA e a automação afetam o trabalho?

Muitos robôs já ocupam o lugar de humanos e espera-se que isso se intensifique. Seja na forma de computadores, máquinas ou robôs. As vantagens da automação incluem: custos de mão de obra mais baixos, aumento da produção e o elevar dos padrões. No entanto, apresenta também dificuldades, como a necessidade de reconversão profissional e de mudança profissional.

O conceito de IA continuará a revolucionar as nossas vidas e a fazer atividades que antes eram consideradas impossíveis. Como resultado, as empresas podem automatizar partes de suas operações com muito menos pessoas. A popularidade da automação está a crescer significativamente, por exemplo na indústria.

Indústria 4.0

Embora a mecanização e os robôs já sejam utilizados nas indústrias produtivas há décadas, a IA trouxe novas possibilidades a setores não fabris como a saúde, finanças e retalho. Com a integração de novas tecnologias como machine learning e NLP, a IA consegue agora realizar tarefas complexas anteriormente consideradas desafiantes, como análise de dados, tomada de decisões e atendimento ao cliente, aumentando a eficiência e a qualidade dos resultados.
Com a Indústria 4.0, a automação ganhou uma importância ainda maior. As tecnologias características desta era, incluindo a IoT, análise de big data e IA, possibilitaram desenvolver sistemas de produção altamente flexíveis e adaptáveis, capazes de responder de forma rápida às mudanças do mercado. Esta evolução transformou indústrias, permitindo níveis inéditos de eficiência, produtividade e lucratividade. A automação permeia todas as áreas da atividade empresarial, desde a produção ao marketing, gestão de clientes, operações logísticas e recursos humanos.

Automação e inovação tecnológica

A evolução da automação reflete um salto significativo de máquinas básicas para sistemas complexos integrados. Inicialmente centrada na produção, a automação expandiu-se para os escritórios incorporando sistemas inteligentes. Existem diferentes tipos de automação, cada um com suas características e aplicações: automação rígida, utilizada em grandes produções com dificuldade de alteração pós-instalação; automação programável, adaptável a diferentes configurações de produtos e pedidos; e automação flexível, que se adapta rapidamente às mudanças de produção. Com a evolução tecnológica, a automação tornou-se essencial nas operações empresariais.

A robotic process automation (RPA) é um exemplo notável dessa evolução, onde o software é projetado para replicar ações humanas em processos digitais, operando ininterruptamente e com precisão. O RPA não apenas reduz custos, mas também contribui para a transformação digital das empresas.

As tecnologias de automação têm permitindo operações remotas, melhorar a produtividade, modelos preditivos e bots de atendimento, como os usados pela H&M e a Sephora. Apesar dos benefícios consideráveis, a automação também traz desafios, como a substituição das pessoas e a necessidade de reconversão dos colaboradores, exigindo grandes esforços de formação e adaptação profissional.

O lado negro

Embora a IA e a automação tenham trazido avanços consideráveis, há poucos estudos sobre os seus possíveis malefícios. É preciso estudar mais, especialmente em relação aos impactos psicológicos da automação nas pessoas e as implicações da crescente complexidade dos processos de automação.

Um dos desafios éticos mais importante da automação alimentada por IA é a questão da privacidade, devido à dependência da recolha e análise de dados. Há uma necessidade urgente de explorar os riscos de privacidade e desenvolver estruturas robustas para proteger informações pessoais.

Outra área de investigação é o viés nas ferramentas de automação de IA. À medida que estas ferramentas se tornam mais comuns, cresce a preocupação com o reforço de vieses presentes nas dados de base, exigindo investigações sobre técnicas de deteção e mitigação de enviesamentos. A responsabilização em casos de erros ou resultados adversos é outra área relativamente inexplorada, necessitando de mecanismos de transparência e explicabilidade para melhor supervisão e entendimento dos processos de automação de IA.

Equilibrar a IA, a automação a interação humana

As pessoas estão a encontrar maneiras inovadoras de utilizar a IA no local de trabalho para aumentar a produtividade e a eficiência dos negócios. Uma das questões mais preocupantes é o fenómeno da alucinação da IA, que é quando as ferramentas de IA geram resultados plausíveis, mas factualmente imprecisos ou não relacionados. Uma reportagem da CNN revelou que tiveram de ser feitas correções em dezenas de notícias geradas por IA, incluindo edições consideradas “substanciais”. A supervisão humana da IA é crucial. Os benefícios do uso de ferramentas de IA podem ser anulados se os dados fornecidos pela IA estiverem incorretos ou mal calculados ou se uma notícia publicada online sem supervisão humana tiver erros factuais.

As empresas e os indivíduos precisam de pesar os prós e contras antes de implementar a IA. No entanto, parece não haver fim para as possibilidades da IA, e os líderes de todos os setores estão a interrogar-se como a IA afeta e desafia os seus negócios.

Automação inteligente

O valor da automação inteligente no mundo de hoje é inquestionável. Os gestores devem focar-se nos elementos mais humanos do trabalho para manter a motivação, concentrando-se nos pontos fortes e capacidades das pessoas. A automação exporá lacunas de competências na força de trabalho que se devem adaptar a ambientes de trabalho em constante mudança. A gestão deve apoiar estas transições para que mitigue a ansiedade garantindo a resiliência organizacional durante estes períodos de mudança.
A automação inteligente é, sem dúvida, o futuro do trabalho, e as empresas que renunciarem à sua adoção terão dificuldade em permanecer competitivas nos seus mercados.

1) https://zapier.com/blog/state-of-business-automation-2021/
2) Automação e futuro do emprego em Portugal. McKinsey Global Institute, 2018.
3) Building the AI-Powered Organization. Harvard Business Review, 2019.

Sobre a ACEGE

A ACEGE é uma associação sem fins lucrativos, com cerca de 1.200 líderes empresariais cristãos que procuram, através do seu trabalho, a promoção da dignidade de cada pessoa e a construção do Bem Comum.

Para além da formação dos seus associados a ACEGE desenvolve um conjunto de programas nas empresas, que envolve mais de 2.500 empresas de todos os sectores e dimensões na área da ética; conciliação família e trabalho; pagamentos pontuais e combate à pobreza nas empresas. A associação foi constituída em 1952, foi declarada de utilidade pública e distinguida pelo presidente da república com a ordem de mérito empresarial.

Presidente Direcção; João Pedro Tavares Secretário-geral: Jorge Líbano Monteiro

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