Advento 2023

Tinham combinado encontrar-se naquele sítio ermo a uma determinada hora, mas o seu amigo estava muito atrasado.
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Tinham combinado encontrar-se naquele sítio ermo a uma determinada hora, mas o seu amigo estava muito atrasado.

Realmente o local de encontro não era o mais aconselhável e ele, ali sozinho e com o cair da tarde, ia ficando muito apreensivo, para não reconhecer que no fundo tinha algum medo.

Já se podia ter ido embora, mas tinha ficado num impasse entre esperar e ter companhia e ir embora sozinho, o que não lhe agradava de todo, pois o caminho de regresso estava cheio de eventuais perigos.

Chamou a si todas as suas forças e argumentos racionais e tentou descansar o seu coração, mas a ansiedade e o receio estavam mesmo a tomar conta dele.

Sentiu no peito balançar a cruz que sempre trazia num fio, muito mais por rotina do que por devoção, e pensou que era bem bom se Deus ali estivesse com ele.

Um pouco mais de espera e “arriscou” uma oração, coisa a que nem sequer estava habituado.

“Ó Jesus, se me ouves, vem fazer-me companhia e traz-me paz e alento ao coração, porque eu sinto-me sozinho aqui neste fim de tarde.”

Estranhamente, pensou ele, sentiu uma espécie de tranquilidade, uma espécie de força que, embora não tivesse afastado todo o receio que ele sentia, lhe dava alento para continuar a esperar.

Curiosamente parecia-lhe agora não estar ali sozinho, mas esse pensamento longe de ser assustador, era calmante e acolhedor, por isso rezou novamente.

“Ó Jesus não sei o que fizeste nem como fizeste, mas sinto-me agora mais calmo e até parece que estás aqui junto de mim.”

Bem, pensou mais uma vez, se o meu amigo não vier entretanto, vou-me embora porque já esperei tempo que chegasse por ele.

Passado cerca de um quarto de hora, decidiu que já chegava de espera, e começou a caminhar no regresso a sua casa.

À medida que caminhava e se aproximava de locais onde já não havia tanto a temer, ia reflectindo para si próprio, dizendo interiormente:

Afinal o amigo por quem esperava não apareceu, mas parece-me que Jesus, a quem eu não esperava, se fez presente, não sei como, e fez-me companhia dando-me paz e descanso.

Sentiu uma voz dentro de si que lhe dizia:

Tens a certeza de que não Me esperavas? Não tens andado ultimamente, agora que se aproxima o Natal, a perguntar-te se realmente Eu existo e se estou convosco?

Cada vez mais agradavelmente admirado, respondeu:

Realmente tenho pensado muito nisso e até esperado que no Natal alguma coisa mudasse em mim, e na minha relação conTigo, Jesus.

E a resposta logo surgiu:

Vês, quem espera por Mim sempre alcança, porque Eu me faço sempre presente para todos os que por Mim esperam. Dá-me a mão e caminhemos juntos o teu caminho da vida.

Sentiu de uma forma inexplicável a presença de Jesus junto de si e consigo, mas assustou-se quando percebeu que alguém lhe tocava num ombro.

Voltou-se surpreendido e deu de caras com o seu amigo por quem tanto tempo tinha esperado.

Abraçou-o fortemente, coisa que deixou o outro surpreendido, e disse-lhe:

Obrigado por me teres feito esperar tanto tempo, porque durante esse tempo de espera, Aquele que eu julgava não esperar, veio afinal ter comigo e fez-se presente em mim.

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