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Instituto das Religiosas do Sagrado Coração de Maria

Categoria: Notícias
Criado em 05-03-2015
©DR

O dia 24 de fevereiro foi de festa no colégio do Sagrado Coração de Maria, em Fátima. A comunidade educativa de irmãs, alunos, professores e funcionários encheu a capela para a oração e, depois, foi plantada no jardim uma oliveira a assinalar os 166 anos da fundação das Religiosas do Sagrado Coração de Maria, neste Ano da Vida Consagrada.

 

 

 

 

 

 

Educar para a dignidade
e desenvolvimento integral da pessoa

Comecemos por apresentar o fundador, venerável Jean Antoine Gailhac (1802-1890). O espírito de generosidade e amor ao próximo levou-o ao sacerdócio, em 1826. Com o lema “Para que todos tenham vida em abundância” (Jo 10, 10), para responder às necessidades específicas que encontrava, na sequência turbulenta da Revolução Francesa: fundou os Padres do Bom Pastor, para o ministério no campo, onde faltavam sacerdotes; os Irmãos do Bom Pastor, para educarem rapazes órfãos e prepará-los para o trabalho da agricultura; as Irmãs Oblatas, para o serviço da caridade; e as Religiosas do Sagrado Coração de Maria (RSCM), que se manteve até hoje. Via-os como “instrumentos valiosos de Deus ao serviço dos mais abandonados”.

Poderia ter optado por uma brilhante carreira académica, como formador do Seminário, mas preferiu o trabalho como capelão do Hospital de Béziers, onde assistia soldados, órfãos e todo o género de indigentes. Preocupavam-no, de modo especial, as mulheres abandonadas, muitas delas caídas na prostituição, que voltavam aos ambientes de degradação após a cura. Por isso, criou a Casa do Bom Pastor, em 1834, onde instalou um refúgio para elas e ainda um orfanato, que sustentava com o seu ordenado, a ajuda de algumas irmãs e muitas dificuldades.

Entre os benfeitores que vão surgindo, destaca-se o casal Apollonie e Eugène Cure. Quando fica viúva, Apollonie decide entregar-se totalmente a esta causa e será ela a ajudar o padre Gailhac a formar a primeira comunidade de seis irmãs do Instituto das RSCM, instituído a 24 de fevereiro de 1849, com aprovação imediata do Bispo local (e do Papa Pio IX em 1874). A missão que lhes deu foi gerir a obra do Bom Pastor e, através desse trabalho, “fazer Deus conhecido e amado, enraizá-l'O de maneira inabalável nas pessoas”.

Missão e carisma

Essa missão vai-se adaptando às necessidades de cada tempo. Por isso, quando em França diminuíram as restrições à instrução religiosa e se facilitou a educação secundária para meninas, as escolas tornam-se o centro do Instituto, já que o padre Gailhac sempre considerou a educação como o “meio mais poderoso e duradouro de formar jovens cristãs e de promover a dignidade humana”.

Nessa linha, o seu carisma define-se pelo “total compromisso no seguimento de Jesus Cristo, na transformação pessoal n’Ele e na transformação do mundo”, num espírito de fé e zelo “que se manifesta por grande simplicidade, profunda humildade, uma renúncia que liberta para responder ao apelo de Deus, um desejo ardente de proclamar o Evangelho e um amor ativo ao povo de Deus”. Em resumo, trabalham “de maneira criativa e em colaboração com outros pela justiça evangélica e desenvolvimento integral da pessoa”.

O Instituto criou diversas obras ao longo dos anos, como o Centro de Espiritualidade Jean Gailhac, três colégios e duas residências universitárias, uma Obra Social (IPSS) e uma ONG, para desenvolver ação corporativa em favor da justiça junto das Nações Unidas. Em ligação às RSCM, existe ainda o movimento juvenil “Comtigo” e a “Família Alargada do Sagrado Coração de Maria”.

Pelo mundo, até nós

Em 1871, surge a primeira comunidade fora de França, na Irlanda, e em poucas décadas o Instituto expande-se para vários países. Nesse mesmo ano chega a Portugal, para orientar um colégio inglês no Porto. A partir daí, abrem colégios, escolas gratuitas e orfanatos em vários locais de norte a sul do País. Têm de fugir com a República de 1910, mas regressam rapidamente e, ainda hoje, além das suas obras e movimentos, estão envolvidas em diversos projetos eclesiais, educativos e socais, em colaboração com outros agentes sociais.

