Adoração eucarística

O culto eucarístico não se limita só ao momento da celebração da Missa, mas estende-se para além disso em muitas formas que manifestam a fé e a oração do povo cristão.
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Com a reforma do II Concílio do Vaticano, que recuperou a centralidade da celebração da Eucaristia na vida da Igreja, mudou a perspectiva sobre o culto eucarístico fora da Missa, como temos vindo a referir.

No pós-concilio, entre outros documentos sobre o culto eucarístico fora da Missa, é particularmente relevante o Directório sobre a Piedade Popular e Liturgia, publicado pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, no final de 2001. 

No número 161, se encontram os critérios que orientam a devoção eucarística. Ali se afirma que: 

1- “a referência suprema da piedade eucarística é a Páscoa do Senhor; com efeito, a Páscoa, segundo a visão dos Padres, é a festa da Eucaristia, assim como, por outro lado, a Eucaristia é antes de tudo uma celebração da Páscoa, isto é, da paixão, morte e ressurreição de Jesus;”

2- “toda a forma de devoção eucarística tem uma referência intrínseca ao Sacrifício eucarístico, seja porque dispõe para a sua celebração, seja porque prolonga as orientações culturais e existenciais que suscita”.

E a terminar o mesmo número, o Directório recorda a advertência do Ritual Romano: “quando os fiéis veneram a Cristo presente no Sacramento, devem lembrar-se que esta presença deriva do Sacrifício e tende à comunhão sacramental e espiritual”.  

A adoração eucarística introduz-nos no coração do Mistério Pascal e as formas concretas desta adoração devem respeitar sempre a centralidade da presença de Cristo. Destes dois critérios se deduzem as normas concretas que regulam as diferentes práticas de piedade eucarística, indicadas nos números seguintes (162-165).

Tendo em conta a relação íntima entre a Palavra e a Eucaristia, em que somos convidados a participar da dupla mesa da Palavra e do Pão e do Vinho, a oração perante o Santíssimo Sacramento deve dar um espaço especial à Palavra de Deus. 

Já em 1967, a Instrução Eucharisticum Mysterium (n. 66) recomendava que “fosse reservado um tempo adequado, segundo a oportunidade, para leituras da Palavra de Deus, cânticos, orações e para a adoração silenciosa…”; propondo, assim, dois momentos para o tempo de adoração, como na celebração eucarística, pois o critério de verificação da adoração eucarística é a celebração da Missa, e não o contrário.  

A adoração é um acto interior, que tem lugar nas profundezas mais íntimas e escondidas da pessoa, no seu coração, mas que se traduz, tanto a nível pessoal como comunitário, em gestos e palavras. No seu diálogo com a Samaritana (Jo 4,7-26), Jesus proclama a inauguração de um culto “em espírito e verdade” (Jo 4,23). Sob a acção do Espírito, adoramos o Pai naquela “verdade” que é o próprio Jesus, o qual viveu em total doação ao Pai, culminando no sacrifício da Cruz. 

Em conclusão, o culto eucarístico não se limita só ao momento da celebração da Missa, mas estende-se para além disso em muitas formas que manifestam a fé e a oração do povo cristão e constituem radiações vivas e eficazes da celebração da Eucaristia. 

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