"Ficou a certeza de que precisamos de abrir-nos mais a Cristo"
Entrevista ao padre Marcelo Cavalcante de Moraes, pároco da Maceira
O Bispo diocesano, D. António Marto, esteve em visita pastoral à paróquia da Maceira, 22 a 26 de fevereiro. A esse propósito, entrevistámos o pároco, padre Marcelo Cavalcante de Moraes.
Que pensa desta iniciativa do Bispo diocesano em fazer uma visita pastoral a todas as paróquias?
Faz parte da missão do Bispo diocesano conhecer o seu rebanho. A visita pastoral é um meio eficaz, deixa marcas, é sinal, é produtiva. Desta forma, penso que, qualitativamente e quantitativamente, é uma graça tanto para o Bispo quanto para o seu povo e os seus colaboradores. Na visita pastoral, o Bispo cumpre efetivamente o que faz parte da sua missão, conhece o seu povo e sabe que não está sozinho, porque contacta diretamente com os colaboradores dos párocos e com todos os fiéis. Por outro lado, é um modo muito positivo e eficiente para incentivar, exortar, ajudar e “dar uma lufada de ar fresco” às comunidades, como disse uma paroquiana de Maceira.
Como se preparou a comunidade para receber o Bispo?
A paróquia toda foi mobilizada para a visita pastoral. Desde a preparação espiritual com a Lectio Divina, onde mais de 30 grupos foram formados, até à preparação dos esquemas e do programa da visita.
Com a graça de Deus, pudemos contar com a ajuda de muitas pessoas que constituem as forças vivas na Paróquia. Eu e o vigário paroquial não estivemos sozinhos em momento algum. Foi muito preciosa a ajuda dos membros do Conselho Pastoral, da Pastoral Juvenil, Litúrgica, Familiar e Sócio-Caritativa. As comissões das igrejas, dez ao todo, foram impecáveis no auxílio que deram e principalmente na montagem do local para as Missas, do sábado e do domingo, que foi preparado para acolher mais de mil pessoas.
Qual foi o critério na elaboração do programa?
Para a elaboração do programa, quisemos abranger os vários setores em que as pastorais que existem na Paróquia estão a trabalhar. Por isso, com a pastoral sócio-caritativa ficou agendada uma celebração do Sacramento da Unção dos doentes na Academia de Maceira; com a Pastoral Juvenil e Secretariado da Catequese ficaram agendados os vários encontros com crianças, adolescentes e jovens; com a Pastoral Familiar ficou decidido fazermos um encontro de casais.
Para além desses encontros, promovidos por estas pastorais, a pastoral litúrgica ficou responsável por organizar todas as celebrações da Eucaristia. Pelo facto da Paróquia de Maceira ser grande e ter vários centros de culto, tivemos o intuito de promover a unidade, de modo que todos se sentissem uma única Paróquia. A Missa de quinta-feira foi escolhida para ser celebrada em A-do-Barbas e a da sexta-feira no Vale da Gunha, de modo a promover a unidade dos centros vizinhos. Decidiu-se então que o senhor Bispo iria visitar na quinta-feira as igrejas de Porto do Carro, Maceirinha, Vale Salgueiro e Costa e que as imagens dos padroeiros seriam trazidas nesse dia para a igreja de A-do-Barbas, para a celebração da Missa. O mesmo aconteceria na sexta-feira, quando o senhor Bispo iria visitar Alcogulhe de Cima, Cavalinhos e Pocariça e os padroeiros seriam levados para o Vale da Gunha para a celebração da Missa. As imagens dos padroeiros seriam sinais de unidade que atrairiam os fiéis dos centros de culto visitados. Para isso, contou-se também com a colaboração dos vários coros das igrejas visitadas que conjuntamente animariam as celebrações.
De forma geral, como decorreu a visita?
A visita pastoral do senhor Dom António Marto na Paróquia de Maceira foi uma graça, uma bênção, uma lufada de ar fresco. E eu poderia acrescentar tantos outros adjetivos que ouvi dos paroquianos, que me mandaram mensagens ou me disseram pessoalmente quando a visita terminou.
