A nossa terra tem um padre novo!

Invariavelmente, no fim de cada ano pastoral, o Bispo diocesano faz novas nomeações, tanto para a cúria como para as paróquias. Cada vez que começa um novo ano, há comunidades que privam mais de perto com a palavra-chave que isso implica: mudança.

A troca de alguém com responsabilidades como as que tem o pároco, implica necessariamente uma adaptação que vai para além do simples nome da pessoa com quem já tinham criado ligações mais ou menos fortes. E, de mãos dadas com a mudança, vêm as expectativas dos paroquianos que, desde logo, tentam imaginar o que pode acontecer a partir do momento em que têm um novo padre na sua terra.

 

Este ano, lá para setembro, há treze paróquias que se veem nessa contingência: vão dizer adeus a um padre que já conheciam e que as conhecia, enquanto fazem os preparativos necessários para acolher o que o substitui. Por sua vez, os debutantes terão pela frente meses de reconhecimento do território, das pessoas, da organização dos serviços, sempre com o objetivo último de cumprir a missão que lhes foi atribuída pelo Bispo.

Como é natural, a reação das pessoas não é igual em todo o lado. A algumas agrada a ideia, a outras nem por isso. Nos casos mais extremos, há grupos que se amotinam contra a decisão e fazem chegar ao Pastor da Diocese esse sentido de revolta latente. Felizmente, este ano não se verificam esse tipo de situações e, de uma forma geral, o bom senso das pessoas admite a necessidade da mudança, sobretudo pelo aumento da motivação dos agentes da pastoral e pela possibilidade de introdução de novos paradigmas no trabalho eclesial. A novidade tem destas coisas.

 

Juncal: 23 anos depois…

Da paróquia do Juncal está de saída o padre José Reis, de 72 anos. A saúde já começava a fazer das suas e, também por isso, a sua ação na terra para onde foi em 1992, já não era a mesma. Depois de 23 anos, passa à condição de jubilado, termo usado nos meios eclesiais equivalente à situação de aposentado. Não deixa de ser padre – nunca se deixa de ser padre –, mas fica sem as responsabilidades para as quais se exige a posse das mais importantes faculdades físicas e mentais.

“Por motivos de saúde, o padre não conseguia responder a todas as solicitações; as coisas estavam um bocadinho mortas”, é o ponto da situação que faz a Filomena Santos, catequista do Juncal. E assume que o seu é, também, o sentimento generalizado da paróquia, pelo que “a expectativa é boa; estávamos a precisar desta mudança”. Ela própria admite que a palavra “mudança” é a chave “que está a provocar entusiasmo” para a integração de alguns fiéis que estavam arredios das lides pastorais. “Sei de algumas pessoas que, a partir de agora vão começar a colaborar”, concretiza.

Elemento integrante do coro paroquial, Fernando Grosso sintoniza-se com a mesma satisfação. Diz que uma das razões para isso é conhecer já o padre Sérgio Fernandes que, para acolher a paroquialidade do Juncal, deixa a vizinha Calvaria. “O padre Sérgio celebra aos domingos de manhã na Cruz da Légua… Já o conheço há muitos anos, pois quando o padre Reis esteve mais em baixo ele vinha cá celebrar muitas vezes”, exemplifica o Fernando para explicar que o novo pároco já é um conhecido da terra. E aproveita para lhe deixar um recado: “vai ter mais trabalho no Juncal do que tinha na Calvaria. O Juncal é uma paróquia maior, tem um maior território e muito mais capelas, para não falar do Centro Social; só ao domingo há três missas para celebrar em várias capelas”. O aviso fica feito.

 

Calvaria: 22 anos depois…

Se o padre Sérgio vai para o Juncal, quem o perde é a paróquia da Calvaria. E, não, ele não esteve lá durante 22 anos — aliás, ele apenas tem 11 anos de sacerdócio. Porém, faz 22 anos que a residência paroquial da terra não acolhe nenhum padre, desde o falecido Júlio Gaspar. Não admira, pois, que os calvarienses estejam agradados com esta alteração. Afinal, o novo pároco — o padre José Henrique — vai viver ali, paredes meias com eles. Não admira que, nos tempos mais próximos, os habitantes da Boa Vista, o vejam a encher a viatura com todo o seu espólio para dar lugar ao que o vai substituir.

Mas há um senão, que tem a ver com esses 22 anos de fraca utilização da “casa do padre” da Calvaria. O tempo começa a deixar marcas tanto da corrosão como da desatualização. De facto, uma casa que há duas décadas seria considerada modesta, todavia digna, para habitar, hoje isso já não se verifica. O desconforto e a deterioração evidentes são problemas a que o conselho económico paroquial já está a pôr mãos. Um dos seus membros, o António Frazão, diz que “já temos o caderno de encargos feito e à espera de orçamentos”. E acrescenta que o “problema é que a casa estava desabitada há 22 anos e, em muitos aspetos, está ultrapassada: é uma casa com muitas divisões, muitos cantinhos; hoje querem-se zonas mais abertas mais comuns: há muitas adaptações que teremos de fazer na cozinha, no quarto, na sala de estar, na casa de banho…”. E têm dinheiro para esses gastos inesperados? Responde que “também estamos um pouco limitados em termos de liquidez, mas estou convicto que, duma forma ou de outra, com a festa anual, com eventuais atividades e ofertas da própria população em materiais de construção, móveis de cozinha, e outros bens, vamos conseguir os meios necessários”. Com as obras, “o próprio cartório vai deixar de funcionar na residência paroquial e transferir-se para uma das dependências da igreja por ser mais central e estar mais perto das pessoas”.

