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Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor

Categoria: Notícias
Criado em 07-05-2015
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Em 1835, Santa Maria Eufrásia Pelletier fundou em França a Congregação do Bom Pastor, nome por que é mais conhecida, com o objetivo de “tornar presente junto de jovens e mulheres a Misericórdia de Deus que acolhe e acarinha todos, especialmente os mais carentes e feridos pela sociedade”. Mas, na verdade, a sua história remonta a meados do século XVII e podemos dizer que só se cumpriu no ano passado!

 

 

 

 

Como Jesus, à procura dos mais carentes e feridos na sociedade

É interessante o percurso histórico desta congregação. A sua fundadora era uma das irmãs da Ordem de Nossa Senhora da Caridade do Refúgio, fundada em 1641 por S. João Eudes, com a missão de atender às prostitutas e crianças abandonadas. Os mosteiros desta ordem eram autónomos entre si e Rosa Virgínia Pelletier sonhava com um trabalho em rede, partilhando recursos humanos e financeiros. Como a tradição existente o impedia, decidiu fundar as Irmãs do Bom Pastor, com o mesmo carisma, espiritualidade e missão, mas tendo em vista um trabalho coordenado nas comunidades da nova congregação.

Curiosamente, um capítulo geral das irmãs da União de Nossa Senhora da Caridade, realizado em 2013, aprovou a sua fusão com as Irmãs do Bom Pastor, concretizada no ano passado. O nome da Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor passa assim a resumir essa história e parece ser a concretização do sonho da fundadora.

Carisma e missão

De acordo com o desígnio inicial de S. João Eudes, depois desenvolvido por Santa Eufrásia, a Congregação inspira-se no modelo de Jesus Bom Pastor na sua ação. "Uma pessoa vale mais do que o mundo" e "para fazer a vontade de Deus eu percorreria o mundo inteiro" são frases da fundadora que exprimem esse carisma de ir à procura da cada ovelha perdida, para a trazer de regresso ao rebanho de Deus. “A espiritualidade da Congregação coloca o seu acento no amor imenso de Jesus, Bom Pastor, por cada pessoa individualmente”, reforça a irmã Mariana Baptista, superiora da comunidade de Fátima.

Para tal, o serviço das Irmãs do Bom Pastor “dirige-se particularmente a mulheres, jovens e crianças feridas pela injustiça, marginalizadas, tais como: jovens em situação de risco por razões sociofamiliares; mulheres e crianças vítimas de abuso; mães solteiras; mulheres vítimas de tráfico de pessoas; famílias vulneráveis; prostitutas que procuram libertar-se dessa escravidão; sem-abrigo e prisioneiros...”.

O seu apostolado principal passa pelo aconselhamento psicológico e espiritual, apoio às paróquias, serviço de centro de dia para crianças e adultos, reabilitação e cuidados de enfermagem para idosos e doentes (por exemplo, com sida), catequese, ensino em escolas e programas de educação religiosa, etc. Contam para isso com a ajuda de associados leigos, voluntários, “Amigos do Bom Pastor”, bem como com a parceria de outras obras e instituições religiosas e civis.

Na diocese

A expansão da nova congregação pelo mundo começou de imediato, tendo chegado a Portugal logo em 1881. Expulsas pela República de 1910, as Irmãs do Bom Pastor estariam de regresso em 1927.

Também a diocese de Leiria-Fátima iria receber uma comunidade, cuja casa foi inaugurada em 13 de Outubro de 1967. Surgiu aqui porque “a província sentia necessidade de ter em Fátima um espaço próprio para acolher as irmãs que vêm participar em cursos de formação, reuniões, semanas de estudo, etc.”, conta a superiora. Mas a sua ação acabou por se abrir às “necessidades locais”, estando a colaborar nos serviços do Santuário de Fátima, em ações de formação e evangelização, em retiros para as irmãs e associados, na realização dos capítulos da província portuguesa, entre outras atividades.

Atualmente, a casa serve também para hospedagem de peregrinos, onde as irmãs procuram “acolher a pessoa que chega com os mesmos sentimentos de Jesus Bom Pastor”.

 

Testemunho vocacional

“Devo a minha vocação à escuta e adesão ao Espírito Santo”

2015-05-06 sopra3A irmã Maria Odília Pereira, da comunidade do Bom Pastor de Ermesinde, está a comemorar os 60 anos da sua consagração religiosa. Nascida há 80 anos na paróquia dos Cedros, na ilha do Faial, Açores, conta-nos como tudo começou.

As minhas memórias de adolescente, pelos 14 ou 15 anos, são de uma menina vaidosa e despreocupada, como qualquer jovem desta idade. Lembro-me, por exemplo, de participar em reuniões da Acção Católica mais pelo convívio e camaradagem; o que lá ouvia não me dizia respeito, entrava por um ouvido e saía pelo outro.

No entanto, lembro-me também de sentir uma inquietação interior, que só mais tarde atribuí ao Espírito Santo: “Ou vais e aproveitas, ou então não vale a pena continuares a frequentar as reuniões”. Interiormente, sacudia o ombro e dizia para mim mesma: “sou como as outras!”. Mas essa voz interior continuava a perseguir-me e acabei por decidir fazer uma experiência “a sério”.

Foi então que me senti “apanhada”, para não dizer “apaixonada” por Jesus Cristo. O que ouvia e experimentava fazia crescer em mim cada vez mais o amor a Jesus, e o testemunho das irmãs com quem me relacionava fez surgir a ideia da consagração total a esse amor. Falei com o meu pároco, que me ofereceu logo uns livros sobre esta congregação. A decisão foi amadurecendo, mas não podia ser outra: tinha de dizer “sim”.

Desde então, todas as dificuldades foram ultrapassadas, mesmo a viagem de oito dias pelo mar que tive de fazer aos 18 anos, dos Açores para Gaia, onde vim fazer o noviciado. Uma viagem dura, que deixava muitos  passageiros indispostos, mas que a mim não deu grandes problemas; sentia o balançar do barco e imaginava o berço onde minha mãe me embalava... Recordo um tripulante ter-me perguntado para onde ia e eu ter respondido que ia para freira... “Mal empregada”, comentou ele. Mas nem essas provações me incomodaram.

Em 60 anos de vida religiosa, já fiz muitas coisas, algumas das quais nunca pensei que viria a fazer. Por exemplo, escrever um livro, e já escrevi três, sobre os sacramentos, o credo e os mandamentos, com cerca de dois mil exemplares vendidos. Tudo aconteceu a partir de um método que imaginei para a catequese e que teve uma boa aceitação, ao ponto de me pedirem que o pusesse por escrito. Acabei por decidir fazê-lo após a formação em Ciências Religiosas, na Universidade Católica de Lisboa.

Por tudo isto, posso dizer que devo a minha vocação à escuta e adesão ao Espírito Santo. É a Ele que agradeço ter-me “perseguido” e acompanhado sempre e me dar as graças necessárias para viver para os outros e sempre feliz!

Irmã Maria Odília Pereira

 

Números

Mundo

Casas: 74

Membros: cerca de 4.000

Portugal

Casas: 14

Membros: 93

Diocese

Casas: 1

Membros: 6 irmãs

Mais nova: 65 anos

Mais velha: 93 anos

Média etária: 70 anos

Luís Miguel Ferraz (coord.) | Presente Leiria-Fátima

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