Assembleia Sinodal Diocesana debate a autoridade e a burocratização da Igreja

Estas temáticas foram referidas amiúde pelas respostas recebidas pela comissão diocesana, que refere existirem "muitas resistências em superar a imagem de uma Igreja rigidamente dividida entre líderes e subordinados, entre os que ensinam e os que têm de aprender".

Na última reunião dos trabalhos da Assembleia Sinodal realizada no dia 21 de maio foi atribuído a todos os grupos o mesmo tema: participar, discernir, decidir. Em cima da mesa, estavam três questões muito específicas, referentes à estrutura da Igreja: a autoridade, o conselho pastoral paroquial e a avaliação e prestação de contas. Estas temáticas foram referidas amiúde pelas respostas recebidas pela comissão diocesana, que refere existirem “muitas resistências em superar a imagem de uma Igreja rigidamente dividida entre líderes e subordinados, entre os que ensinam e os que têm de aprender”.

Autoridade

Algum dos elementos do grupo relataram experiências de falta de diálogo da parte do padre que, regra geral, assume todas as decisões da sua paróquia, ignorando as sugestões e descartando a colaboração dos seus paroquianos. “Um padre às vezes tem autoridade demais, devia ter mais abertura, devia estar mais próximo da paróquia”, lamentou um dos presentes.

Embora isto seja uma realidade, é também o resultado da visão errada e clericalista que os leigos têm da Igreja. “Muitos cristãos sentem-se cómodos com esta maneira de estar, porque não querem responsabilizar-se e participar ativamente na pastoral das suas comunidades”, contrapôs alguém.

A solução passará por criar condições para que cada um possa integrar de forma efetiva a sua comunidade e participar em corresponsabilidade nos destinos da sua paróquia. A par desta sugestão, é necessário alargar o leque dos atores pastorais, e não delegar responsabilidades sempre nas mesmas pessoas.

“Os pastores deve assumir-se como pastores”, concluiu o secretário do grupo, na resposta que enviará à comissão.

Conselho Pastoral Paroquial

Relativamente aos conselhos pastorais paroquiais, constata-se que tem havido cada vez mais uma preocupação para que haja este organismo em todas as paróquias. Esse crescente interesse é também proporcional à evolução do desempenho das suas funções, significando que tem havido uma aprendizagem constante, pelo que há muitas caminho a fazer.

Uma das lacunas verificadas é a existência de espaços de partilha nesses conselhos. “Tem que se ir para além dos aspetos formais; há mais vida para além da ata com que se termina uma reunião”, afirma um dos presentes e que passa por cada membro apresentar aquilo que o movimento ou serviço que representa faz.

A tendência de burocratizar a atividade pastoral, encontra em muitos dos conselhos pastorais um exemplar acabado. É por isso que, no documento que a comissão diocesana partilhou entre os delegados, é informado que “em metade das respostas recebidas, a comunidade diocesana afirma que ‘nunca ouviu fala’, ‘não conhece’, ‘não sabe se existe’, não sabe se funciona’ ou ‘não sabe para que serve'”. É por isso que o grupo onde estivemos é de opinião de que deve haver uma maior informação aos fiéis relativamente à importância, existência e atividade deste órgão eclesial.

Prestação de contas

“Não é feita a avaliação e quando é feita, resume-se à apresentação de um papel”, admitiu um dos presentes, a que se contrapuseram outros elementos que experimentam realidades diferentes nas suas comunidades, mesmo no que diz respeito às contas.

“A avaliação vai muito mais além da prestação das contas”, considerou um paroquiano da Marinha Grande. A afirmação vai ao encontro das conclusões da comissão quando afirma que “não existe uma cultura nem uma prática de avaliação na Igreja”, acrescentando que “quando há incumprimento, não existe responsabilização”.

Alguém sugeriu que as paróquias tivessem o hábito de promover periodicamente inquéritos estruturados, em que cada pessoa tivesse a oportunidade de partilhar a sua avaliação para depois se tirarem conclusões que orientem a prática futura.

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