Adolescência

A adolescência é o momento de nos confrontarmos com a vocação. Temos, pais e filhos, formadores e formandos, de a reconhecer e compreender (aqui está o enigma) que somos livres de a abraçar ou de a rejeitar.

Vamos entrar no mês de maio. Gradualmente, passaremos do confinamento protetor às saídas progressivas e responsáveis pós Covid-19.

Estaremos preparados para entrar na “vida adulta” após este período de “adolescência”? 

Como sabemos, chama-se adolescência ao período de tempo que a pessoa leva a passar da infância para a idade adulta. Esse período varia de pessoa para pessoa e costuma ser difícil para a criança e para quem a rodeia (pais, irmãos, professores) por ser uma fase da vida em que o jovem começa a tomar consciência de que algo está a mudar, mas sem compreender. Vê que o seu corpo, o exterior, muda, mas entende que essas diferenças, e as novas forças que brotam, a compreensão ou tomada de consciência, mais a inteligência e a vontade, o levarão a querer ser responsável, ou não, pela sua vida e pela vida de milhões de pessoas. E não exagero.

Durante a nossa “infância” com o Covid-19, o ar tornou-se mais limpo de poluições, e muita limpeza chegou também ao espírito daqueles que souberam olhar para fora de si. É nesta capacidade de “olhar para fora” que gostaria de me deter, tomando como base os pais de um adolescente. Refiro-me a S. José, recordado como trabalhador a 1 de maio, a Maria, festejada por todo este mês como mãe, e a Jesus, o adolescente que fugiu da família para o templo. Estas três figuras, com os seus comportamentos durante esta “crise” da adolescência do Filho, devem ser nossas inspiradoras nas crises de adolescência.

A primeira realidade da adolescência chega com um comportamento inesperado e desconcertante: o filho fugiu, não sabemos onde está e, quando o descobrimos, parece outro. Jesus desapareceu da caravana como criança e é encontrado no templo, a falar como adulto, entre os sacerdotes e doutores da lei. Justifica-se face à preocupação de seus pais: “Não sabíeis que Eu tenho de estar em casa de Meu Pai?” (Lc. 2, 49), mas volta com eles para Nazaré e age como os pais esperavam, obedecendo-lhes.

A adolescência é o momento de nos confrontarmos com a vocação. Temos, pais e filhos, formadores e formandos, de a reconhecer e compreender (aqui está o enigma) que somos livres de a abraçar ou de a rejeitar. Como verdadeiro homem, Jesus foi adolescente, e recordou a Maria e a José que tinha vindo ao mundo com uma missão: fazer a vontade do Pai. 

Depois… “Depois, desceu com eles, veio para Nazaré e era-lhes submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. E Jesus ia progredindo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.” (Lc. 2, 51-52). Estes dois versículos do Evangelho de S. Lucas resumem a história da adolescência de Jesus. Aí está descrito como deve proceder o adolescente que ainda está em crescimento e como se devem comportar os seus pais. É próprio do adolescente crescer, progredir em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens, na companhia dos pais e obedecendo-lhes, enquanto os pais atentos “guardam todas estas coisas no seu coração” mesmo sem compreenderem. É importante guardar e proteger, mas no coração. Quem ama chega a compreender a vocação do “filho” (seja filho, discípulo ou orientado espiritualmente) e ajuda-o a cumprir a sua missão.

Anos mais tarde, Nossa Senhora esteve ao pé da Cruz, no momento em que a Missão do Filho estava a terminar. Tinha meditado, compreendido e aceite, dia a dia, que também ela, estava unida à Missão de Jesus.

Este mês de maio, tão especial, convida-nos a meditar no tema da adolescência, da vocação dos nossos filhos. Convida-nos também a crescer em sabedoria, prudência e generosidade, avançando assim na vocação pessoal de cuidarmos dos filhos e de todo o mundo mediante o trabalho e respeito por pessoas e pelo ambiente.

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