"Esta procissão é uma grande e pública bênção para a nossa cidade"



Assinatura Foto: LMFerraz / GIC

Uma verdadeira multidão, vinda das várias paróquias da Diocese, participou nas celebrações da solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, na passada quinta-feira, na cidade de Leiria. O Bispo diocesano lembrou os problemas atuais e a "bênção" que é a presença real de Cristo na Eucaristia, presente neste nosso mundo.

 

“A vossa numerosa presença conforta e alegra o coração do Bispo”, afirmou D. António Marto, na palavra final que dirigiu aos milhares de fiéis concentrados no adro da Sé de Leiria, depois da procissão desde os jardins da igreja de Santo Agostinho, onde se celebrou a Missa da festa do Corpo de Deus, na passada quinta-feira, dia 7 de junho.

 

Confessando a sua emoção perante a multidão de diocesanos vindos das várias paróquias para celebrar esta solenidade, o Bispo de Leiria-Fátima quis “abrir o coração” para confessar que se trata, a cada ano, de “um momento afetivamente muito querido”. Especialmente, durante a procissão em que “Cristo ressuscitado visita as ruas da nossa cidade, realmente presente neste sacramento da Eucaristia, o mistério mais maravilhoso, a maravilha das maravilhas da fé cristã, o maior milagre do seu amor”.

 

“Como pastor da Igreja, que sente e traz consigo toda a riqueza e beleza de vida do seu povo, com todos os seus anseios, os seus problema e as suas dificuldades, quando seguro Cristo ressuscitado, no sacramento da Eucaristia, digo-Lhe: «Quero conversar Contigo, ao longo do caminho, sobre a Igreja que me confiaste» e trago-vos a todos juntamente com Ele”, referiu D. António. E concretizou a sua preocupação com “o momento difícil que vive esta sociedade, em que sentimos muito o peso da vida, com todas as consequências da crise”. Em resposta, citou S. Bonifácio: “já que não podemos suportar sozinhos este peso, levemo-lo com auxílio d’Aquele que é o omnipotente e nos diz «vinde a Mim vós todos os que andais atribulados e Eu vos aliviarei e encontrareis em Mim conforto, força e fortaleza para as vossas almas»”.

 

“Nesta procissão eucarística, é o Senhor Jesus ressuscitado que está sempre a caminho em direção ao mundo, ao nosso mundo, a este mundo; que as nossas ruas sejam ruas de Jesus, que as nossas casas sejam casa para Ele, com Ele e onde Ele também habita”, continuou o Pastor. “Sob o seu olhar colocamos todos os nossos sofrimentos, os nossos doentes, a solidão dos nossos jovens e dos nossos idosos, as tentações de desânimo e desespero, os medos que nos assaltam, sobretudo o de ficar sem trabalho; esta procissão é uma grande e pública bênção para a nossa cidade, uma bênção que é o próprio Cristo em pessoa”, conclui D. António.

 

 

Dois bispos em grupo angolano

A festa diocesana do Corpo de Deus contou, este ano, com a presença de um grupo angolano, em viagem para o Congresso Eucarístico da Irlanda (10-17 de junho), constituído por vários padres, leigos e dois bispos, D. José Manuel Imbamba, arcebispo de Saurimo, e D. Benedito Roberto, ex-Bispo do Sumbe nomeado Arcebispo de Malanje no passado dia 19 de maio.

 

Convidado a proferir a homilia da celebração, D. Benedito começou por referir que “não podia ser melhor ocasião do que a festa do Corpo de Deus” para este encontro entre pessoas das duas dioceses geminadas do Sumbe e de Leiria-Fátima. Precisamente porque “é o mesmo Cristo, na hóstia consagrada, que sacia a fome de todo o mundo e une a todos na mesma Igreja”, considerou o Prelado, referindo o trabalho concreto de evangelização que o grupo missionário da nossa diocese está a realizar em permanência no Gungo (Sumbe).

 

“O grande projeto da Igreja é fazer com que Cristo seja conhecido de todos e a todos alimente”, concluiu D. Benedito, pedindo uma oração “neste dia especial, por todos os que ajudam a Igreja nessa missão”.

 

 

Grande manifestação pública de fé

A festa do Corpo de Deus é uma tradição pluricentenária em Leiria, assumindo uma dimensão diocesana que se expressa, de modo particularmente visível, pela presença das bandeiras dos padroeiros de cada paróquia. A elas se juntam os grupos paroquiais de acólitos, a grande maioria do clero diocesano, muitos religiosos e religiosas e a grande massa do povo.

 

Há alguns anos realizada no adro da Sé, para permitir uma participação alargada de fiéis, era dali que partia a procissão eucarística, com percurso pelas ruas da zona histórica da cidade, chegando por vezes as primeiras pessoas quando as últimas ainda não tinham partido. Na última década, dado o crescente número de fiéis e para alargar este itinerário, a celebração passou a fazer-se no jardim da igreja de Santo Agostinho, de onde se organiza a procissão para a Catedral.

 

Nesta última celebração, talvez em confirmação da importância que lhe é dada pelos diocesanos de Leiria-Fátima, e dada a iminência do fim deste feriado religioso, a afluência foi uma das maiores dos últimos anos. A grande multidão concentrada durante a Eucaristia tornou-se ainda mais expressiva quando se estendeu em cortejo para a Sé, numa bela e impressionante manifestação pública de fé no Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

 

 

Filarmónicas enriquecem a procissão

É também já tradicional a presença das doze filarmónicas de toda a Diocese, alternando-se em dois grupos de seis a cada ano, que muito contribuem para a riqueza e solenidade desta procissão. Nesta edição, participaram as seguintes: Sociedade Artística Musical 20 de Julho de Santa Margarida do Arrabal, Sociedade Artística e Musical da Bajouca, Associação Filarmónica Bidoeirense, Sociedade Filarmónica São Cristóvão da Caranguejeira, Filarmónica do Sagrado Coração de Jesus e Maria das Chãs e Sociedade Artística Musical Cortesense.

 

Após o encerramento da celebração, as seis filarmónicas tocaram uma peça em conjunto, seguindo-se o desfile musical de cada uma separadamente, com a troca de cumprimentos e o agradecimento do Bispo da Diocese.

 

 

“Amiguitos e amiguitas”

D. António Marto faz sempre questão de referir, de modo especial, as crianças, que saúda com um já popularizado cumprimento de “amiguitos e amiguitas”. Na sua palavra final, referiu também a sua alegria pela presença de muitas crianças e, ao abandonar o adro da Sé, aproveitou para partilhar essa alegria com algumas com quem se cruzou.

 

 

Estas e outras imagens ajudam a ilustrar o significado e a beleza desta festa do Corpo de Deus em Leiria.

 

 

Gabinete de Informação e Comunicação


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