2015-03-05 sopra3Na diocese de Leiria, a primeira comunidade surge em 1951, o Colégio do Sagrado Coração de Maria, em Fátima, onde funciona também um centro de Catequese. Residem aqui atualmente cerca de uma dezena de irmãs. Com o aumento de alunos e porque acreditam que “a vida comunitária funciona melhor em grupos mais pequenos”, fundam na década de 70 uma casa próxima para residência, onde estão agora seis religiosas. Embora com vida independente, a sua missão passa também pelo apoio ao colégio, à catequese paroquial e à comunidade de acolhimento, a terceira casa do Instituto a surgir em Fátima, criada para acolher e cuidar das irmãs idosas e doentes, atualmente com 25 residentes.

 

Entrevista à irmã Maria Lopes,

superiora da residência de Fátima

“Tu me seduziste, Senhor, eu deixei-me seduzir”

2015-03-05 sopra4A irmã Maria de Sousa Lopes é superiora da casa de residência das RSCM em Fátima, há um ano. Com 70 anos de idade e 46 de vida religiosa, além da coordenação da comunidade, trabalha na direção do Colégio do Sagrado Coração de Maria e na pastoral juvenil da Província. Numa breve entrevista, contou-nos como surgiu a sua vocação e como se “enamorou” por este instituto.

 

 

A sua infância familiar “pesou” na sua opção vocacional?

Muito. Nasci no dia 7 de novembro de 1944, na freguesia de Grimancelos, concelho de Barcelos, distrito de Braga. Sou a quinta filha de seis irmãos, única mulher. O meu nascimento foi motivo de grande alegria para os meus pais e família. A minha mãe costumava dizer que muitas vezes pediu a Deus uma menina, mas, quando estava grávida de mim, ao rezar, dizia a Deus: “agora, é melhor não me dares uma menina, já é tarde, vou deixá-la cedo, já tenho 40 anos…”.

Ao recordar a minha história vocacional, sinto-me imensamente agradecida pela família onde nasci, cresci e vivi até aos 22 anos. Agradecida, porque a minha família foi suporte, mostrou-me Deus, ensinou-me que Ele é o mais importante da vida. Contavam-me a vida de Jesus como uma história apaixonante, de Alguém que deu a vida gratuitamente e que aprecia muito as nossas boas ações. Ainda tenho viva a expressão da minha mãe a rezar… Deus era Alguém muito presente na sua vida. Tinha gosto e alegria em ajudar a todos.

E Deus também “falou” consigo...

Também por isso sinto gratidão, porque ainda hoje me espanto como é que Deus me viu, lá no interior do concelho de Barcelos!... Como é que me convenceu… eu não conhecia freiras e uma vez que as vi disse comigo: “não, eu quero casar e ter filhos”. E tudo se orientava nesse sentido.

Sinto-me agradecida, porque um dia encontrei alguém que me desafiou: “e se Deus te pedir para entregares a vida toda a Ele, és capaz de recusar?”. A minha resposta foi pronta: “a Deus não recuso nada”. E creio que foi aqui que Deus Se meteu na minha vida. Foi o início de um longo e doloroso discernimento… Lutei, rezei e escutei durante quatro anos, uma luta entre duas vontades.

Deus foi mais forte e venceu. Servia-Se de tudo para mover o meu coração! Diante da minha resistência, esperou pacientemente e continuou segredar: “tu, vem e segue-Me, deixa que os mortos enterrem os mortos…” Lc 9, 59; “a messe é grande e os operários são poucos…” Lc 10, 2.

Neste processo, nunca deixei que interferissem na minha decisão. Éramos apenas três: o Espírito Santo, eu e a pessoa que me ajudava.

Está num instituto mariano. Nossa Senhora também a influenciou?

O “sim” de Maria influenciou-me, sem dúvida. Recordo que foi na vigília da Imaculada Conceição, em 1965, que me rendi e disse “sim”. A minha expressão foi: “Tu me seduziste, Senhor, e eu deixei-me seduzir!”. Creio que nesse dia fiz a minha profissão e me entreguei para sempre…

Porquê neste Instituto em particular?

Não sei… penso que só o Espírito Santo sabe. Maria esteve muito presente em todo este meu processo. Nunca tinha pensado em para onde ir. Entretanto, veio parar à minha mão um livro das RSCM, que tinha o Coração de Maria na capa e muitas fotos e frases significativas. Aí, deparei com as palavras: “Ao seguir Jesus Cristo, contemplamos Maria, Ela é o nosso modelo”. Foi tudo para mim! Estava escolhido o Instituto.