Apesar de ter de abrir os cordões à bolsa, o António está contente com o novo padre que aí vem. “Vamos ter um padre a residir a tempo inteiro na paróquia e isso é vantajoso, porque poderá dedicar-se mais à Calvaria”, mas avisa que, por o padre José Henrique ter outras responsabilidades importantes no âmbito da Diocese, isso pode retirar-lhe alguma disponibilidade. Acrescenta que a opinião positiva que tem do novo padre, que considera excelente por ser jovem e trabalhar com jovens, é partilhada pelas pessoas que conhece. Mas não deixa de agradecer ao padre Sérgio: “nós gostamos muito dele e isso tem de ser salientado. Ele foi um excelente pároco, dedicado e empenhado, dinamizou muito a paróquia nos anos que esteve cá e é apenas por isso que temos pena que se vá embora. Já estávamos afeiçoados ao padre Sérgio”. A própria Guida Gomes, responsável pela catequese, espera que se continue o seu bom trabalho: “os oito anos do padre Sérgio aqui foram muito bons já que atraiu a simpatia de toda a gente, crianças, jovens e adultos. Fez um bom trabalho na catequese na medida do possível, já que não era fácil dar resposta às solicitações das duas paróquias.” Por também já conhecer o novo pároco, tem a certeza de que a Calvaria ficará bem servida. “Sei que ele é uma pessoa muito ativa e que, por isso, talvez ainda nos dê mais umas atividades para fazer. Com certeza deve trazer novas ideias para dinamizar a paróquia”, revela.

 

Boa Vista: a saudade de nove anos em comum

Continuando o périplo, chegamos à Boa Vista. Entramos nós, enquanto sai o padre José Henrique, de malas aviadas para a Calvaria. E parece que deixa saudades, a saber pelo José Veigas, do conselho económico, que diz que “é com alguma tristeza que eu vejo a saída do padre José Henrique; ele está connosco aqui há nove anos e sempre foi uma pessoa disponível para a comunidade”. E não lhe poupa encómios por, diz, ser “uma pessoa bastante acessível”. Todavia, admite compreender a necessidade da mudança por ser “processo natural, necessário para desinstalar as pessoas, evitar a criação de alguns vícios, tanto ao pároco como à própria comunidade”. Posto isto, garante que a comunidade tudo fará para ajudar o padre Nuno Gil, de abalada da paróquia de Leiria, a continuar a desenvolver todo o trabalho iniciado pelo antecessor.

Se gosta de receber estes elogios? Claro que sim. No entanto, o padre José Henrique diz que apenas fez o que foi possível, dentro das limitações que admite ter. “Se fiz o que estava à espera? Nem por isso…”, responde com o humor que o carateriza. Na Boa Vista, dedicou uma atenção especial à catequese, à pastoral familiar e à concretização de propostas que pudessem fazer a ligação entre a paróquia e a comunidade em geral. Para a Calvaria levará também estas ideias e o mesmo empenho: “já tive uma reunião com paroquianos da Calvaria e fiquei com boas impressões: as pessoas estão com vontade de trabalhar, a vida paroquial já se encontra organizada e estão recetivas a novas propostas”.

 

Dois padres para quatro paróquias:
Matas, Espite, Casal dos Bernardos e Urqueira

Das paróquias que vão receber novos párocos, falta ainda referir as quatro do norte da Diocese. Vizinhas entre si, vão passar a ter em comum o padre João Pina, que deixa as Matas e Espite para estar à frente das comunidades do Casal dos Bernardos e da Urqueira.

Gabrielle Marques, catequista nas Matas apenas tem um desejo: “que [o padre Rogério Chitapa] continue o bom trabalho realizado até hoje pelo padre João”. Diz que já o conhece da assembleia realizada recentemente com o Vigário Geral. Parece que não vai ser fácil, já que a catequista não é parca nos elogios que faz ao antecessor e enumera uma série de iniciativas levadas a cabo por ele: restauro das igrejas e capelas, renovação dos paramentos e alfaias litúrgicas, reorganização da catequese, reativação do o grupo de cursistas, implementação de grupos marianos e grupos de oração…

Quem não conhece bem o seu futuro pároco é a Rita Salgueiro, do Casal do Bernardos. Claro que o seu desejo é que ele seja um “bom pastor e que trabalhe bem com todos os membros da comunidade”. Espera mudanças, sobretudo ao nível dos métodos. Ter tido o padre Segunda Julieta no lugar foi uma experiência em que todas as partes aprenderam. Por ele ser oriundo de Angola – e para onde regressa –, duma cultura diferente, “onde os catequistas são líderes das comunidades”, havia algumas dificuldades de adaptação. Essa situação agora já não se coloca.

 

Datas de entrada dos novos párocos

• P. João Nuno de Pina Pedro – Casal dos Bernardos, no sábado, 5 de setembro, às 18h00; Urqueira, no domingo, dia 6 de setembro, às 17h00.

• P. Nuno Miguel Heleno Gil – Boa Vista, no sábado, 12 de setembro, às 19h00.

• P. Rogério Assunção Chitapa – Espite, no domingo, dia 13 de setembro, às 15h30; Matas, no domingo, dia 13 de setembro, às 17h30.

• P. José Henrique Pedrosa – Calvaria, no domingo, 27 de setembro, às 11h00.

• P. Sérgio Jorge Lopes Fernandes – Juncal, no domingo, 27 de setembro, às 16h00.

 

2015-08-04 padres02

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