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Padres Carmelitas Descalços

Categoria: Notícias
Criado em 17-12-2014

Chamam-se Carmelitas porque a sua origem remota é a Ordem do Carmo, nascida no século XII no Monte Carmelo, no atual estado de Israel.

Eram eremitas com estilo de vida inspirado no profeta Elias que, um século depois, para fugir às invasões sarracenas, se iriam dispersar e irradiar por todo o mundo. Chamam-se Descalços para se distinguirem dos seguidores dessa raiz original, pois resultam da reforma desta ordem mendicante, promovida por Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz, em 1568, em Ávila, Espanha.

Também a sua entrada em Portugal se perde nos séculos, mas, depois da expulsão das ordens religiosas em 1834, regressam para ficar, no ano de 1928. Estão atualmente espalhados um pouco por todo o país, em Viana do Castelo, Braga, Porto, Avessadas, Aveiro, Fátima e Funchal. À nossa diocese chegaram em 1971.

A Ordem dos Carmelitas Descalços (OCD) é uma “árvore” com três ramos diferentes: um masculino, de frades e padres que vivem em pequenas comunidades; um feminino, de irmãs de vida contemplativa que vivem em conventos de clausura; e um misto, de leigos seculares que vivem em fraternidades. Em comum, “a oração, a vida em comunidade, a amizade e o serviço à Igreja”.

É, em concreto, dos frades carmelitas descalços, que moram em Fátima na “Domus Carmeli”, que falamos neste apontamento. Têm Nossa Senhora do Carmo como “mãe e modelo de consagração” e o seu lema é “Contemplata aliis tradere”, que quer dizer: levar aos outros o que se contempla. Privilegiam a vida orante e comunitária, mas são de vida apostólica.

Assumindo como carisma o “estudo e pastoral da espiritualidade”, estes “homens orantes e fraternos” dedicam-se, sobretudo, à orientação de retiros, formação de grupos de oração de jovens e adultos, edição de livros e revistas, direção de casas de oração e centros de espiritualidade e, ainda às missões.

No caso de Fátima, revela o superior, são uma comunidade de 7 frades, “que partilham a alegria de terem recebido a mesma vocação e missão”. Ali dinamizam um Centro Mariano, onde recebem pessoas e grupos para atividades pastorais e oferecem formação sobre a oração. As suas principais ações pastorais são a direção espiritual, os retiros, o atendimento de confissões, a pastoral litúrgica e a docência.

 

Entrevista ao padre José Maria Francisco

2014-12-17 OSE Padres-CarmelitasPara um testemunho pessoal da vivência desta vocação, fizemos algumas questões ao padre José Maria Francisco, superior local na comunidade de Fátima. Natural de Proença-a-Nova, tem 73 anos de idade e é carmelita descalço há 54 anos, o último dos quais nesta função.

Como surgiu em si o desejo da Vida Consagrada?

Não houve nada de especial na minha opção. Entrei em 1953 para o Seminário que os Carmelitas abriram nesse ano em Viana do Castelo. Como meta, apenas tinha o sacerdócio numa congregação missionária, dentro dos limitados horizontes que uma criança de 12 anos podia sonhar. Não faltou o estímulo da professora e de dois sacerdotes que passaram pela escola fazendo animação vocacional. Mas, concluída a quarta classe, acabei como aprendiz de balconista numa mercearia de Proença. Na altura, a única saída que havia para o comum dos jovens da minha terra era o campo, o comércio ou o seminário. A vocação à vida consagrada foi amadurecendo no contacto com os Padres Carmelitas e vivências durante os estudos eclesiásticos. Fiz os estudos preparatórios em Viana. Entrei para o noviciado, em Espanha, no mês de Outubro de 1959, fazendo a Profissão Simples no mesmo mês do ano seguinte. Continuei os estudos eclesiásticos nas casas de formação da Ordem Carmelita no país vizinho. E a opção definitiva aconteceu em Bilbao, com a Profissão Solene. Fui ordenado de Presbítero em Braga, no dia 21 de Dezembro de 1968, depois de uma experiência de 16 anos na Ordem dos Carmelitas Descalços.

A escolha dessa Congregação foi mero acaso?

Sim, aconteceu casualmente, mas Deus está sempre por detrás do aparente “acaso”. A abertura do Seminário de Viana foi um grande acontecimento para a Ordem e, além de comprometer as casas que então existiam em Portugal, mexeu também com os Carmelos. A notícia chegou à minha aldeia através duma carmelita de Coimbra, sobrinha da irmã Lúcia. Ela conhecia a minha professora, que se interessou pelo assunto e encaminhou-me a mim e a outro colega para Viana.

Como resumiria a sua experiência de vida até hoje?

Como serviço. Reparti os primeiros 15 anos entre pastoral nas nossas igrejas e ensino no seminário menor de Viana e num colégio. Tive depois a oportunidade dum ano sabático pelos meus 40 anos, em que fiz um curso de espiritualidade com incidência em S. João da Cruz, na Casa Natal de Santa Teresa em Ávila. Foi enriquecedor. Logo que regressei, deram-me a conventualidade de Elvas, onde existia uma comunidade de Carmelitas totalmente dedicada à pastoral paroquial. Comecei pela animação jovem nos Convívios Fraternos. Integrei-me no Movimento dos Cursos de Cristandade e fui animador de grupos de oração. Por fim, assumi in solidum a responsabilidade das três paróquias de 2002 a 2012, ano em que a Ordem encerrou a sua presença no Alentejo.

Depois vim para Fátima. Dentro do nosso carisma, voltado sobretudo para a pastoral da espiritualidade, vim ajudar a enriquecer a nossa diocese, acolhendo, formando e orientando as pessoas ou grupos que nos pedem colaboração específica. Também estamos sempre abertos e disponíveis às comunidades paroquiais e religiosas desta nossa igreja local, seja a partir da nossa especificidade carismática, seja a partir do serviço mais corrente.

 

Casa de Comunhão

No passado dia 1 de Outubro, foi inaugurado o projecto “Casa de Comunhão”, que reúne toda a família carmelita descalça de Fátima, frades, irmãs e leigos. Sendo, em primeiro lugar, um espaço de encontro e de aprofundamento da identidade carmelita, com momentos de partilha e formação em conjunto, a “Casa” funciona nos dois conventos e está aberta a todos os que queiram rezar com eles, com celebrações agendadas em cada um deles.

Estando tão próximos geograficamente, sobretudo os padres e as irmãs, fomos percebendo que poderíamos unir esforços e colaborar mais de perto uns com os outros, rezando e trabalhando não apenas cada um dos ramos por si, mas também como família, dando juntos este testemunho de alegria e comunhão”, refere o sítio da instituição. Ao mesmo tempo, “queremos dar aos jovens um espaço especial nesta Casa, acolhendo-os tal como são, com os seus sonhos e projectos”, tendo ainda “um jardim aberto aos mais pequenos, onde podem encontrar desenhos, jogos, livros e orações para lhes dar a conhecer melhor alguns dos Santos do Carmelo e a alegria de viver com Jesus”.

 

Comunidade em números

No mundo

Casas: 606

Membros: Cerca de 4.000

Em Portugal

Casas: 7

Membros: 36

Na Diocese

Casas: 1

Membros: 6

Mais novo: 49 anos

Mais velho: 73 anos

Média de idades: 64 anos

 

Luís Miguel Ferraz | Presente Leiria-Fátima

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