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Ordem Basiliana de São Josafat

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Criado em 07-08-2014

“Dedicar-se à vida contemplativa e aos louvores divinos, exercer atividades pastorais de vários tipos, defender e fortalecer a unidade entre os cristãos e dispor de pessoal preparado e consagrado ao serviço da Igreja de Cristo.”

Assim se resume o objetivo nos estatutos da Ordem Basiliana de São Josafat, congregação aprovada pelo Papa Urbano VIII em 1631, com sede geral em Roma (Itália).

Após pedido do superior geral, o Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, assinou o decreto de aprovação desta ordem na Diocese, a 25 de março de 2013. Na verdade, já desde 2008, alguns padres basilianos aqui exerciam o seu ministério, especialmente a acompanhar os imigrantes ucranianos, no Serviço de Apoio Pastoral à Mobilidade. Têm sede na Casa de Santa Ana, no Santuário de Fátima.

 

Amor a Deus e serviço à unidade dos cristãos

2014-08-07 Ordem BasilianaUm desses padres é Sílvio Litvinczuk (na foto), brasileiro de ascendência ucraniana, que tem na Diocese as funções de pároco in solidum da Comunidade Ucraniana, diretor do Serviço de Apoio Pastoral à Mobilidade e assistente religioso da Amigrante – Associação de Apoio ao Migrante. Fomos saber junto dele um pouco mais sobre esta Ordem.

Como podemos definir a Ordem Basiliana?

É uma congregação religiosa masculina de tradição bizantina, que está presente em várias Igrejas pelo mundo. Está fundamentada no património espiritual de São Basílio (329-379), mas a sua estrutura organizacional deve-se à obra do metropolita de Kiev, José Veliamyn Rutstey (1574-1637). A sua espiritualidade, especialmente orientada para a unidade dos cristãos, foi desenvolvida pelo bispo mártir S. Josafat Kuntsevytch (1580-1623), beatificado em 1643 e canonizado por Pio IX em 1867.

A Ordem passou por várias transformações ao longo da sua história e só em 1932 a Santa Sé lhe conferiu o nome atual: Ordem Basiliana de São Josafat. Mas a sua denominação tradicional é Ordem de São Basílio Magno, de onde resulta a sigla oficial OSBM.

Conte-nos um pouco mais dessa história…

Não podemos apontar uma data exata para o seu “nascimento”. Uma coisa sabemos: no ano 1607, um grupo de jovens foi estimulado pelo monge Josafat Kuntsevytch a entrar no mosteiro da Santíssima Trindade, em Vilnius (Lituânia), tendo como objetivo a transformação da Igreja de Cristo a partir da renovação da vida monástica, que se encontrava em decadência. Um desses jovens era José Veliamyn Rutstey, futuro metropolita de Kiev (Ucrânia), que tomou como base a regra de São Basílio de Capadócia para a nova comunidade. Dez anos depois, havia já cinco mosteiros, mas só a 20 de agosto de 1631 o Papa Urbano VIII a aprovou.

Com o passar dos anos, o ideal religioso enfraqueceu, até que, em 1881, o padre Clemente Sarnystskey, superior geral nessa época, propôs ao Papa Leão XIII um plano de reforma, com a ajuda dos jesuítas. O Santo Padre aceitou e fez-se então a chamada Reforma de Dobromyl (Ucrânia). A cúria geral passou para Roma.

Os atuais estatutos foram aprovados pela Congregação das Igrejas Orientais a 18 de julho de 2009. No presente, a Ordem tem 529 membros, em doze países do mundo, estando o maior número na Ucrânia e, depois, no Brasil.

Quando chegou a Portugal?

Eu fui o primeiro membro da ordem a chegar, a 11 de agosto de 2008, para trabalhar com imigrantes ucranianos e não só, na diocese de Leiria-Fátima. Atualmente, estamos dois membros da Ordem, em Fátima: eu e o padre Gabriel, que é ucraniano.

Qual o carisma e modo de vida da Ordem?

O nosso carisma é buscar a perfeição no amor a Deus, procurando assemelhar-nos a Deus no amor, através da contemplação e das boas obras. A missão primeira que cada membro tem é, através da palavra e do exemplo, levar os outros até Deus. O objetivo, portanto, é agradar a Deus em tudo e buscar a nossa santificação por meio das práticas dos conselhos evangélicos. Concretamente, dedicamo-nos à vida contemplativa e exercemos atividades pastorais de vários tipos, sobretudo na defesa e fortalecimento da unidade entre os cristãos.

Que atividades pastorais, mais especificamente?