Penso que os objetivos foram alcançados. Nas missas de sábado e de Domingo foi notória a adesão e a alegria de todos. No sábado estiveram presentes na Missa, entre crianças e adultos, perto de 1.500 pessoas. No domingo mais de 1.000 estavam na Missa. Em todas as atividades que fizemos o espaço era sempre insuficiente. E graças a Deus que foi assim. Mas não se via a necessidade de espaço e conforto. Todos estavam cheios de alegria na presença do nosso bispo, que transbordava, também ele, a alegria que lhe é peculiar.
Os encontros foram dinâmicos e sem contratempos. É de louvar a pontualidade que procurámos ter. Tudo começou na hora certa e terminou na hora exata.
A participação da junta da freguesia, da Banda Filarmónica Maceirense e dos Bombeiros foi um grande sinal de unidade e compromisso com o povo de Maceira. Foi um belo testemunho de todos.
O almoço-convívio final, no pavilhão dos bombeiros, com a participação de mais de 700 pessoas, foi a cereja no topo do bolo, que demonstrou a alegria e a satisfação dos paroquianos.
Houve algum momento especial que queira destacar?
Todos os momentos foram especiais. Como foi belo contemplar a alegria dos idosos na academia de Maceira; o acolhimento ao senhor Bispo em cada igreja visitada; a igreja do Vale da Gunha cheia de casais que ouviram com atenção as palavras do senhor Bispo e o testemunho da Sílvia e do Agostinho Saraiva; o entusiasmo do senhor Dom António e das crianças, no encontro com os catequizandos do 1º ao 5º ano e no encontro com os adolescentes do 6º ao 8º ano; a beleza da igreja da Maceirinha, preparada pela Pastoral Juvenil e pela comissão, para acolher os quase 200 jovens para o Shemá com o senhor Bispo.
E como foi bonito ver aquela multidão feliz, nas missas de sábado e de domingo. Como foi belo ver ali, as imagens de todos os padroeiros no corredor central, junto do povo de Deus. Uma paroquiana testemunhou o seguinte: “quebraram-se barreiras entre os vários centros de culto e abriram-se caminhos novos de relação com este peregrinar de um lado para o outro e até com os nossos Santos Padroeiros. Penso que eles também gostaram de sair do seu cantinho...”.
Enfim, foi tudo muito bom e belo. Tudo muito “importante”, como disse outro paroquiano…
Qual a principal mensagem ou marca deixada por D. António Marto?
O convite que Dom António fez à Paróquia foi claro: “Querida Paróquia de Maceira, abre-te a Cristo. Não tenhas medo de O acolher…”.
E sem dúvida, ficou em todos nós a certeza de que precisamos a cada dia abrir-nos mais a Cristo, à sua Palavra, à sua presença viva na Eucaristia. E que este “abrir-se” se traduza em aprofundarmos mais a nossa fé, criarmos laços de comunhão fraterna, sermos mais unidos e sermos mais presença de Cristo no mundo.
A mensagem principal que o senhor Bispo deixou à Paróquia de Maceira não foi através das suas palavras, mas simplesmente através da sua presença. A sua alegria, o seu sorriso, a sua presença amiga deixou em todos a certeza de um Deus presente que, à imagem do Bom Pastor, cuida do seu povo e apascenta o seu rebanho. Não estamos sós…
Quais as expectativas criadas a partir da Visita Pastoral? Foi já definida alguma prioridade pastoral ou tomada alguma decisão em ordem à renovação da dinâmica paroquial?
A Paróquia de Maceira tem já caminhado com algum empenho pastoral. Estão ativas na paróquia 6 pastorais (Familiar, Juvenil, Vocacional, Litúrgica, Sócio-Caritativa, Comunicação) que com os serviços e movimentos já existentes (Catequese, Ministros extraordinários da Comunhão, Renovamento Carismático Católico e CNE) e os conselhos económico e pastoral vão, junto com o pároco e com o vigário paroquial, dinamizando a vida da nossa Paróquia.
A presença do nosso Bispo deixou-nos a certeza de que estamos no caminho certo e abriu-nos aos desafios que este “ano da fé” nos vai colocar. Penso, acima de tudo, que a visita pastoral de Dom António à nossa Paróquia deixou-nos com mais força e coragem para continuarmos o que começámos e pôs-nos predispostos aos desafios que o Senhor nos propuser.
Em 2017 a Paróquia faz 500 anos. Já é tempo de termos uma igreja paroquial nova, ampliada e restaurada. Quem sabe?
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