E foi acertada a escolha?

Quando contatei pela primeira vez as Irmãs, encantou-me a alegria, a simplicidade, a abertura, vi nelas mulheres felizes, centradas em Jesus Cristo. Isto encantou-me e percebi que era mesmo aqui, no Coração de Maria, que Deus me esperava. Aqui me tenho sentido realizada e feliz, abraçando de alma e coração a missão de “conhecer a Deus e torná-L’O conhecido, amar a Deus e fazê-L’O amado”.

Quando entrei, sabia muito pouco sobre o Instituto. Não sabia que era um instituto internacional, com uma missão que abraça a todos, especialmente os mais desfavorecidos e que tinha como lema: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo, 10). O nosso fundador, padre Jean Gailhac, com um enorme espírito de fé e zelo, teve uma visão muito aberta a todos; quando uma obra lhe parecia que já não era necessária, ele avançava para outra, na tentativa de dar resposta a situações de maior urgência. Ele dizia-nos: “Vós sois as continuadoras da obra de salvação de Jesus Cristo. Sois chamadas a trabalhar com Ele para transformar o mundo”. Por isso mesmo, o Espírito move-nos a alargar o coração aos irmãos mais pobres, por quem eu gosto muito de trabalhar.

Como realiza essa missão no concreto da vida?

Somos chamadas a centrar a nossa vida em Jesus Cristo, através da oração pessoal, a valorizar a vida fraterna em comunidade, numa vivência simples e inserida. Comprometemo-nos no serviço da justiça evangélica. O nosso compromisso pela justiça concretiza-se numa diversidade de ministérios. Procuramos dar resposta através de uma multiplicidade de projetos sociais.

Qual o segredo da sua felicidade?

Pertencer a um Instituto internacional tem sido para mim uma graça e um desafio. Sinto que não pertenço a uma obra, nem tão pouco a um país, sinto-me cidadã do mundo. Sou chamada a gerar vida no lugar onde vivo, sempre disponível para servir onde for necessário.

Hoje, tenho uma enorme dívida para com Deus, porque Ele nunca me largou da sua mão, tive dificuldades e lutas para vencer obstáculos… Mas, Deus é o centro, a razão do meu viver. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o meu coração dilatou-se e tornou-se universal. A minha vocação foi sempre um desafio a amar mais, a sair de mim, a dar-me para que os outros sejam felizes, “tenham mais Vida”. É isso que me faz feliz também.

 

Obras do Instituto

Centro de Espiritualidade Jean Gailhac – Espaço de oração e formação espiritual para as irmãs e outros fiéis. Inaugurado em 1991, com instalações provisórias em Fátima, abriu a sede definitiva em 1998, na Costa Nova, Aveiro.

Colégios do Sagrado Coração de Maria – No Porto, em Lisboa e em Fátima, são três “escolas para a formação integral da pessoa, a partir de valores humanos, éticos e cristãos”, com serviços de voluntariado nas áreas social, paroquial e da saúde.

Lares Universitários – Duas em Lisboa e uma em Coimbra, são residências de estudantes universitárias onde se vive “o ambiente favorável ao estudo, a relação interpessoal de apoio e interpelação, o compromisso na justiça e solidariedade e a formação na fé”.

Obra Social do Sagrado Coração de Maria – IPSS do Instituto na área socioeducativa, com a finalidade de “contribuir para a promoção social das populações e a dignificação da pessoa humana”.

Organização Não-Governamental RSCM – ONG criada para desenvolver uma ação corporativa em favor da justiça junto das Nações Unidas (ONU).

Em ligação com as RSCM:

Comtigo – Movimento juvenil ligado à espiritualidade do Instituto e às suas ações nos vários âmbitos da pastoral e evangelização.

Família Alargada do Sagrado Coração de Maria – Fiéis que se relacionam com o carisma, história e missão do Instituto, no compromisso de trabalho em áreas como “a justiça, a paz e a integridade da criação”.

 

Números...

...no mundo

Casas: cerca de 120

Membros: 711

...em Portugal

Casas: 34

Membros: 277

...na Diocese

Casas: 3

Membros: 39

Mais nova: 67 anos

Mais velha: 92 anos

Média: 77 anos

Luís Miguel Ferraz (coord.) | Presente Leiria-Fátima

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