Depende das necessidades próprias de cada país. Muitos de nós trabalham nas paróquias, na formação, nas missões, etc. Em Portugal, trabalhamos com imigrantes ucranianos residentes cá e no contexto global da pastoral das migrações (ver caixa). Também atendemos grupos que vêm a Fátima, da Ucrânia e de outros países. Prestamos serviço no Santuário, principalmente, nas confissões e celebrações.

Que tipos de membros tem e como se processa a sua integração na Ordem?

Os membros são sacerdotes e irmãos consagrados. Na vida religiosa basiliana pode ser admitido o católico de qualquer rito que deseje, com reta intenção, servir a Deus segundo o ideal e a espiritualidade da OSBM.

A integração começa com um ano de candidatura, seguido de outro de noviciado. Depois, o noviço professa os votos temporários, renovados anualmente, durante cinco anos. Finalmente, faz os votos perpétuos de obediência, castidade e pobreza, assumindo ainda um quarto voto de fidelidade e submissão ao Vigário de Cristo, o Papa.

Não explicou ainda o motivo de ter vindo abrir casa na diocese de Leiria-Fátima…

Para mim, Fátima é mesmo o “altar do mundo”. Todos os acontecimentos do século XX estão ligados a Fátima, principalmente, o martírio de alguns dos nossos membros basilianos na Ucrânia, durante o regime comunista, cinco dos quais já foram beatificados. E Fátima é, de facto, um oásis da graça de Deus para toda a humanidade.

Não poderei dizer que abrimos casa em Fátima, pois estamos num espaço que é do Santuário. Mas temos o desejo de vir a construir uma casa própria, para melhor servir a Deus e as pessoas. De qualquer modo, é verdade que estamos cá, com reconhecimento pelo Bispo diocesano e com registo junto do Estado português.

Qual será o melhor contributo da OSBM para a Diocese?

O importante de um membro religioso é ser testemunha, sal da terra e luz do mundo.

A Igreja Católica é uma, mas com vários ritos. Acho que essa é a beleza da Igreja de Cristo. Nós somos uma ordem de rito bizantino, a primeira a chegar a Fátima, para atender às necessidades espirituais dos ucranianos imigrantes. Mas não queremos fechar-nos no “nosso” rito, pois a Igreja é de Cristo e está ao serviço de toda a humanidade.

Que mensagem final quer deixar aos diocesanos de Leiria-Fátima?

Deixo uma mensagem de paz e de muita perseverança na vossa caminhada, pois Cristo é tudo e é o autor da paz. Desejo que nesta diocese de Leiria-Fátima, terra de Nossa Senhora, brotem muitas vocações para o sacerdócio e para a vida consagrada. E termino com um obrigado por nos terem acolhido tão bem.

 

Comunidade Ucraniana

Como é o trabalho pastoral concreto com a comunidade ucraniana na Diocese?

Atendemos as quatro comunidades: Fátima, Leiria, Pombal e Santarém.

O nosso trabalho é semelhante ao que se faz nas comunidades latinas.

Procuramos atender as necessidades espirituais básicas dos fiéis: celebração da Santa Missa aos domingos, confissões, catequese, grupos de jovens (Leiria e Fátima), catequese para adultos. Temos também celebrações ligadas com as festas ucranianas. Fazemos ainda direção espiritual para algumas pessoas. Em Leiria está na fase de formação um grupo de acólitos.

 

Rito bizantino

O rito é a forma exterior de culto e tradições religiosas mediante os quais a Igreja louva e glorifica a Deus e revigora a espiritualidade dos crentes. Inclui um conjunto de atos, textos para oração e canto, leituras,  calendário de celebrações, arquitetura e arte sacra. Na Igreja Católica há vários ritos pertencentes a diversas regiões ou famílias religiosas. No Ocidente predomina “o rito romano”, enquanto nas Igrejas católicas e ortodoxas orientais predomina o “rito bizantino”.

O nome “bizantino”, chamado também constantinopolitano ou grego, provém de ser o antigo rito de Bizâncio (Constantinopla), originado da fusão de antigos costumes litúrgicos de Antioquia e de Jerusalém.

A diferença entre o rito latino e o bizantino revela-se na arquitetura das igrejas, nas artes sacras, na música e no canto, no modo de celebrar e também nos paramentos.

 

Números

No mundo:

Casas: Algumas dezenas, em 12 países

Membros: 529

Em Portugal/Diocese

Comunidades: 1

Membros: 2 padres 

Luís Miguel Ferraz | Presente Leiria-Fátima

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